Terceiro ano de Titãs se perde em Gotham e foca apenas na Bat-Família

    Seguindo eventos catastróficos da segunda temporada, o terceiro ano de Titãs começa forte com a missão de corrigir erros e abrir novos caminhos, mas após os primeiros episódios, nos encontramos em uma trama bagunçada e confusa, com personagens principais jogados de lado, no que parece ser um costume para a produção nessa altura do campeonato.

    Dessa vez nos encontramos em Gotham, a famosa cidade do crime, casa dos maiores vilões do universo DC, no que parecia ser uma decisão para o bem, mas que se torna a facada nas costas de uma série tão promissora que se perde no maior clichê de outras produções da DC: focar apenas na bagunça da Bat-Família.

    E o rosto da bagunça toma forma no Capuz Vermelho, presente nas duas primeiras temporadas como Robin, a transição de Jason Todd para o vilão da temporada foi apressada, gratuita e mau executada.

    Não é como se o personagem já não desse indícios antes da terceira temporada, mas receber os eventos de sua ‘morte’ como Robin e o ‘renascimento’ como Capuz logo nos primeiros 15 minutos do primeiro episódio nos trazem flashbacks da morte corrida de Donna Troy no final do segundo ano. Esses roteiristas simplesmente não sabem escrever eventos traumáticos para esses personagens?

    Não existe mistério, Capuz Vermelho é do mal, e ele tenta se provar constantemente através de cenas violentas que não leva o plot da série a lugar nenhum. Pelo menos até a primeira perda significativa, que honestamente é um dos únicos momentos surpreendentes desse ano. É inesperado, e talvez não tenha sido a melhor das decisões, mas merece elogios pela coragem de ter executado o feito mesmo assim.

    E é uma tragédia que distancia nossos heróis a temporada inteira, e isso infelizmente só ajudou no sentimento de confusão que se instala durante os 13 episódios do terceiro ano da série que agora encontrou um novo lar após o fim do DC Universe, a HBO Max. A mudança de serviço de streaming vinha com a esperança de uma melhoria na produção, que não foi suprida, os efeitos especiais continuam ótimos, mas o terceiro ano sente como uma extensão do segundo, como se fosse uma parte B que deveria ter se encerrado há muito tempo.

    Personagens queridos antes, aqui ganham muito pouco para fazer, Donna Troy, a grande injustiçada da segunda temporada, demora muito para dar as caras, mas quando aparece, ganha poucos momentos de destaque e já corre para o encalço de algum protagonista da família do Batman. Tim Drake é o novo rosto do terceiro ano, e graças a atuação de Jay Lycurgo, ele facilmente se torna o melhor personagem mesmo no meio do elenco já apresentado.

    Savannah Welch é outra adição e surpresa ao elenco, sua Barbara Gordon tem seus momentos, uma surpreendente luta na cadeira de rodas, e flashbacks que nos ajudam a posicionar em qual momento de vida a Oráculo se encontra para a série, mas quando é sempre colocada como personagem de apoio ao Dick Grayson de Brenton Thwaites, você percebe o quanto ela poderia ter tido mais para fazer, ao invés de ser diminuída a um projeto de romance quebrado que não vai pra lugar nenhum.

    Favoritos dos fãs Kory, Gar e Rachel se esforçam, com o pouco que recebem do roteiro conseguem fazer milagres, mas fica claro a preferência dos roteiristas a personagens da família Wayne e agregados, tornando doloroso ver principalmente Estelar e Mutano lutando por minutinhos de tela em cada episódio, enquanto Rachel desaparece por grande parte da temporada, o que assusta já que Teagan Croft carregou a série por dois anos seguidos como protagonista.

    Um ‘subplot’ que tem seu certo encanto é o relacionamento entre Kory, Komand’r e Conner, que passa longe de ser um triângulo amoroso, mas que se desenvolve até de modo satisfatório durante a temporada. As irmãs de Tamaran conseguem criar uma boa química em sua rivalidade, enquanto Komand’r e Conner engatam em um relacionamento fofo que infelizmente não ganha espaço para se desenvolver melhor, mas deixa possibilidade para boas cenas de humor com Joshua Orpin. 

    A maior exposição fica para o protagonista de todo ano, Brenton Thwaites tem inúmeras cenas de exposição, e entrega algo satisfatório em todas elas. Responsável por caminhar a história para frente, seu Dick Grayson pode não ser tão original quanto esperávamos, mas no contexto do seriado, Thwaites conquista seu espaço de forma natural, e quando está em cena, o que é pela maioria da temporada, consegue a façanha de não derrubar a bola independente do que é pedido dele pelo roteiro confuso. Não é chato ver o Asa Noturna, mas chega a ser entediante assistir o herói em ação sozinho, já que nas poucas cenas que ele trabalha e batalha com o seu time, ele brilha.

    A série Titãs já foi renovada para a quarta temporada, e aqui fica o apelo de fãs que buscavam uma aventura em live action mais próxima da excelente trama de Justiça Jovem, mas receberam uma extensão da extinta série Gotham, só que aqui com a permissão do uso de personagens famosos, que ficam perdidos em meio a uma trama que não sabe bem o que fazer com tanto personagem popular.

    Vale a pena assistir? Talvez em uma maratona, pois o formato de episódios semanal tem trabalhado diretamente contra a série, expondo os maiores defeitos da produção da HBO, que fica cada vez mais próximo de algo esforçado da The CW.

    Nota: 30/52.

    Juan Santoshttps://terraverso.com.br
    "Lembrai, lembrai, o cinco de novembro. A pólvora, a traição e o ardil; por isso não vejo porque esquecer; uma traição de pólvora tão vil" - “V for Vendetta”

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