O universo da Tropa Esmeralda é um lugar de infinitas histórias, na verdade, o universo cósmico da DC é rico em diversos aspectos. De deuses em uma guerra milenar a tropas que usam as emoções como armas, encontramos muitas tramas que apenas aguardam para ser contadas e, dessa forma, vemos um pouco destas narrativas em Lanterna Verde, escrita por Grant Morrison e desenhada por Liam Sharp.

Lançada entre novembro de 2018 e outubro de 2019, com 12 edições ao todo, além de uma edição anual. A série escrita por Morrison ganhou também um spin off chamado de Lanterna Verde: Blackstars, e seus eventos ocorrem na primeira temporada, com uma segunda temporada publicada entre 2020 e 2021.

A história não tem exatamente uma aventura linear, são diversas aventuras do personagem a medida que precisa cumprir o seu dever como um membro da Tropa dos Lanternas Verdes, conversando de forma sútil com acontecimentos do universo DC, como O Relógio do Juízo Final e Noites de Trevas: Death Metal. Ao ter esta experiência literária, posso dizer que é agradável ver uma história em que o Hal Jordan não é o causador dos problemas e sim a solução.

Além das histórias citadas, outros elementos também são utilizados. Um deles é o conceito de anti-matéria, que funciona como um contexto maior das histórias abordadas na primeira temporada e na conclusão destes eventos recentes, mostrando que Morrison continua com seu talento de combinar elementos diversos da editora de forma afiada, nos brindando com grandes momentos ao longo de sua narrativa.

Nesta minissérie, como leitor, fiquei muito empolgado ao ler uma aventura em que Hal Jordan é valorizado como personagem, com seu passado utilizado como referência para que ele seja o herói certo para determinado serviço. Morrison coloca de forma inteligente as referência a própria mitologia do Lanterna, tanto os grande momentos de sua carreira como patrulheiro do Setor 2814, como as suas falhas quando assume o papel de Blackstar Parallax no título spin off da obra, relembrando o momento mais delicado de sua carreira heroica, além de outras referências como o seu período como Espectro.

Me recordo que quando foi anunciada esta história, se dizia que o foco era exatamente o herói como um policial espacial, e Morrison entrega essa premissa, nos mostrando não só como Jordan é um personagem que ainda pode nos render bons momentos como Lanterna no universo, mas que ele também é vital para manter a ordem. A edição cumpre a proposta de uma aventura policial, consegue trazer momentos divertidos, engraçados e emocionantes como as participações de personagens conhecidos por terem laços estreitos de afeto com Hal, como o Flash Barry Allen e Oliver Queen, o Arqueiro Verde.

Como dito anteriormente, são diversas aventuras do Cavaleiro Esmeralda pelo universo e muito além, elementos que destacam a criatividade de Morrison. O início mais convencional me surpreendeu inicialmente, pelo simples fato do convencional não ser uma marca registrada do roteirista, mas, a medida que a minissérie progredia, vemos como o universo além de ter muitas histórias e conflitos pode ser o lugar que encontraremos o estranho e diferente.

Neste ponto, a química entre o roteirista e o desenhista Liam Sharp funciona muito bem, com seu traço dialogando perfeitamente com o roteiro, apresentando novas raças de escolhidos do anel esmeralda, explorando planetas longínquos e uma viagem pelo Multiverso, conhecendo outros tipos de Lanternas.

Muitas viagens interplanetárias, multiversais e até mesmo Hal Jordan dando voz de prisão a deus, ou alguma coisa parecida com isso…. “Lanterna Verde” de Grant Morrison é um ode a todo o caminho que já foi trilhado pelo cavaleiro esmeralda, mostrando que ele ainda tem fôlego para continuar mantendo a paz no universo, na Terra e aonde mais for necessário, sendo a presença de quem é capaz de superar o grande medo.

Nota: 50/52 – Ótimo.

Sobre Ricardo

Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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