Nesta terça-feira, 23 de fevereiro, a DC está introduzindo nos quadrinhos o conceito de Linearverse – uma nova maneira de olhar para a história de 82 anos da editora.

Parte do novo conceito de Multiverso Expandido, já foi introduzido em ‘Dark Nights: Death Metal #7′, chamado de Omniverse, em que cada história do Universo DC já contada é válida. Agora, com o Linearverse, parece que o conceito de ‘Multiverso’ não é um elemento tão necessário para organizar narrativas.

Nas páginas finais da HQ, ‘Generations Forged #1′, são apresentadas informações ao leitor que tudo acontece em seu próprio novo canto do Omniverse, chamado agora de Linearverse, em que toda a história dos mais de 80 anos da DC se passa em um momento singular e, claro, em uma linha do tempo linear.

Em outras palavras, o Batman-Bruce Wayne que começou sua carreira em 1939 é o mesmo Batman-Bruce Wayne que acabou de participar de ‘A Guerra do Coringa’, de 2020.

Sem múltiplas Terras, sem crises para retrabalhar cronogramas e continuidade. Apenas heróis que vivem muito, mas muito tempo. No Linearverse, “as pessoas envelhecem muito mais lentamente, vivendo muito mais do que em outros lugares”, explica Waverider (um guardião das linhas do tempo da DC) ao Batman nas páginas finais de Forged. “Sua juventude e vitalidade perdurarão por décadas, permitindo que você seja eficaz por muito mais tempo do que a norma universal.” conclui.

No conceito do Linearverse, há uma maneira realmente simples e intuitiva de olhar para a passagem de tempo. Existe agora um Universo DC que evolui com a temporalidade, de modo que cada versão dos personagens que você já leu é a mesma versão, e tudo o que já aconteceu com eles, realmente aconteceu.

A questão também sugere que, em eventos como as Crises que ocorreram no passado, é possível que os mundos varridos da existência não foram realmente dizimados, mas “escondidos”. A HQ não chega a dizer isso, mas certamente é o que aconteceu com os mundos aparentemente destruídos em ‘Generations Shattered #1′, que são abordados como uma sequência de Zero Hora, uma minissérie de 1994 escrita e desenhada por Dan Jurgens e que marcou a primeira continuação oficial da DC para Crise nas Infinitas Terras.

“E se essas eras não foram destruídas… mas se mudaram?” Batman pergunta em um momento chave da história. “É mais improvável acreditar que essas eras estão por aí, em algum lugar, escondidas, do que pensar que eventualmente reconstruiremos centenas de milhões de anos de tempo?” conclui o Homem Morcego na edição.

É uma maneira simples e direta de explicar por que a moda e a tecnologia sofreram alterações, personagens contemporâneos que estão ativos em 2021 viveram grandes eventos históricos como a Segunda Guerra Mundial, e os heróis tiveram mais aventuras do que podemos abordar dentro de um período de 10-15 anos em que as carreiras de super-heróis da DC são geralmente consideradas.

O co-escritor Dan Jurgens em conversa com o Newsarama, afirma que o Linearverse dá aos leitores “um lugar que abraça um conceito diferente da história da DC”.

Como as pessoas envelhecem de forma diferente no Linearverse, explica Jurgens, o Batman “ainda é jovem e vivo o suficiente para ter operado como Batman durante os anos 40, 70, 90 e até hoje. Apesar de ser muito, muito mais velho, Batman ainda teria o físico de um homem muito mais jovem. O mesmo ocorre com o Robin. Isso não é válido somente para super-heróis. O Comissário Gordon, por exemplo, tem o mesmo status.”.

Embora a metodologia seja simples, eliminando a necessidade de Múltiplas Terras, cronogramas alternativos, Crises e conciliando a natureza duradoura de personagens fictícios icônicos com o passado do tempo do mundo real, a continuidade da DC nunca é tão simples.

Como grande parte da narrativa da DC tem se preocupado em criar uma linha do tempo coesa por quase 40 anos, o Linearverse requer algumas presunções criativas para fazer que tudo funcione também.

“Sempre que você tenta construir essas coisas, algumas acomodações precisam ser feitas porque nunca é um ajuste limpo.”, responde Jurgens quando perguntado sobre como histórias do estilo ‘Batman: Ano Um’ de Frank Miller de 1987, (que assume que os primeiros anos do Batman ocorreram em tempos considerados contemporâneos) se encaixam no conceito de Linearverse.

“A história das publicações da DC é geracional. É, afinal, uma das razões pelas quais pegamos personagens de pontos específicos no tempo através da história da DC. É incrível que esses personagens tenham suportado tanto tempo quanto eles  possuem e é notável ver como eles se adaptaram aos períodos, enquanto ainda mantêm, em muitos casos, seus atributos originais e centrais.” afirma Jurgens.

A mudança veio para facilitar principalmente a vida dos escritores, pois se tudo é considerado, as histórias podem assumir elementos autônomos e até mesmo novos para a mitologia de cada personagem, sem a necessidade de respeitar algumas ‘regras’ determinadas devido a publicações passadas. Agora tudo é linear e aberto.

A edição ‘Generations Forged #1’ foi lançado hoje nos EUA e ainda não possui previsão de chegar ao Brasil.

Sobre Willyan

Publicitário. Diretor de Arte, Designer e Batmaníaco. Fã incondicional da DC Comics e pesquisador assíduo desse universo e todas as suas possibilidades de transformação.

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