[Crítica] Justiça Jovem: Espectros celebra sua jornada ao entender a importância do processo

    Justiça Jovem chegou ao fim de sua quarta temporada provando que crescer é um processo natural da vida. Nossas escolhas, amores e perdas fazem parte de um caminho que nós mesmos trilhamos, da melhor forma que podemos fazer. Por mais que uma parte de quem somos seja imutável, é impossível permanecer sendo a mesma pessoa que deu seus primeiros passos nessa turbulenta jornada que nomeamos de vida. Intitulada “Espectros”, o quarto ano da série repõe os holofotes naqueles que um dia foram seus primeiros rebeldes sem causa, mostrando o peso do tempo em suas vidas e na produção como um todo, ressoando a maturidade adquirida pelos seus realizadores.

    Mais de uma década separa “espectros” de sua primeira temporada e, entre cancelamentos, retornos e a fervorosa febre midiática do gênero de super-heróis, Justiça Jovem sempre soube ser única em meio a tantas outras produções similares por nunca ter medo de experimentar, trazendo a cada nova temporada uma nova ferramenta que lhe dava um frescor genuíno, mesmo em seus momentos mais baixos. Sendo o grande diferencial desse novo ano a atenção aos detalhes, em especial para toda a trajetória do mundo ao qual deu à luz. 

    Tal revisionismo traz consigo o protagonismo dos sete heróis originais (restantes) da primeira temporada, que ganham para si seus próprios arcos individuais e interconectados. Em um formato que permite uma melhor administração de seu orçamento não mais tão grandioso através de mudanças fluidas entre os seus mais distintos núcleos, juntamente com uma sagacidade pontual adquirida pela junção de seus erros e acertos. Aproveitando por completo todo seu potencial narrativo sem nunca se apoiar fortemente em atalhos baratos de nostalgia, ainda que não deixe de presentear os corações dos mais atentos. Trazendo um sentimento aconchegante de familiaridade semelhante ao de reencontra um querido amigo de longa data. 

    Justiça Jovem Espectros
    Em novo ano, Justiça Jovem mostra todo potencial de seu universo

    Como resultado, “Espectros” evidência a importância transformadora do processo na vida dos personagens para além de suas máscaras. Havendo um fechamento de ciclos sem a necessidade de pontos finais, na mesma medida em que abre espaço para propor conversas nunca antes tão bem postas em obras do gênero, dando voz para uma pluralidade de vivências que fogem da normatividade de forma natural, assim como o mundo que decide espelhar, mas sem cair na graça de respostas vazias. Algo encontrado em todos os arcos, mas em especial nos de Mutano e Violet Harper, que rondam a temporada lidando com questões envolvendo saúde mental e a busca pela própria identidade como uma pessoa queer e mulçumana, respectivamente. 

    Justiça Jovem: Espectros
    Mesmo em meio a um encerramento, os olhares de Justiça Jovem permanecem no horizonte

    Durante anos a primeira temporada de Justiça Jovem permaneceu imbatível como o melhor ano da série, mas temo noticiar que sua coroa agora está nas mãos de “Espectros”, que surge como uma dedicatória destinada a todos que trilharam essa jornada e, assim como ela, floresceram pelo caminho. Mas não se enganem, os pontos usados aqui estão longes de indicar um final, pois enquanto por um lado a produção encerra antigos ciclos, seus olhares já se encontram no horizonte ansiando pelas novas histórias que estão só esperando o momento em que finalmente são contadas.

    Apesar de terem deixado alguns pontos em aberto, principalmente em seus minutos finais, uma nova temporada da série animada ainda não foi anunciada (LEIA MAIS AQUI).

    Marcos Vinícius
    Marcos Vinícius
    Olá! Meu nome é Marcos e tenho um grande amor pelo jornalismo. Possuo um podcast, o Sabor de Ambrosia, e sou um grande fã da DC desde que me entendo por gente. Escrevo de tudo um pouco e, espero que gostem do que tenho pra falar.

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