A última parada do #EspecialCrises, pelo menos até o próximo grande evento do Multiverso, não carrega em seu título o nome pelo qual conhecemos a famosa saga cósmica, mas possui todos os elementos e as grandes alterações que costumam acontecer. Não considero que essa história seja particularmente um reboot… ela tem mais uma forma de um retcon, abrindo espaço para que tudo criado na DC ao longo de sua existência seja levado em conta.

A saga Noites de Trevas: Death Metal recebeu uma enorme produção por parte da sessão de quadrinhos da DC, com direito a trilha sonora com as músicas Broken Dreams da banda Rise Against e Warship My Wreck de Marilyn Manson, esta última retirada do ar após as acusações feitas contra o cantor por parte da atriz Evan Rachel Wood.

Além de músicas, foi lançado em formato de web série a ‘Dark Nights: Death Metal -Sonic Metalverse’ uma animação utilizando as páginas do próprio quadrinho contando com as vozes de artistas do cenário do metal como Andy Biersack da banda Black Veil Brides, Chelsea Wolf, os atores Jason R. Moore e David Hasselhoff -interpretando o Batman, Mulher-Maravilha, Cavaleiro Mais Sombrio e Superman respectivamente, além do próprio Scott Snyder como Rei Robin. Os episódios ainda estão em lançamento e você pode conferir clicando aqui.

Após os eventos de ‘Noites de Trevas: Metal’, fica estabelecido a existência de uma versão oposta do Multiverso, um Multiverso Sombrio, contando com uma infinidade de versões das Terras como conhecemos mas repleta de pesadelos e tragédias. Para conhecer mais sobre este mundo sombrio, foram publicados os Contos do Multiverso das Trevas, revisitando algumas sagas conhecidas dos leitores DC e reimaginando seus acontecimentos na perspectiva deste mundo. Aqui no Terraverso já realizamos um especial sobre a primeira fase destes contos, clique aqui e confira.

Entre junho de 2020 e janeiro de 2021, foram lançados ao todo 24 edições, entre as 7 focadas na história principal escrita por Scott Snyder e outros 17 especiais detalhando uma enorme quantidade de acontecimentos em paralelo, roteirizodas por Joshua Williamson, Magdalene Visaggio, Kyle Higgins, James Tynion IV, Marguerite Bennett, Matthew Rosenberg, Justin Jordan, Geoff Johns, Jeff Lemire, Mariko Tamaki, Gail Simone, Christopher Sebela, Cecil Castellucci, Mark Waid, Peter J. Tomasi, Frank Tieri, Daniel Warren Johnson, Garth Ennis,Chip Zdarsky
Becky Cloonan, Vita Ayala, Christopher Priest, Sam Humphries, Jeff Lemire  e outras contribuições na arte com artistas como Greg Capulo, Joëlle Jones, Xemanico, Jesus Merino entre outros.

A reunião de um grupo tão qualificado de artistas do cenário da DC mostra a importância do evento, tanto como narrativa quanto no aspecto de refinamento de arte.

A trama é sobre a primeira anti-crise do universo DC. Mas, afinal, o que Death Metal teria haver com todas as outras Crises que mudaram os rumos da editora? A resposta passa pelo próprio conceito de Crise que nos foi apresentado a partir do primeiro molde de realidade, que ocorreu em Crise nas Infinitas Terras.

Após o primeiro fim do mundo, o Multiverso DC como um todo começa a acumular a energia de Crise, um elemento que desagrega a energia que mantém este universo em harmonia, a energia de conectividade. Todas as crises de alguma forma tiveram influência da divindade cósmica Perpétua, a mãe do Multiverso DC, que desejava subjugar os seres vivos para a sua adoração. No arco o ‘Ano do Vilão’ em Liga da Justiça, a divindade obtém a vitória com a ajuda do Batman-Que-Ri ao utilizar toda a energia de Crise do Multiverso Sombrio, dando mais poder a Perpétua, que acaba destruindo cada uma das 52 Terras que não se curvarem ao seu poder, e neste contexto, encontramos os heróis derrotados em uma versão de mundo dominada por aquele que ri.

A primeira crise é sobre o Universo DC em contexto geral e amplo, a segunda é focada na figura do Superman, a terceira temos o Batman sendo o destaque, mas nesta anti-crise, a protagonista é a Mulher-Maravilha que guia todo o Multiverso em direção a vitória pelo seu caminho mais virtuoso, a busca pela verdade e o sentimento de todo o heroísmo, enquanto do outro lado o Batman-Que Ri evolui para uma criatura que esta muito além das divindades cósmicas que conhecemos.

O grande antagonista da história é ele, o Batman-Que-Ri, o pesadelo sobreviveu as Noites de Trevas e conseguiu se infiltrar no Multiverso convencional, ganhando força em um plano para se tornar um criador de um Multiverso alimentado eternamente pelos pesadelos do Multiverso Sombrio. O vilão consegue a confiança de Perpétua, gerando uma infinidade de energia de Crise, o que foi capaz de vencer os heróis com toda a energia conectiva existente em seu poder e, enquanto a divindade se preocupa em destruir o Multiverso convecional, aquele que ri conquistou força o suficiente para rivalizar com a criadora do Multiverso e tomar o seu lugar.

As narrativas para contar a história da primeira anti-crise surgem de vários pontos do Multiverso enquanto a Trindade tenta parar os planos do Batman-Que-Ri que passa a se denominar de O Cavaleiro Mais Sombrio, que se tornou poderoso o suficiente para criar 52 Terras de um Multiverso Sombrio. Ao longo desta narrativa, passamos por diversas histórias incríveis como a luta dos Lanternas para destruir torres de energia de crise, uma clara referência a Crise nas Infinitas Terras, ou a visita da versão sombria das três grandes Crises em que reencontramos o Superboy Primordial sendo convencido pela Mulher-Maravilha que ele pode ter uma nova chance de ser um herói.

O segundo grande momento se passa no especial “As Últimas Histórias do Multiverso”, quando vemos os heróis se preparando para a batalha final podemos testemunhar momentos tocantes daqueles que sobreviveram ao fim de tudo até aquele momento. Outro destaque do desfecho do evento é o sacrifício do agora herói Superboy Primordial em Origem Secreta, que literalmente destrói com seus punhos o Multiverso criado pelo Cavaleiro Mais Sombrio até a sua aparente morte e uma quebra da quarta parede onde o Clark Kent Primordial estava lendo a história em sua Terra natal, próximo das pessoas que ama.

No final da narrativa temos a maior batalha de heróis do Multiverso, liderada pela Mulher-Maravilha que usou os poderes do Laço da Verdade combinados com o metal especial encontrado por Luthor e Lobo ao longo da história. Ela conseguiu recuperar as memórias de todos os personagens ao longo de sua existência no universo DC, pois assim teriam a energia para vencer o vilão que ri e a batalha entre a grande divindade cósmica Diana de Themiscera e o Cavaleiro Mais Sombrio os leva ao começo da própria história do universo e, assim que ela derrota o vilão, um novo Multiverso surge criando expectativas para novas histórias.

Após terem vencido o grande pesadelo e o universo ter renascido, houveram grandes mudanças e o conceito de Multiverso deixa de ser a base, se tornando agora o Omniverso. Agora o que conhecíamos como Multiverso se ampliou em uma infinidade de realidades, infinitos futuros e o centro deste Omniverso não é apenas em uma Terra mas em duas, uma denominada Alpha e outra chamada Elseworld. Com todas estas mudanças, podemos interpretar que diversas histórias que conhecemos que eram não canônicas como ‘O Reino do Amanhã’, por exemplo, passaram a integrar esta infinidade que agora se tornou o universo DC.

‘Noites de Trevas: Death Metal’ não carrega a palavra Crise em seu título, mas seguiu fielmente todos os elementos de uma crise, inclusive referenciando diversos elementos destas histórias anteriores. Acredito que essa talvez seja a última vez que veremos este termos Crise de fato nas nossas histórias pelos próximos anos, porém, o conceito de anti-crise poderá ser as portas para um Multiverso de grandes aventuras dos nossos heróis.

Sobre Ricardo

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Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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