Patrulha do Destino | Uma 3ª temporada que embarca de vez nos absurdos e bizarrices do Dadá!

    A terceira temporada de Patrulha do Destino chegou ao final recentemente, no dia 11 de novembro, com um episódio eletrizante e que deixou em todos um gostinho de quero mais, o que torna o fato de a série já estar renovada para uma quarta temporada ainda melhor! O novo ano da série elevou ainda mais o nível da produção, conseguindo emplacar ela no ranking semanal das mais assistidas dos EUA, alcançando a 7ª posição. Mas o que tornou essa temporada tão especial, o que finalmente levou ao destaque como a melhor série da DC que temos em produção no momento? Vamos descobri agora!

    A temporada se inicia onde paramos ao fim da segunda, encerrando o ciclo de amadurecimento de Dorothy Spinner, onde vemos a filha de Niles finalmente controlando o CandleMaker, monstro que ganha vida pela imaginação de Dorothy e que estava aterrorizando os membros da Patrulha. Quando libertos de seu casulo de cera de vela, os demais percebem que o Chefe (Niles Caulder) está morto, e que depois de muitos anos ele não vai mais retornar. Agora, eles estão sem um líder, e é partindo desta perda que a terceira temporada realmente se inicia.

    Mas quem são os personagens sem seu Chefe e criador, como eles vão seguir agora? Bebendo nas fontes de Mary Shelley, vemos as Criaturas em conflito com os sentimentos gerados pela morte de seu Criador, os integrantes da Patrulha do Destino mantém uma relação de amor e ódio com Niles e agora precisam reagir a sua perda. Vemos Larry, levado pelo Espírito Negativo ir pro espaço, Cliff entrar numa espiral de ódio por tudo e por todos, Rita brigando com seus próprios sentimentos, Jane tentando arrumar a bagunça instaurada no “Underground” e a pequena Dorothy embarca em Danny, A Ambulância para levar o corpo de seu pai para ser enterrado junto de sua mãe.                                    

    Tudo muda quando a equipe sai de férias para tentar remendar o que sobrou de si próprios e acabam sendo assassinados, mas se tratando de Doom Patrol, a morte não é o fim. Num episódio memorável, a Patrulha se transforma em zumbis, contando com o retorno de Willoughby Kipling, que já havia aparecido nas temporadas anteriores, para ajudar os demais a saírem dessa situação! Com uma terceira temporada abraçando ainda mais a bizarrice, temos viagem no tempo, zumbis, fantasmas detetives, bundas carnívoras, a Irmandade do Mal e a Irmandade do Dadá, tudo isso temperado com a carga emocional de evolução de cada personagem como pessoa.

    A bizarrice da temporada está diretamente ligada aos elementos da escola de vanguarda dadaísta, que não por acaso dá nome a equipe antagonista do grupo de heróis mais desajustados de todos os tempos. O Dadá é o abraço ao absurdo, ao sem sentido, ao inexplicável, qualidades que descrevem bem essa temporada e a Irmandade, que inclusive merece destaque pela incrível interpretação e por como a existência desta equipe na série levou à diálogos memoráveis e que podem ser descritos como “puro suco de maiêutica”!

    As provocações iniciadas pela Irmandade do Dadá no evento intitulado “A Flagelação Eterna“, causou epifania em todos ao redor mundo, veja bem, a flagelação eterna consistia em fazer com que todas as pessoas enfrentassem suas memórias e experiências mais traumáticas e confrontassem seu subconsciente para que se tornassem pessoas melhores, e através disso, conhecemos o cerne do problema dos nossos protagonistas num episódio emocionante e reflexivo que aborda temas como racismo, homofobia, vícios e depressão com maestria por parte do elenco!

    Além disso, merecem destaque a incrível interpretação de April Bowlby como Rita Farr no que foi sua melhor temporada, a personagem se reinventa, literalmente, ao ter suas memórias apagadas quando viaja no tempo e se junta à Irmandade do Dadá nos anos 30, finalmente abraçando seu poderes, e Michelle Gomez como Madame Rouge, que veio para ser mais uma vilã que nós odiamos amar, a personagem até tenta ser uma vilã, mas carregada da dualidade inerente ao ser humano comete erros e acertos e por fim, busca ser uma pessoa melhor, se juntando a Patrulha do Destino. A atuação de Jovian Wade como Cyborg, que nessa temporada trás uma nova perspectiva para o personagem, questionando a si próprio as razões que o fazem um super-herói e as nuances por trás de sua existência, em tempos de Black Lives Matter, abordando o racismo intrínseco na sociedade de maneira crua e exposta.

    Por fim, vemos a temporada chegando ao final com algumas pendências a serem resolvidas, deixando um bom gancho para a 4ª temporada, com uma adição à equipe e com seus membros finalmente prontos para abraçarem suas peculiaridades e se tornarem verdadeiros (bem, tão possível quanto para os heróis em questão!) super heróis!!

    Agora, caro leitor, já que você chegou até o fim deste texto, te proponho um questionamento, uma pergunta sobre o por que você está, onde está, como está e quando está, uma pergunta sobre existência e sobre tudo o que faz de você, você, a sua própria flagelação eterna, então lá vai:

    POR QUE VOCÊ É?

    Nota:

    52/52 – Excelente!

     

    Luara Evangelista
    Graduada em Direito, amante de Ciências Políticas e Sociais, Literatura e Cinema. Aficcionada por Cultura Pop e Dcnauta ferrenha. Busco enxergar conexões entre a cultura pop e debates sociológicos.

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    1. “ A atuação de Jovian Wade como Cyborg, que nessa temporada TRAZ”, do verbo trazer, e não trás, pessoal. Não deixem erros como esse macularem uma matéria tão inteligente, por favor.

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