O Superman ainda daria conta de tudo sozinho? A análise mostra como a complexidade moderna exige coordenação e transforma o papel do herói na DC Comics.
A DC Comics enfrenta menos uma saturação de super-heróis e mais a perda do privilégio cultural automático, precisando voltar a criar narrativas que justifiquem atenção num ecossistema onde os jovens escolhem por interesse imediato, não por legado.
Sebastian Stan pode interpretar Harvey Dent, o vilão Duas-Caras, em The Batman Parte II, com relatos apontando o ator como escolha ideal para trazer complexidade emocional ao personagem.
A série Batman de 1966 enfrentou um dos piores testes de audiência da história da ABC, mas transformou seu estilo campy e vibrante em um sucesso cultural que resgatou o personagem e influenciou toda a percepção dos super-heróis na TV.
O Superman ainda daria conta de tudo sozinho? A análise mostra como a complexidade moderna exige coordenação e transforma o papel do herói na DC Comics.
52 é considerada a HQ mais ambiciosa da DC Comics por sua publicação semanal, foco em personagens secundários e uma narrativa que redefiniu o conceito de universo compartilhado.
James Gunn confirmou Senhor Milagre como parte do DCU. O herói será um dos mais poderosos do novo universo e pode introduzir personagens centrais dos Novos Deuses, incluindo Darkseid. A série animada ainda não tem data de lançamento.
Os criadores de Aztec Batman: Clash of Empires comentaram sobre a possibilidade de uma sequência do filme animado, afirmando que existem ideias e espaço narrativo para continuar a história do Batman em um universo alternativo.
A vencedora EGOT, Viola Davis, tem seu retorno confirmado no DCU como a protagonista da série spin-off Waller, que ainda não possui previsão de estreia.
O Superman ainda daria conta de tudo sozinho? A análise mostra como a complexidade moderna exige coordenação e transforma o papel do herói na DC Comics.
A DC Comics enfrenta menos uma saturação de super-heróis e mais a perda do privilégio cultural automático, precisando voltar a criar narrativas que justifiquem atenção num ecossistema onde os jovens escolhem por interesse imediato, não por legado.
Sebastian Stan pode interpretar Harvey Dent, o vilão Duas-Caras, em The Batman Parte II, com relatos apontando o ator como escolha ideal para trazer complexidade emocional ao personagem.
A série Batman de 1966 enfrentou um dos piores testes de audiência da história da ABC, mas transformou seu estilo campy e vibrante em um sucesso cultural que resgatou o personagem e influenciou toda a percepção dos super-heróis na TV.
O Superman ainda daria conta de tudo sozinho? A análise mostra como a complexidade moderna exige coordenação e transforma o papel do herói na DC Comics.
52 é considerada a HQ mais ambiciosa da DC Comics por sua publicação semanal, foco em personagens secundários e uma narrativa que redefiniu o conceito de universo compartilhado.
James Gunn confirmou Senhor Milagre como parte do DCU. O herói será um dos mais poderosos do novo universo e pode introduzir personagens centrais dos Novos Deuses, incluindo Darkseid. A série animada ainda não tem data de lançamento.
Os criadores de Aztec Batman: Clash of Empires comentaram sobre a possibilidade de uma sequência do filme animado, afirmando que existem ideias e espaço narrativo para continuar a história do Batman em um universo alternativo.
A vencedora EGOT, Viola Davis, tem seu retorno confirmado no DCU como a protagonista da série spin-off Waller, que ainda não possui previsão de estreia.
O Aqualad vai ganhar uma nova HQ solo intitulada “You Brought Me the Ocean” (Você me Trouxe o Oceano). A edição abordará a representatividade LGBTQ+ e o primeiro amor do jovem herói. Ela é escrita por Alex Sanchez (Trilogia Arco-íris) com as artes de Julie Maroh (Azul é a Cor Mais Quente). Confira a prévia:
O Aqualad da edição é o Kaldur’ahm, o mesmo da animação Justiça Jovem. Lembrando que a primeira versão do Aqualad era um jovem rapaz chamado Garth, que era adotado pelo Aquaman.
You Brought me the Ocean será lançada nos EUA no dia 9 de junho de 2020.
A temporada final de Arrow já começou pela CW, e com ela, mudanças significativas na narrativa já podem ser notadas, com uma nova abertura que chamou bastante atenção dos fãs.
OliverQueen (Stephen Amell) se encontra preso pelos planos do Monitor (LaMonica Garrett) durante a temporada final da série, e durante o segundo episódio da temporada exibido ontem (22), uma nova abertura narrada pelo Oliver foi exibida, resumindo exatamente o dilema que Oliver enfrenta durante seu ano final antes da Crise, confira:
https://m.youtube.com/watch?v=LJfeQgigIpM
“Meu nome é Oliver Queen. Por sete anos, eu lutei com apenas um objetivo, salvar minha cidade. Mas agora, uma nova ameaça surge, um perigo tão severo, me forçando a deixar minha família para enfrenta-la. Não será o suficiente ser o Arqueiro Verde. Para parar a Crise, eu preciso me tornar alguém diferente. Eu VOU me tornar alguém diferente.”
Já era de conhecimento dos fãs que uma nova abertura para o seriado seria introduzida nessa temporada, com a showrunnerBeth Schwartz confirmando em recente entrevista:
“Sim, teremos uma nova abertura nessa temporada, tivemos uma na temporada passada e para temporada final teremos outra”
A temporada final antecipa o grande crossover “Crise nas terras infinitas“, que de acordo com os produtores, servirá como um final para Oliver.
A quinta e última da série Lucifer, poderá introduzir novos personagens em sua trama. Os fãs da série estão ansiosos para ver pela primeira vez o irmão e inimigo de Lucifer, o Arcanjo Miguel, que o expulsou do paraíso.
Equipe e elenco ainda não confirmaram a aparição do Arcanjo Miguel, porém o anúncio do ator Matthew Bohrer, que interpretará um personagem chamado Donald Glover deixou alguns fãs desconfiados de que ele seja realmente o Arcanjo Miguel.
Nos quadrinhos, o irmão de Lucifer se chama Miguel Demiurges e ele é inspirado no Arcanjo Miguel, citado no Livro do Apocalipse, da Bíblia.
A 5ª temporada de Lucifer chega em 2020 na Netflix,
Os Jovens Titãs fizeram parte da infância e adolescência de muitos dos jovens adultos de atualmente com a animação do começo dos anos 2000. E quando Jovens Titãs em Ação! foi lançado, muitos reclamaram da ‘infantilização’ dos heróis, e como isso estava estragando o legado dos personagens.
Então, finalmente chega o filme Jovens Titãs em Ação! vs Jovens Titãs, onde os dois mundos se chocam e vemos Robin, Estelar, Ravena, Mutano e Ciborgue encontrando suas contrapartes de outra Terra. A princípio sentimos tanta estranheza quanto os personagens, pois apesar de serem os mesmos, tem personalidades e atitudes diferentes. E é válido apontar como são desenhos diferentes em todos os sentidos: os traços, formatos, cores e sombras, e até mesmo a voz deles, apesar de serem dos mesmos dubladores.
Seguindo o estilo de Jovens Titãs em Ação!, o filme consegue pegar o que há de melhor das duas séries e ainda tirar sarro dos reclamões de plantão. Em algumas cenas sem nem disfarçar, mas durante toda a trama vemos como eles ainda são os mesmo heróis que conhecemos há tantos anos, o que mudou foi o humor mais satirizado que foi dado para a animação mais recente. E alguns outros pontos que vamos conseguindo comparar ao longo da história.
Mas além das referências e zoeiras internas que envolvem os personagens e outros da DC, claro que não poderiam faltar os Easter Eggs de todo o cinema. Os fãs da cultura pop podem se deliciar com referências até da concorrente, em um momento que mostra como o multiverso da pode ser muito bem explorado nas adaptações.
Jovens Titãs em Ação! vs Jovens Titãs mostra os Trigon das duas Terras com um plano de dominação, e para isso eles precisam da Ravena e seu demônio interior. E vemos as duas equipes indo de inimigas a parceiras para enfrentar as ameaças.
O filme é tanto uma viagem de nostalgia para quem cresceu vendo Jovens Titãs, quanto um ótimo refresco para a nova geração. O choque dos dois mundos tem um resultado engraçado e sério ao mesmo tempo, infantil e maduro, e tudo isso acompanhado de ótimos números musicais, muitas lutas e uma lição de como fazer as pazes com você mesmo e saber aceitar e conviver com seus defeitos e qualidades.
Jovens Titãs em Ação! vs Jovens Titãs já está disponível em formato digital!
Distopia, segundo o dicionário, refere-se “a um lugar ou estado imaginário em que se vive sob condições de extrema opressão, desespero ou aprovação.” Exemplos de obras distópicas não faltam e Watchmen (a HQ) certamente se encaixa nessa definição.
Numa ideia bem elaborada (a série, isso é muito legal, eu confesso), também retrata uma distopia com um excelente porém: o futuro é exatamente agora. Os acontecimentos da série não são em um futuro tão, tão distante. Estamos falando de uma distopia onde o futuro é exatamente o ano em que vivemos. Desde o início, Damon Lindelof deixou claro que a série não seria uma adaptação literal dos quadrinhos, mas sim que usaria os quadrinhos como base e ao mesmo tempo, ultrapassando toda a história já escrita. O universo da HQ existe. Os elementos principais estão lá, alguns personagens e a própria trama se assemelha ao que já lemos.
Através dessa ideia, os padrões vilanescos, Guerra Fria, monstros e explosões, são trocados por um mal bastante atual e crescente: supremacistas brancos. Em 2017, homens, em sua maioria brancos, marcharam nas ruas de Charlottesville. Além de estarem fortemente armados, carregavam símbolos nazistas, bandeiras confederadas (símbolo do movimento pró-escravidão nos EUA) e vestiam máscaras da Ku Klux Klan.
Em março desse ano, 49 pessoas foram mortas e 42 foram feridas em um ataque a uma mesquita na Austrália. O atirador era um homem branco. Num manifesto, o atirador afirmou que uma das suas motivações envolvia “criar uma atmosfera de medo” e incitar a violência contra muçulmanos.
Grupos supremacistas brancos no mundo todo tem crescido e mensagens de ódio tem se tornado cada vez mais comum. No nosso amado país, negros são amarrados e torturados em supermercados e crianças mortas em favelas.
Tudo isso, atualmente.
A série começa com a recriação do massacre de Tulsa, Oklahoma em 1921. Cerca de 800 pessoas foram internadas em hospitais locais com ferimentos. O número de negros não pôde ser contabilizado, pois o hospital que atendia negros foi incendiado. O número de mortes também não pôde ser contabilizado devido ao fato de muitos negros terem sido enterrados em valas ainda não descobertas ou mesmo queimados. Cerca de 10.000 ficaram desabrigados.
O ataque havia sido impulsionado por um suposto estupro praticado por um jovem negro contra uma menina branca. Não foram encontradas provas que corroborem as acusações, pelo contrário, muitos indícios indicam que o que realmente pode ter acontecido, não passe de um assalto. Algo a se considerar é que o rapaz já estava preso, entretanto, homens brancos provocaram um tumulto na delegacia que rapidamente virou uma guerra racial.
Após exibir uma retratação do massacre, a série pula quase 100 anos. Acompanhamos uma batida policial feita por um policial negro a um homem branco na mesma cidade que ocorreu o massacre. Enquanto o policial tenta destravar sua arma que é controlada pela central, ele é morto.
Seu assassino faz parte de um grupo supremacista branco chamado de “A 7ª Kavalaria”. Seus membros tem o Rorschach como um mentor-deus. Para quem só assistiu ao filme do Zack Snyder, essa ideia pode ser absurda, mas contando o quanto o cara era desequilibrado, psicótico e violento nas HQ’s, ser uma inspiração para extremistas imbecis não parece algo improvável.
Nos EUA retratado na série, o governo impôs uma série de medidas a favor da reparação histórica em “favor” dos negros. Existe também uma tentativa de controlar a violência policial e transformar, meios letais como último recurso. Embora na teoria tudo pareça caminhar para um mundo justo, o mal estava apenas a espreita, procurando uma fagulha para despertar. Após a morte do policial, a polícia começa uma investigação contra os supremacistas responsáveis pelo ataque.
Aquele mundo ideal desaba e logo a violência policial se mostra como uma medida imediata. As armas passam a ser liberadas rapidamente e o chefe de polícia, assim como a maioria dos policiais ficam animados com a ideia das armas a disposição sem censura.
Antes mesmo da liberação oficial de meios mais violentos para combater a Sétima Kavalaria, a Sister Night (Regina King) captura um suspeito e entrega a polícia. Após um interrogatório conduzido por Looking Glass (Tim Blake Nelson) é comprovado que o suspeito está ligado ao grupo supremacista. Com isso, resta a Sister Night conduzir um novo interrogatório, dessa vez, com seus punhos. Depois de uma sessão de clube da luta particular é descoberto uma pista sobre o esconderijo de alguns integrantes da Sétima Kavalaria.
Assim como no massacre de Tusla, tudo se explode rapidamente e a violência ganha ares astronômicos. O glamour por trás das armas por parte da polícia não é surpreendente, assim como uma necessidade de um controle mais rígido da violência policial. Nos EUA, o número de negros mortos por policiais só aumentou nos últimos tempos, enquanto aqui no Brasil, guarda chuva na mão de negros é confundido com um fuzil, no final, morte.
Watchmen traça um paralelo claro que não existem heróis nessa história e a busca por uma suposta “ordem” pode ser tão cruel como um massacre. Se nos quadrinhos o maior questionamento é como seria o mundo se heróis existissem de verdade, na série a grande pergunta é: Existe alguma distopia pior do que a nossa própria realidade?
Antes mesmo do lançamento do filme Liga da Justiça, no ano de 2017, a DC/Warner tinha um projeto um pouco diferente para o cinema.
O filme chamado “Liga da Justiça: Mortal” com a direção de George Miller (Mad Max), apresentaria uma versão diferente da equipe de heróis mais conhecida do mundo. Algumas artes conceituais dessa produção que jamais saiu do papel, vazaram na web. Confira:
Liga da Justiça teria o ator Armie Hammer como o jovem Bruce Wayne/Batman, isso para não remeter a saga Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, pois seria lançada na mesma época.
Mais uma produção que fica no “quase” na história da DC nos cinemas.
Homem. Meia idade. Íntegro. Altos princípios morais. Senso de justiça elevado. Ético. Comissário de polícia. Mulher. Forte. Elegante. Personalidade densa. Dúbia. Inteligente. Moralidade questionável. Usa a sedução como arma. Amor por gatos.
Acima, duas descrições simples de personagens. Você com certeza compreendeu que estamos falando do Comissário Gordon e a Mulher Gato. Em ambos os casos, a cor dos personagens não está em discussão. Nem tampouco na busca por um ator, como na composição do personagem.
O casting para The Batman começou a ser divulgado. Rapidamente, o amor e o ódio dos fãs começou a ser revelado. Robert Pattinson tinha sido questionado por seu histórico na saga de filmes Crepúsculo, mesmo tendo feito outros filme excelentes depois de Crepúsculo (existem outros filmes além de blockbusters, nerds!). Jeffrey Wright e Zoe Kravitz tiveram suas escolhas também questionadas, agora por um motivo questionável. O motivo? A suposta descaracterização de personagens.
A descaracterização é, conforme o próprio nome, o ato de ir contra a caracterização do personagem. A caracterização no contexto de personagens de quadrinhos refere-se a características de heróis (não só heróis), que são estipuladas na sua criação e devido a repetição em diversas histórias diferentes, acabam sendo vistas como AS CARACTERÍSTICAS QUE DEFINEM O PERSONAGEM ™.
É importante reconhecer que essas características diferem muito e principalmente, carregam os ideais dos seus criadores, visões de mundo, personalidade, gostos, etc. Em resumo, um herói é nada mais que um filho de um autor feito sob encomenda e sem precisar trocar as fraldas.
O Superman, por exemplo, foi criado por dois jovens judeus (ANOTEM ESSE DETALHE). O Superman não é terrestre, mas sim, de um mundo destruído, tornando-o – para desgosto de muitos, um imigrante. Há também inspirações claramente bíblicas, como ser enviado para a Terra e se tornar a própria esperança da humanidade e um modelo a ser seguido. Além de Jesus, outros personagens bíblicos ecoarão na origem do Super, como Sansão e toda a sua força e Moisés que foi colocado em uma cesta, caso contrário, seria morto por um terrível inimigo. Kal-lel é um belo nome, não acha? Significa literalmente, “A voz de Deus”.
Todos esses atributos caracterizam o que entendemos por Superman e como podemos observar, nada mais é do que um “Oceano de estrelas” de vivências e ideais dos próprios criadores. A esperança é e sempre foi, o mote principal do Superman. Mesmo que com o passar do tempo, os ideais naturalmente tenham mudados, o Super continua representando a esperança. O que seria considerado como esperança, ou qual esperança o azulão poderia representar, é o que possibilita a contínua reinvenção e a possível melhora de um personagem.
Entretanto, há casos onde a cor do personagem é essencialmente importante. Um exemplo claro é o Super Choque. A criação do herói é na verdade um manifesto. Seu criador já trabalhava com quadrinhos na Marvel. McDuffie sentia que precisava de mais histórias com personagens negros e outras minorias, com certa profundidade. Assim, junto com mais três colaboradores, criou a Milestone Media (que mais tarde se juntaria a DC). McDuffie expressou na época da criação:
“Se você cria um personagem negro, feminino, ou asiático, ele não é apenas este personagem. Ele representa aquela raça, ou aquele sexo, e ele pode não ser interessante porque tudo o que faz tem que representar um conjunto de pessoas. Você sabe, Superman não representa todas as pessoas brancas, nem Lex Luthor. Nós sabemos que tínhamos de criar uma equipe de personagens contendo cada grupo étnico, o que significa que não podemos criar somente uma HQ. Precisamos criar uma série de HQ’s e temos que presenciar a visão do mundo cuja extensão vem ao que tínhamos visto antes.”
Quadrinhos são uma mídia antiga que sempre foi muito bem acompanhada do contexto histórico. Diversos personagens foram criados através de uma leitura da realidade e os quadrinhos dialogaram com ela. Esse na verdade, é o exato momento onde a arte imita a vida ou a ultrapassa. A sociedade como um todo, se modificou bastante, o que não significa que tenha evoluído.
Diversos escritores perceberam o amadurecimento do público e com isso, criaram histórias que redefiniram o tema. Assim também, os leitores começaram a apreciar obras que fugiam de lugares comuns. Se tornaram mais críticos e não aceitam a mesma história do herói que salva o dia e aplica uma lição de moral no final. Prova disso é como os heróis tem cada vez mais personalidades dúbias e uma moral questionável. Vilões são humanizados e são tão identificáveis quanto os próprios heróis.
Mesmo com todo esse progresso, uma grande parte do público se recusa a crescer. São em sua maioria homens que acreditam que são donos dos seus personagens preferidos e só aceitam eles da forma como os imagina. Essa ideia é contrária a própria essência dos quadrinhos. Heróis se modificam completamente com o passar do tempo, mesmo os heróis de maiores relevâncias. O Batman, sim, ele, já passou de um detetive contra o crime para um justiceiro com atitudes questionáveis. O Batman do Ben Affleck que muitos questionaram por ser violento e até mesmo matar, está completamente ligado aos quadrinhos.
Heróis podem ser qualquer coisa. Podem se modificar, melhorar, regredir. São personagens C-R-I-A-D-O-S. Personagens da ficção. Com o passar do tempo, esses heróis passam por diversas mãos e naturalmente, pessoas diferentes, visões diferentes. Dizer que um personagem de quadrinhos é de tal forma, na verdade impôr uma grande limitação.
Na semana passada o Will escreveu um texto aqui no Terraverso, “abordando o racismo disfarçado de opinião” na escolha da atriz Zöe Kravitz. No Twitter, houveram algumas manifestações de fãs que defenderam os argumentos de que a personagem estaria sendo descaracterizada.
Como mencionado, não há como sugerir descaracterização de um personagem que já foi interpretado por uma atriz, incrivelmente há 50 anos atrás. A cor da pela da personagem nunca foi mote principal nos quadrinhos, sendo esta, apenas uma escolha dos escritores\desenhistas.
E se um personagem que é negro nos quadrinhos fosse interpretado por um ator branco? Na maioria dos casos, problemas raciais são retratados em diversas histórias, quando o personagem é negro. Se um ator branco fosse utilizado para papéis como esses, é evidente que questões raciais não seriam abordadas. Fora isso, há uma palavra que muitos odeiam por si só: REPRESENTATIVIDADE. Na prática e de modo claro, envolve o leitor (seja ele quem for), se sentir representado nas histórias em quadrinhos.
Isso não quer dizer que todos os personagens devam ser negros, por exemplo, mas sim, que não exista uma pré-escolha, onde o padrão seja ser branco. Por que agora entra a outra palavra odiada: DIVERSIDADE. Chega a ser irônico que uma parte considerável de leitores de quadrinhos, não desejem a diversidade. Quadrinhos é a própria diversidade ganhando vida, seja em histórias, seja em personagens.
Felizmente, estamos num tempo onde começamos a nos incomodar mais com questões tão importantes como preconceito. As editoras já perceberam isso há tempos e mais personagens negros (e diversos) foram criados, atraindo novos leitores e deixando muitos representados. Infelizmente, alguns alegarão que seus personagens não estão devidamente caracterizados porque um ator negro foi escalado para um papel. Neste caso, o racismo não está disfarçado, está nítido como um Bat-sinal no céu de Gotham.
https://www.youtube.com/watch?v=yx5ZnLSKFKU
E ai, vai perguntar se o Super Choque pode ser interpretado por um ator branco?
Watchmen estreou na noite do último domingo na HBO e, além da ótima impressão apresentada no episódio de abertura e elementos da clássica HQ de Alan Moore, a série também registrou números importantes sobre a sua audiência.
O portal The Wrap divulgou que mais de 1,5 milhão de pessoas assistiram o episódio de estreia de Watchmen, dirigido por Nicole Kassell, considerando o canal de televisão e suas plataformas, HBO Now e HBO Go. Com isso, o seriado tornou-se a melhor estreia da HBO desde Westworld, em 2016.
Com Damon Lindelof (The Leftovers) como criador e showrunner, Watchmen também alcançou a marca da série mais assistida da televisão fechada no seu capítulo de estreia este ano, com cerca de 800.000 espectadores sintonizados.
Logo após a exibição do episódio de estreia de Watchmen, a HBO apresentou um teaser com alguns dos acontecimentos que serão vistos nos próximos capítulos da série. Confira:
https://www.youtube.com/watch?v=Pt8f1OBoOUE
Watchmen retorna com um episódio inédito no próximo domingo, na HBO. Antes, você pode conferir nossas primeiras impressões da série.
A atriz Gal Gadot e a diretora Patty Jenkins estão confirmadas na CCXP19. Ambas participarão do evento no domingo (8), em um painel especial dedicado sobre o filme Mulher-Maravilha 1984, que tem estreia marcada para julho de 2020. Os presentes poderão conferir o primeiro trailer do longa.
“Mulher-Maravilha 1984” é ambientado nos anos 1980, e contará também com Chris Pine como Steve Trevor, Kristen Wiig como a vilã Mulher-Leopardo e Pedro Pascal em um papel ainda desconhecido.
A CCXP 2019 acontecerá entre 5 e 8 de dezembro no São Paulo Expo.
Estreou ontem, 20.10, a série Watchmen na HBO. Criação de Damon Lindelof (The Leftovers) e um elenco de peso que conta com nomes como Regina King, Jeremy Irons, Don Johnson, Tim Blake Nelson, Louis Gossett Jr., Yahya Abdul-Mateen II, Adelaide Clemens, entre outros.
— Cuidado com SPOILERS! —
A série mantém um justo respeito ao legado construído por Alan Moore nos quadrinhos. A proposta e a abordagem é 100% política. Se antes Moore apresentava as tensões provenientes da Guerra Fria, Lindelof contextualiza a guerra social que aborda a supremacia racial. A apropriação de símbolos da série Watchmen também chamam a atenção em paralelo a abordagem que o episódio se propõe a apresentar.
A ambientação da série é a cidade de Tusla e ela inicia justamente mostrando o Massacre Racial de Tulsa, ocorrido em 1921. Lá, membros da Klu Klux Klan saíram as ruas para matar negros e incendiar estabelecimentos, espalhando o caos e o medo por toda a cidade. O mais impressionante disso é que após a exibição do episódio de estreia, a série foi atacada por algumas pessoas nos comentários da plataforma de críticas Rotten Tomatoes, informando que ela propagava uma “agenda esquerdista” e “questões políticas demasiadas”.
Já havia comentado aqui, em outro artigo do Terraverso, envolvendo o filme do Coringa, que quadrinhos são completamente ligados a política e história. Com Watchmen obviamente não é diferente.
Interessante é perceber neste episódio piloto a proposta que ele nos passa sobre cores e símbolos. A cor amarela, que também é um signo predominante na marca da edição de Watchmen, é também a identificação de um personagem clássico; O Comediante. Nas HQ’s, o Comediante era um homem mau-caráter e agia por impulso em diversas vezes, a ponto de estuprar mulheres e engravida-las nas guerras em que ele estava lutando pelos EUA. Porém, seu caráter duvidoso jamais foi alvo do governo americano. Para o estado, o Comediante era um combatente de guerra, um herói da nação, alguém que sempre esteve ao lado da justiça. Quando acontece a sua morte, ele é enterrado com honras militares. Os policiais de Tesla protegem seus rostos envolto a um pano amarelado, da mesma tonalidade do boton do Comediante, sendo essa uma pura simbologia de patriotismo e dedicação aos EUA.
Já no outro lado, há um grupo de supremacistas brancos que orquestram ataques pontuais contra a cidade de Tesla. Uma Klu Klux Klan que ao invés de utilizar o clássico chapéu pontiagudo, assume a máscara do Rorschach como sua identidade. Rorschach sempre esteve a beira da sociedade. Não mantinha boas relações com o governo dos EUA. Contrariava a regra de que vigilantes mascarados de forma alguma deveriam agir de forma autônoma, sem a autorização do estado e em paralelo as autoridades.
Essas identificações de símbolos e a apropriação pelos espectros do bem e o do mal na série, indicam o ritmo e a proposta que Watchmen deverá abordar ao longo da temporada. Antes dos policiais usarem uma identidade secreta, há 3 anos atrás, eles sofreram um ataque da Sétima Kavalaria (o nome dado a essa equipe de supremacistas brancos mascarados de Rorscharch). As mortes não envolveram apenas os policias, mas também suas famílias, atacadas em suas residências.
A ambientação dos EUA é sob o comando do governo de Robert Redford, um ator de Hollywood que chegou ao topo da liderança da maior potência do mundo. Uma gestão mais alinhada com contextos sociais e que sofrem também ataques da Sétima Kavalaria, com diversas pichações na cidade contra a gestão governamental de Redford. A bandeira dos EUA foi alterada. A vitória no Vietnã fez com que a região fosse anexada como um novo estado pertencente ao território americano.
A diretora do episódio piloto, Nicole Kassell, havia declarado que teve uma clara inspiração sobre a ambientação social de Cuba e o modo de vida asiático em sua cultura, onde lá as coisas são reutilizadas até que não possam ser mais usadas. É por isso que os copos são de papel, a tecnologia usa bipis e não smartphones e os carros são elétricos.
A premiere de estreia apresenta muitas referências ao Minutemen, como um trailer de uma série chamada “American Hero Story” que apresenta detalhes sobre a clássica equipe dos anos 40. Um jornal mostra a manchete “Adrian Veidt é oficialmente declarado morto”. Adrian é Ozymandias e alguns insiders indicam que ele será interpretado pelo ator Jeremy Irons, mas a informação não foi confirmada oficialmente por nenhum produtor. O personagem de Irons possui uma vida solitária dentro de um castelo e com dois empregados bastante esquisitos.
Nesse mundo, ao invés da chuva comum, há chuva de lulas, uma referência a algo semelhante a tragédia do 11 de setembro. Nas HQ’s, Ozymandias forjou uma invasão alienígena em Nova York, motivado por encontrar a paz mundial. Ele criou uma lula gigante interdimensional geneticamente modificada, para atacar a ilha de Manhattan. O acontecimento matou 3 milhões de pessoas e parece que os efeitos dessa tragédia refletem nos dias atuais da série Watchmen.
O piloto apresenta com maestria qual será os caminhos percorridos pela temporada ao longo dos 9 episódios. As questões políticas e sociais abordadas são um reflexo dos Estados Unidos de hoje, uma grande ascensão de grupos radicais, extremistas e supremacistas raciais estão emergindo das sombras com um discurso que ofende, agride e diminui lutas sociais.
Ao final do episódio, há uma morte que surpreende e uma clássica referência a obra original de Alan Moore, e ao bóton ensanguentado do Comediante.
Para um primeiro episódio, Watchmen surpreende pela abordagem e pelo respeito a tudo que a edição clássica já apresentou, inovando no sentido de colocar elementos e signos dentro de uma narrativa aplicada a contemporaneidade do presente. O discurso político atual sobre problemas reais do nosso cotidiano é uma justa homenagem a essência que a obra construiu e marcou gerações ao longo do tempo.