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    Artista de Superman: Son of Kal-El assina contrato de exclusividade com a DC Comics

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    O artista Cian Tormey assinou um contrato de exclusividade com a DC Comics. Tormey é o responsável pelas artes da HQ ‘Superman: Son of Kal-El’, ao lado do roteirista Tom Taylor, que também assinou um contrato de exclusividade com a editora. (link)

    No comunicado, o artista comentou:

    Tenho muito orgulho de dizer que, a partir desta semana, sou um Artista Exclusivo e assinado pela DC Comics. Um enorme obrigado aos editores e colaboradores que já fizeram deste o melhor trabalho do mundo… Acho que estou mudando o estúdio para Metropolis.”

    O anúncio foi feito através da conta pessoal do artista no twitter. Ele recebeu as boas vindas de seus colegas como, Bruno Redondo (Asa Noturna) e Matthew Rosenberg (Batman: Urban Legends).

    Marthas: As heroínas de nossos heróis

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    Sempre que pensamos em pessoas importantes em nossas vidas, a figura materna surge em nossas lembranças mais agradáveis. Podendo ser a mãe biológica ou não, o papel materno geralmente nos remete a um amor incondicional e que também reflete em obras ficcionais como no filme que irei trazer uma reflexão a seguir.

    Batman vs Superman ou BvS como ficou tão famoso tem uma cena que se tornou polêmica por remeter a relação materna dos protagonistas em um momento que não se pensava tão profundamente em adaptações cinematográficas. A cena que me refiro é a tão “odiada” Martha, que encerra o confronto entre os dois heróis que foram colocados em rota de colisão graças a um plano de Lex Luthor.

    Particularmente eu acredito que seja uma das cenas mais emocionantes que testemunhei no cinema, até mesmo nesta geração de “filmes de herói” quando existem tantas adaptações de personagens de quadrinhos no momento. Ela se destaca principalmente por trazer um ponto em comum que não se havia reparado em ambos os personagens e até este filme, não tinha tanta importância. No longa dirigido por Zack Snyder percebe-se que Clark Kent e Bruce Wayne são filhos de uma Martha.

    Não sei se Joe Shuster e Jerry Siegel combinaram com Bob Kane e Bill Finger sobre este detalhe, ou se foi apenas uma grande coincidência… ou Martha era um nome bem comum na época. Mas, após este detalhe ser um destaque, torna-se peculiar pensar que em momento algum nas 8 décadas da existência de ambos não se havia sequer tocado neste assunto. Aqui, gostaria de trazer uma reflexão sobre o quanto isso se torna importante: A presença de Martha na vida de ambos os heróis.

    Quando pensamos na importância das nossas relações e como moldam as nossas vidas, os vínculos com as nossas origens mostram como aprendemos a nos relacionar com o nosso mundo, como encaramos as nossas relações e até lidamos com as perdas e conquistas. Acredito que esta construção também aconteça em universos ficcionais. Personagens com o status de ícones culturais como Mulher-Maravilha, Superman e Batman também possuem esta complexidade tão humana, apesar de não existirem na realidade, mas em toda a jornada sempre a origem é importante assim como a nossa, afinal, também somos heróis em nossas próprias histórias e protagonistas de nossas narrativas.

    A importância de Martha, tanto a Wayne como a Kent, é tão grande para a construção do heroísmo destes grandes personagens que, apesar de nunca termos uma história voltada apenas para elas, sabemos muito sobre estas duas grandes mulheres, como os valores que transmitiram aos seus respectivos filhos e como eles elaboram esta relação ao longo de suas vidas.

    Durante a narrativa de Batman vs Superman é destacado como a perda dos pais de Bruce Wayne construiu o Cavaleiro das Trevas, porém, é enfatizado o quanto é arrasador para o herói a perda de Martha Wayne. Posso considerar essa uma abordagem mais freudiana as questões emocionais do personagem e como a perda deste objeto de afeto moldou o seu vínculo emocional no seu mundo interno para com o externo, originando o ciclo de violência que ele repete ao se tornar o Batman e decidindo lutar contra o crime. Isso pode ser evidenciado em uma das falas do herói ao dizer que “o mundo só faz sentido quando você faz sentido” .

    Por outro lado, em “O Homem de Aço” conhecemos a relação de acolhimento e afeto de Martha Kent com o filho adotivo Kal El, que o chama de Clark logo em sua chegada a Terra. Ao longo do filme, vemos o quanto ela foi importante para que se molde não apenas o Clark Kent mas também o Superman, sendo presente nos momentos que seu filho teve dificuldade de se adaptar a um novo ambiente, tanto no âmbito social quanto biológico. Martha aqui chega a ser um porto seguro ao herói nos momentos que sentiu estar sem direção, o ensinando a construção destas relações de afeto e empatia. A possibilidade da perda deste suporte emocional deixa o Superman em rota de colisão com o morcego no jogo de manipulação de Luthor.

    A cena que encerra o confronto remete ao significado que Martha tem para ambos os heróis, o amor e a possibilidade de perda. Isso se torna evidente no momento que o Batman ouve o nome e reage de forma confusa, a ponto de desconfiar que por alguma razão o Superman sabia a relevância deste nome para a sua vida. Para este Bruce Wayne “salvar Martha” tem um significado mais intimista relacionado a todas as suas perdas do que necessariamente uma relação com o contexto que aquele momento estava propondo, assim como a sua afirmação de que “Martha não vai morrer esta noite”.

    Por fim, seja na origem do símbolo da esperança ou do cavaleiro solitário de Gotham, a existência de Martha, tanto a Wayne quanto a Kent, se torna um fator determinante para a visão de mundo heroica destes ícones da cultura pop que amamos tanto.

    Confirmado ator que dará a voz ao Asa Noturna na terceira temporada de Harley Quinn

    Foi confirmado que o ator Harvey Guillén (What We Do in the Shadows) será a voz do herói Asa Noturna, na terceira temporada da série animada da Harley Quinn. (Via: Deadline)

    O herói já havia dado as caras nesse universo durante os eventos da HQ Harley Quinn The Animated Series: Eat. Bang! Kill Tour Vol. 1, escrita por Tee Franklin e com artes de Max Sarin.

    Asa Noturna é a alcunha adotada por Dick Grayson após seguir um caminho longe da sombra do Batman. Baseando-se o em um lendário herói kryptoniano de mesmo nome, e firmando suas raízes na cidade de Blüdhaven.

    A nova temporada da animação será um original HBO Max, e contará, inclusive, com a participação especial do diretor James Gunn.

    Harley Quinn: The Animated Series tem previsão de estreia para algum momento de 2022.

    Nubia é a rainha das Amazonas em nova HQ

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    A rainha Amazona da DC, Nubia, está retornando mais uma vez em uma nova série: “Nubia: Queen of the Amazons“, (Nubia: Rainha das Amazonas em tradução). A publicação marca o próximo capítulo da atuação de Nubia governando Themyscira.

    A personagem Nubia pode ter estreado em 1973, mas passou por reformulações em suas recentes histórias. Ela se tornou uma figura importante em “Infinite Frontier, após a morte de Diana, acontecimento que levou Hipólita a assumir o papel de sua filha na Liga da Justiça, enquanto Nubia ganhou o título de Rainha de Themyscira.

    “Nubia: Queen of the Amazons” é descrita como uma minissérie de quatro edições que tem a equipe criativa de Stephanie Williams, Alitha Martinez e Mark Morales. Confira a capa principal de Khary Randolph abaixo:

    Capa de “Nubia: Rainha das Amazonas”

    Não faz muito tempo que a DC anunciou a HQ “Nubia: Coronation Special”, que narra os acontecimentos após o evento atualmente em andamento, intitulado “Trial of the Amazons”. Este especial também está programado para incluir a origem oficial de Nubia, que está em questão desde o retorno da heroína em Infinite Frontier. Porém seu reinado pode estar atualmente em questão, já que várias figuras das Amazonas disputam influência, mas parece que Núbia provará ser uma mulher digna de seu título.

    A família da Mulher-Maravilha vem expandindo seu alcance recentemente, ganhando um foco muito maior do que nos últimos anos. Isso é especialmente verdadeiro para Nubia, que poderia facilmente ter voado sob os radares dos fãs nas últimas décadas. Apesar de sua importância na mitologia da Mulher-Maravilha, ela não foi tratada como uma personagem principal, mas suas novas aventuras tiveram impacto no Universo DC e sua importância dentro desse novo status quo do cânone dos quadrinhos.

    Com Diana ressuscitada e a Moça-Maravilha Yara Flor estabelecida como uma heroína da próxima geração, a DC parece ter grandes ambições para o futuro das histórias da Mulher-Maravilha e o papel de Núbia como líder das Amazonas está bem no centro desses planos – os fãs podem ver para onde Themyscira é levada a seguir quando “Nubia: Queen of the Amazons” estrear em 7 de junho.

    [Via: Screen Rant]

    Série ‘DC PRIDE’ retorna em 2022 a tempo do mês do orgulho LGBTQIA+

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    Após o sucesso do primeiro ano, a série de quadrinhos antológica DC PRIDE retorna a tempo do mês do orgulho LGBTQIA+ em 2022.

    Continuando com os lançamentos para o ano, a DC Comics revelou o que tem preparado para a sua sessão do Orgulho que acompanhará os lançamentos da produtora durante todo ano. Começando no próximo dia 31 de maio, teremos quadrinhos focados na Hera Venenosa, Núbia, Tim Drake e Jon Kent como atração principal dos novos títulos que celebram o lado queer da DC e seus personagens mais famosos.

    Com capas variantes impressionantes, confira abaixo os novos títulos de junho, focados no Mês do Orgulho.

    Hera Venenosa é o foco no novo quadrinho ‘Poison Ivy‘. Núbia comandará Themyscira em ‘Nubia: Queen of the Amazons’.

     

    Kid Quick retorna para a Terra-11 em ‘Multiversity: Teen Justice‘. A jornada de Tim Drake continua em ‘DC Pride: Tim Drake Special

    E no verdadeiro estilo DC Comics, os quadrinhos inéditos não são as únicas novidades para celebrar a comunidade LGBTQIA+!

    Também teremos capas variantes com o tema do Orgulho e com as cores do arco-íris em alguns de seus títulos mais populares, confira algumas variantes:

    Entre os escolhidos estão Superman, Mulher-Maravilha e Batman

    Harley Quinn, Asa Noturna e Superman: Son of Kal-El

    Além disso, os novos quadrinhos Galaxy: The Prettiest Star e a compilação de histórias DC Pride 2022 chegam com destaque para personagens novos e antigos, que também merecem espaço na celebração sobre o orgulho de ser quem você é:

    A celebração do Orgulho 2022 da DC estará disponível em lojas de quadrinhos digitais e, até o momento, sem datas de lançamentos pelas livrarias brasileiras. Suas edições vão além do mês de junho com mais histórias, mais personagens e mais Orgulho do que nunca.

    Via: [Out].

    As influências de ‘O Longo Dia das Bruxas’ sobre The Batman

    The Batman finalmente está em cartaz nos cinemas, e o filme, que já pode ser considerado um novo clássico do Homem Morcego, teve forte influência de grandes HQ’s do Morcego de Gotham, sendo uma delas o marcante título ‘O Longo Dia das Bruxas‘ de Jeph Loeb e Tim Sale.

    Antes de falarmos das semelhanças entre as obras, vamos fazer um breve resumo da história da HQ, para que as conexões sejam feitas com mais facilidade.

    A trama mostra inicialmente a parceria estabelecida por Batman, Comissário Gordon e o ainda promotor Harvey Dent, com o objetivo de combater a máfia que comandava Gotham, no entanto, no feriado de Dia das Bruxas, um assassinato acontece, e outros assassinatos seguem acontecendo nos feriados seguintes, surgindo então um novo assassino em série, batizado de “Feriado”. Feriado tem na mira pessoas relacionadas a Carmine Falcone, o grande chefe da máfia de Gotham, e ambas as investigações se cruzam, restando ao Batman e seus parceiros a missão de destruir o crime organizado que comanda Gotham e desvendar o mistério do novo assassino que vem aterrorizando a cidade. Durante a história, que dura um ano, indo de um Dia das Bruxas a outro, podemos acompanhar Batman agindo como um hábil detetive, estabelecendo uma parceria sólida com James Gordon, descobrindo segredos sobre sua família, tal qual a relação de seu pai com os Falcone, vemos o nascer da relação entre Batman e Mulher Gato, e também vemos o Morcego cometer erros, até mesmo caindo nos espinhos da Hera Venenosa, tudo isso até chegar ao fim da trama, que se encerra com o assassinato de Falcone, a queda da máfia e a ascensão dos criminosos lunáticos e fantasiados em Gotham.

    The Batman possui fortes influências desse clássico dos quadrinhos, sendo a mais óbvia talvez o fato de que em ambas as tramas há um assassino, alguém que está concentrando a atenção do herói, mas na verdade o grande vilão é Carmine Falcone, o chefe da máfia de Gotham, que tem a cidade inteira em suas mãos, tendo comprado o prefeito, a justiça e as forças policiais.

    Dentre outras semelhanças podemos citar a parceria entre Batman e Gordon, o viés investigativo da trama que trás a tona o lado detetive do Homem Morcego, o fato das histórias se iniciarem no Dia das Bruxas, a relação entre Carmine Falcone e Thomas Wayne, que em ambas as tramas se iniciam com Thomas realizando uma cirurgia as escondidas em Carmine, e as suspeitas da ligação do mafioso com o assassinato dos Waynes, a narrativa que nos trás um Batman em seus primeiros anos de atuação e, por tanto, cometendo alguns erros e, por fim, ambas as histórias culminam no assassinato de Carmine Falcone e no surgimento de novas ameaças para Gotham.

    Nos quadrinhos, o fim de ‘O Longo Dia das Bruxas‘, marca o encerramento da Era do Crime Organizado em Gotham e o inicio da Era dos Lunáticos, os criminisos fantasiados que parecem surgir aos montes desde que o Batman apareceu. Em The Batman, podemos ver o Charada no Arkham conversando com seu companheiro de cela, alguém com uma risada marcante e que futuramente atenderá a alcunha de Coringa

    Será que Matt Reeves seguirá os passos de ‘O Longo Dia das Bruxas‘ e a queda da máfia será também a ascensão de vilões saídos diretamente das imaginações mais absurdas? Mas para todos os vilões de Gotham, fica o recado:

    Não é um sinal. É um aviso.

    Warner presenteia brasileiro com uma parte da armadura oficial do Batman

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    A Warner Bros. presenteou um fã brasileiro com uma peça oficial da armadura do Batman usada por Robert Pattinson nas gravações de The Batman. A peça foi dada através de uma ação realizada no canal da Twitch da TNT Sports Brasil, contando inclusive com a presença do streamer Casimiro.

    O ganhador em questão foi Danilo, o fundador do Universo DCnauta, um portal no Twitter que reporta notícias sobre a DC e que atualmente conta com mais de 155 mil seguidores. Danilo também é redator aqui no Terraverso, e você pode conferir seus textos -neste link-.

    Juntamente com o jogador Neymar Jr., Danilo faz parte do seleto grupo de brasileiros que receberam uma peça do figurino do novo homem morcego dos cinemas.

    The Batman já está disponível nos cinemas de todo o Brasil e chegará no dia 17 de abril na HBO Max.

    Série dos Lanternas Verdes da HBO Max pode ter novidades em breve

    Os fãs da DC celebraram o anúncio, ainda em 2019, de que a HBO Max está produzindo uma série que explorará o universo dos Lanternas Verdes, porém têm se decepcionado com a demora para que novidades sobre a produção comecem a aparecer. Ao que tudo indica, essa maré pode estar para virar.

    O escritor e produtor consultivo da série, Lamont Magee, veio ao Twitter em resposta a um questionamento e, embora não tenha feito menção direta à série, deu pistas de que se referia a ela. Na resposta a um seguidor, ele diz: “Acabei uma outra série da DC para a HBO Max. Estou tentando descobrir o que fazer agora”.

    A Warner Bros. não confirmou oficialmente se a produção de Lanternas Verdes está finalizada, mas até onde se sabe essa é a única série da DC atualmente sob a alçada de Magee.

    Ainda em 2021, o showrunner Seth Grahame-Smith afirmou que ainda levaria um tempo para que a série fizesse sua estreia no streaming, mas garantiu que a equipe estava muito envolvida no trabalho. Na mesma entrevista, o showrunner atiçou sobre a escala do projeto: “A série é gigantesca. Levou algum tempo para chegarmos nesse ponto e é uma empreitada realmente grande. Está indo muito bem”.

    Com relação aos personagens da série, os atores Finn Wittrock (American Horror Story, A Grande Aposta) e Jeremy Irvine (Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo) já foram escalados como Guy Gardner e Alan Scott, no ano passado. Em entrevista, Finn Wittrock disse que Gardner será uma “figura polarizadora, mas com um coração de ouro”, em algo que deve emular o hiper-patriotismo dos anos 1980 que deu origem a personagens como o Rambo. Alan Scott, por outro lado, será um “modelo dos anos 1940”, mas que batalha com o fato de que precisa manter a homossexualidade em segredo.

    A série deve ainda apresentar uma nova Lanterna Verde chamada Bree Jarta, uma mulher negra em seus 30 anos, filha de uma mãe alienígena e um pai humano. Outras informações atestam ainda que o ator Tobias Menzies (Outlander, The Crown) deve interpretar Sinestro na produção. Simon Baz, Jessica Cruz e Kilowog são outros Lanternas Verdes que devem dar as caras na nova série.

    Lanternas Verdes é uma produção original da HBO Max, ainda sem data de estreia definida.

    Fonte: [CBR]

    DC anuncia nova série solo do Adão Negro nos quadrinhos

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    Já aquecendo o terreno para a grande estreia de Adão Negro, a DC Comics anunciou uma nova série solo do anti-herói nos quadrinhos. (Via: ComicBook) A HQ contará com roteiro de Christopher Priest, artes de Rafa Sandoval (Liga da Justiça) e capas de Irvin Rodriguez (Detetive Comics).

    Mais informações sobre o projeto ainda não foram reveladas. Presume-se que a história deve seguir os acontecimentos de “A Morte da Liga da Justiça”, escrita por Joshua Williamson.

    Confiram as capas variantes:

    Arte de Irvin Rodriguez.
    Arte de Rafa Sandoval.
    Arte de Mikel Janin.
    Arte de Lucio Parrillo.
    Arte de Travis Mercer e Danny Miki.
    Arte de Crystal Kung.
    Arte de Cully Hamner.

    A HQ tem previsão de lançamento para 21 de junho de 2022.

    Batman: Ano Um | A origem definitiva do Cavaleiro das Trevas

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    No último dia 3 de março, “Batman”, do diretor Matt Reeves, estreou no Brasil prometendo abordar facetas do Cavaleiro das Trevas, que até então seriam exclusividade das HQ’s, como o seu lado detetive, por exemplo. A obra que aborda o segundo ano de atuação do vigilante em Gotham City, mostra a sua batalha contra a máfia da cidade, o Charada e contra a corrupta polícia local, que ainda se mostra reticente em relação às suas ações.

    O relacionamento do herói com o Tenente James Gordon (Jeffrey Wright em acertada escolha de elenco), ainda em consolidação é de grande relevância na interminável missão de vingança do herói. Selina Kyle (Zoë Kravtiz) e Oswald Cobblepot (Colin Farrel), respectivamente a Mulher-Gato e o Pinguim, também possuem importância no filme, assim como Alfred (Andy Serkis) que não pode faltar em qualquer adaptação sobre o homem-morcego.

    E não há como não pensar em quais histórias do Batman o cineasta poderia ter se baseado para o desenvolvimento do filme, com o roteiro do próprio Matt Reeves com Mattson Tomlin e Peter Craig. O próprio diretor já revelou que “Batman: Ego” teve grande importância na construção desse novo Batman, agora interpretado por Robert Pattinson.

    Porém, há uma obra em especial e imprescindível para retratar o personagem ainda iniciante e sendo colocado em constante dúvida: Batman: Ano Um, de Frank Miller e David Mazzucchelli.

    Originalmente a trama foi lançada como um arco de quatro partes da revista “Batman” (edições 404 a 407) nos EUA, entre fevereiro e maio de 1987. A partir de setembro do mesmo ano, a editora Abril lançou a história nos quatro primeiros números da segunda série da revista “Batman”. A partir daí, a obra ganhou reedições em vários formatos tanto pela Abril quanto pela Panini.

    Após estabelecer novos (e, porque não dizer definitivos) parâmetros para o Homem-Morcego com “O Cavaleiro das Trevas”, Miller mostra a história de dois homens em busca de redenção: enquanto Bruce Wayne retorna à Gotham depois de 12 anos para tentar liberta-la da corrupção e do crime, o tenente James Gordon se transfere para a mesma cidade, em busca de uma vida melhor para a sua família e tentando deixar erros do passado pra trás.

    Gotham é um personagem à parte com grande relevância no decorrer da trama, pois é mostrada como um lugar sujo, seja metaforicamente, quando os poderosos aparecem em festas ou banquetes, e de forma literal, quando vemos a zona leste, deteriorada e praticamente abandonada pelas autoridades.

    O ambiente muito lembra a deteriorada Nova York dos anos 70, quase falida e com os índices de criminalidade aumentando exponencialmente. E é nessa cidade que o jovem Wayne tenta se misturar à população à margem, tentando colocar seu treinamento em prática.

    Entretanto, ele percebe que não está pronto, pois não inspira medo…ainda. Disfarçado, numa tentativa de proteger uma criança, prostituída por um gigolô, ele é atacado por várias prostitutas, e entre elas, Selina Kyle. Ferido e detido pela polícia, Bruce foge e já em sua mansão tem a clássica revelação do símbolo que deve utilizar para personificar o medo na mente dos criminosos, o morcego que invade o recinto quebrando uma vidraça.

    Em paralelo, Gordon é apresentado à nata da corrupção policial da cidade: O detetive Flass e o comissário Loeb. O então tenente, que não compactua com os esquemas já estabelecidos, sente na pele em uma emboscada comandada por Flass, que logo em seguida leva o troco do próprio Gordon, estabelecendo que agora ele deve saber com quem está mexendo.

    A atmosfera de um filme policial dos anos 70 (como “Serpico” e “Taxi Driver”), é um dos grandes méritos da HQ, aspecto esse realçado pelas cores de Richmond Lewis e pela arte de Mazzucchelli. O cenário é sujo e obscuro e os “heróis” são falhos e muito, muito humanos em seus objetivos e motivações. Batman agora é uma realidade tanto para o mundo do crime, polícia e para os cidadãos de Gotham. Mesmo ainda sendo um vigilante inexperiente, suas ações por muitas vezes teatrais e com técnicas ninjas, geram enorme impacto em toda a cidade.

    A história mostra o desenvolvimento de dois personagens que construirão uma parceria que se não salvará, ao menos evitará muitos crimes e mortes na cidade: Batman e Jim Gordon. O então tenente não é mostrado apenas como aquele que liga um sinal luminoso ou que faz uma ligação de emergência no telefone vermelho, ele é um policial experiente que, além de ter tido treinamento militar, tem sagacidade inteligência de sobra.

    Os personagens compartilham tanto da rejeição do crime organizado quanto da cúpula corrupta da polícia de Gotham (representada por Flass e Loeb) e suas histórias começarão a se cruzar justamente no momento em que os homens da lei receberão ordem para aumentarem o cerco sobre o vigilante.

    Após uma noite de patrulha, onde impediu crimes e um acidente fatal, Batman, ferido e quase desarmado, acaba cercado pela polícia, em um prédio abandonado, que recebe inclusive uma carga explosiva. Nessa sequência, todo o seu treinamento é colocado à prova, pois além de conseguir fugir, ele despista a polícia utilizando morcegos como chamariz (cena que sofreu livre adaptação no filme “Batman Begins”, de Christopher Nolan).

    Enquanto o Homem Morcego expõe os esquemas da polícia, a cúpula da polícia quer expor as falhas de Gordon, que tinha um caso extra conjugal com a detetive Sarah Essen. Ou seja, é uma trama extremamente adulta, atualizando de forma realista e dura o mito do personagem.

    O herói já contava sigilosamente com o auxílio do assistente da promotoria, Harvey Dent, mas constatou precisar ter alguém de confiança na polícia, que seria o então tenente Gordon. A lendária dinâmica que viria a se criar entre os dois se diferencia e muito a de outro famoso (talvez o maior) detetive, Sherlock Holmes, e o seu contato na polícia, o Inspetor Lestrade que, raramente tinha suas capacidades valorizadas.

    O mais importante no desfecho da história é a consolidação da relação entre os dois (sim, dois) protagonistas, quando a família do tenente é colocada em risco e o Batman ajuda a salva-los. Essa parceria será um dos pilares de toda carreira do Cavaleiro das Trevas, assim como sua relação com seu fiel mordomo Alfred Pennyworth e com os Robins (e depois com a bat-família).

    A questão principal é Gordon se dar conta de que Gotham é uma cidade com uma estrutura tão podre, que em muitos casos, a polícia além de não ser suficiente, não conseguirá chegar nos locais certos para pegar as pessoas certas. Sem a colaboração do então tenente (e comissário no futuro), Batman teria enorme dificuldade para executar a sua missão.

    Outro aspecto abordado, mais ao final da edição, é que com o surgimento do homem-morcego, que usa da imposição do medo e teatralidade, começariam também a surgir bandidos que tentariam expor suas loucuras ou obsessões de forma similar, podendo ou não ter sido inspirados no herói para assumir novas personas como vilões temáticos.

    Um exemplo talvez seja o Charada do filme “Batman”, interpretado por Paul Dano, poderia vindo a público motivado pelo aparecimento do herói?

    Esse arco, que viraria minissérie e depois ganharia ares de graphic novel em seus encadernados, é quase o storyboard de um filme. Do roteiro preciso de Miller, mostrando ações paralelas dos personagens, sem excessos, passando pela arte de Mazzuccelli, que oferece enquadramentos dignos de grandes diretores e a “iluminação” e a “fotografia” das cores de Lewis, tudo soa cinematográfico.

    Um bônus é descobrir as referências a artistas que já passaram pelo personagem, agora emprestando seus nomes à algumas regiões de Gotham, e uma lanchonete, com nome de um grande artista americano, especialista em retratar a solidão, que na HQ faz uma ligação direta com os personagens que vão até lá para um café.

    As críticas feitas após as sessões de “Batman”, para a imprensa, foram positivas em relação ao clima áspero, sujo e realista do filme, além do lado detetivesco do personagem, finalmente retratado no cinema. Muito disso está presente em “Batman: Ano Um”, que é, uma história de origem com narrativa fora do convencional que, como muitos filmes, tem um final aberto em relação ao que está por vir ou para as famosas continuações.

    Mostra também aspectos psicológicos que definem os personagens, como o Bruce Wayne atormentado e em busca constante de vingança pela morte dos pais e um tenente James Gordon angustiado e preocupado com o bem-estar da sua família e da cidade. Com os dois personagens lutando contra um inimigo comum, que no caso da HQ, é a sujeira institucional e criminosa que impera em Gotham City.

    É, sem sombra de dúvida, imprescindível para entender o Homem Morcego e para dar início a qualquer projeto, em qualquer mídia, que o tenha como protagonista.