A primeira parte da quinta temporada de Lucifer estreou dia 20 na Netflix, além de trazer o irmão gêmeo malvado do diabo, foca nos personagens secundários da série e está guardando uma reviravolta para sua segunda parte.

Quem assistiu as temporadas anteriores pode ter sentido que Lucifer, vivido por Tom Ellis, perdeu um pouco do protagonismo. Os novos episódios se preocuparam em aprofundar os personagens secundários, seus medos, inseguranças e seu passado. Miguel, o irmão gêmeo de Lucifer, é responsável por trazer a tona esses sentimentos, ele quer desestabilizar os laços criados por seu irmão. Mesmo sendo um anjo, não aparenta ter nada de divinal ou um código moral como Amenadiel. Ele mente, manipula e tem como objetivo prejudicar o irmão, “simplesmente” por acreditar que ele não merece a atenção que tem, ao contrário dele, que já alcançou o “ápice de sua carreira” e está ao lado direito de seu pai. 

Talvez uma decepção de quem acompanha a série seja justamente a participação de Miguel nessa primeira parte. Tudo dava a entender que ele empenharia um papel crucial e teria destaque, mas fora um primeiro episódio bem canastrão, ele foi reduzido a picuinhas e tramoias, essas sim, que influenciaram diretamente na narrativa dos personagens. Isso não reduziu a qualidade da série, ela se mantém como a série divertida que brinca com a história bíblica do anjo caído, que nessa temporada está ainda mais mocinho do que antes. 

A essência dos personagens em si foi explorada, tanto seus desejos quanto temores, Lucifer x Miguel. Mazikeen está vulnerável, e é estranho ver como uma personagem forte fica tão abalada com suas origens e com o abandono, sendo facilmente manipulada, parece uma dramatização do livro “A Parte que Falta”, ela procura suprir um vazio que foi deixado. Entretanto é admirável ver a atriz Lesley-Ann Brandt sendo mais versátil especialmente em uma história toda em preto e branco com atmosfera Noir em que interpreta Lilith, mãe de Mazikeen e do exército de demônios de Lúcifer. 

Os episódios guardam surpresas nostálgicas típicas de quando séries estão chegando ao fim. Repescaram alguns personagens de outras temporadas, como a estrela Pop Destiny e o bilionário Anders Brody com aspirações a Elon Musk, e trouxeram algumas participações especiais como Sharon Osbourne que agradece de forma bem corriqueira ao príncipe das trevas pelos favores que fez ao seu marido.

Outro fato interessante acontece no terceiro episódio. Lucifer e a Detetive Decker investigam o assassinato de um showrunner que está produzindo a série “Diablo” que qualquer semelhança com a própria série não é mera coincidência, uma vez que Lucifer e a vítima se conheciam e costumava tomar notas desses encontros em que Lúcifer dava detalhes de seu dia-a-dia no combate ao crime. Mas um detalhe muito interessante é o nome da vítima, Matt Owens, que nada mais é que o nome de um dos produtores e roteiristas de séries como Luke Cage, Agentes da S.H.I.E.L.D. e Defensores, porém no momento não tem como afirmar que de fato seja uma referência a ele, o que se especula é que seja uma brincadeira com o produtor da própria série Tom Kapinos. Fãs da série tentaram identificar o corpo mostrado na cena, o ator não foi creditado, mas a semelhança com Kapinos é notável. 

Essa primeira parte conseguiu entregar boas histórias como de costume, e alguns plots muito bons, provavelmente o maior deles fica para o episódio final, que mesmo com cortes de edição grosseiros e com O “Deus ex machina” deixou o gancho necessário para esperar a segunda parte com muitas ideias do que estar por vir.  A série teve a edição afetada pela pandemia conseguiu garantir 6 temporadas e se mantém no top 10 da Netflix e líder no top 10 Brasil. 

E é importante reforçar que ela deve ser avaliada pelo que é, não pelo quadrinho ou por expectativas irreais. Ela é a primeira parte de uma temporada de uma série divertida. A intenção desde o início não era entregar algo fiel as HQs, conceitual, indie, mas sim brincar com a possibilidade deste ser etéreo estar em Los Angeles desvendando crimes, um “C.S.I” com um pouco de “Supernatural” e atingiu esse objetivo, é um bom entretenimento e consegue divertir. Julgar a série pelo que gostariam que ela fosse e não pelo que ela é e tem entregue é desnecessário e perda de tempo. 

Nota:


Sobre Rebeca

Rebeca Vilas Boas

Uma deusa, uma louca, uma feiticeira.

Últimas notícias