Guy Gardner: O Cowboy do Espaço | O que esperar desse quase herói de ação dos anos 80 na série da HBO Max

    “Ô gata…O Frank Sinatra tá nos anos 80. O Frank Sinatra tá por fora…viva o Sylvester Stallone!”. Esse é um trecho de um dos primeiros diálogos de Guy Gardner (na HQ “Justice League #1” de 1987), como membro da Liga da Justiça…e já diz muito sobre ele.

    O anúncio da série ‘Green Lantern’ da HBO Max criou um grande alvoroço, que foi jogado nas alturas com a surpreendente escolha de Finn Wittrock (American Horror Story e Ratched) para o papel do controverso Lanterna Guy Gardner. A produção descreve Guy como “uma grande massa de masculinidade e, conforme representado nos quadrinhos, uma personificação do hiper-patriotismo dos anos 80”, ou seja, tudo leva a crer que serão fiéis ao espírito do personagem nas HQ’s.

    Se já partirmos do fato de que Gardner era uma das opções de Abin Sur para lhe substituir como o Lanterna do Setor 2814 e que, isso só não ocorreu porque Hal Jordan estava mais próximo, vemos que tem muita coisa interessante que deve ser abordada.

    Na verdade, Guy tem uma trajetória acidentada nos quadrinhos; era um professor de educação física de crianças com um temperamento tranquilo, cujo ônibus que o levava com os alunos sofre um acidente, causado por um terremoto. Tentando salvar uma última criança, Guy se fere gravemente e fica em coma. Quando saiu do coma, possivelmente devido a alguma sequela, a sua personalidade se modificou por completo: havia se tornado agressivo e arrogante.

    Durante os eventos de “Crise nas Infinitas Terras”, os Guardiões finalmente lhe recrutam e dão a ele o tão esperado Anel Energético, o verde, pois já usou um amarelo e um vermelho, mas isso é outra história. (assim como as mudanças na sua origem em “Os Novos 52”).

    Deve haver na série, outra contextualização no que diz respeito à construção da sua personalidade, algo relacionado à sua família (terá esposa e filhos) e história de vida. Mas voltando ao perfil traçado pelos criadores da série, deveremos ver um típico americano médio dos anos 80, apoiador de Ronald Regan e que acredita que a União Soviética é o mal a ser combatido.

    E é daí que podem vir referências aos heróis politicamente incorretos dos anos 80 (Rambo, Baddrock, John Matrix, etc) e vários pistoleiros dos filmes de velho oeste, sempre com alguém que primeiro bate e depois pergunta; Mais Guy Gardner que isso, impossível!

    O comportamento do Lanterna sempre foi impopular entre os seus colegas e, principalmente, entre as suas colegas de Liga da Justiça, pelo seu machismo e tiradas que beiravam o assédio. Resta esperar para saber como a série tratará desse traço do personagem nos dias de hoje, onde essa conduta é execrada e pode acarretar num famigerado “cancelamento”.

    Seth Grahame-Smith e Marc Guggenheim, produtores da série “Green Lantern”, provavelmente escolheram Finn Wittrock não só pelo seu teste, mas também por sua atuação na 1ª temporada de Ratched da Netflix, que possivelmente teve grande influência. Pode-se até fazer um exercício de imaginação e enxergar alguns trejeitos e diálogos que, de certo modo, aproximam mais o ator do personagem. Para os que não conhecem o ator e não acompanharam em trabalhos anteriores, recomendo essa interessante série.

    Agora, se você quer conhecer o perfil definitivo de Guy Gardner, o ideal é ler ‘Liga da Justiça’ de Keith Giffen, J.M. DeMatteis e Kevin Maguire. O arco inicial, chamado “Um novo começo”. (Lendas do Universo DC: Liga da Justiça Vol.1, Panini) já é suficiente.

    A verve cômica dessas histórias ajudam ainda mais a destacar a rabugice, a impertinência e a quase volúpia por ação e quebra-quebra (que lhe rende uma mudança de comportamento após encarar um certo Cavaleiro das Trevas) desse carismático e inconsequente cowboy do espaço que, se a série fosse ambientada nos dias atuais, talvez fosse o cara que chamaria para briga apoiadores movimento M.A.G.A. que entrassem num bar ou coisa parecida.

    Como diria o próprio Guy “e aí, vai encarar?”.

    Vinicius Chaves
    Vinicius Chaves
    Carioca, de 1976, Publicitário não praticante e aficionado por quadrinhos (dos bons), música (boa), cinema (de qualidade) e cultura pop em geral. Superman é o meu preferido desde a infância. Agora faço parte da equipe que do Terraverso, para aprender mais e compartilhar o meu carinho pela DC. “Enquanto isso na Sala de Justiça...”.

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