‘Mulher-Maravilha 1984’ é visualmente lindo e nostálgico. A diretora Patty Jenkins explora a Ilha de Themyscira logo nos primeiros minutos, criando um show visual onde vemos uma lembrança de Diana (Gal Gadot), que ainda criança participa dos Jogos Olímpicos das Amazonas, uma garotinha cheia de si, confiante e prestes a aprender uma valiosa lição. O que faz uma verdadeira guerreira.

Os efeitos visuais se misturam entre efeitos práticos e CGI, o que falha em alguns momentos; há paisagens que ficam artificiais e movimentos leves demais, mas em compensação as cenas de ação são muito empolgantes. Diferente do primeiro filme em que super saltos e movimentos rápidos deixam a protagonista parecendo um borrão, nessa produção temos mais definição e movimentos limpos. As lutas seguem bem coreografadas e intensas, as sequências de ação mostram mais do potencial da Mulher-Maravilha e como ela se desenvolveu com os anos, e principalmente, se adaptou a vida fora da Ilha.

Diana passou sua vida no mundo dos homens dedicada a atos heroicos, honrando a memória de Steve Trevor (Chris Pine). De forma mágica, ela tem uma nova oportunidade ao lado de Steve, com a relação entre os dois continuando de onde parou. O que acontece no primeiro filme, que Steve apresenta um novo mundo para Diana agora se inverte; ela apresenta as maravilhas do mundo moderno ao piloto que fica fascinado com as facilidades de um simples quarto, um guarda-roupas cheio de pochetes e calças com vários bolsos.

Os vilões estão em destaque, tem mais profundidade e brilham em cena, Kristen Wiig e Pedro Pascal atuaram muito bem. Wiig como Barbara Minerva conquista ao fazer a evolução de uma garota desengonçada em busca de amizades para uma femme fatale no topo da cadeia alimentar, enquanto Pascal interpretando Maxwell Lord alterna entre momentos caricatos e de super confiança com medo, ganância e desespero.

De forma geral, ‘Mulher-Maravilha 1984’ é muito bonito, cheio de ação, cores, cenários incríveis e não decepciona pela espera. A caracterização da Cheetah foi brilhante, a maquiagem e os efeitos deram uma textura realista que ficou muito bem em tela. A interpretação da Gal Gadot mostra uma Mulher-Maravilha mais madura em contraponto ao primeiro filme em que há uma certa inocência.

Alguns furos de roteiro deixam a sensação de que há uma história mal contada, temas em aberto que podem ou não ser ditos em outro momento, principalmente a relação de Diana com a sua origem; não fica claro se ela volta à Ilha em determinado ponto e aprende mais sobre si.

O que pode ser um problema é como o filme é encerrado. Não é dado um ponto final para os coadjuvantes mesmo que o terceiro ato tenha sido eletrizante, cheio de ação e comoção. Possivelmente essa última parte possa melhorar com a cena pós-créditos que será exibida no lançamento dos cinemas. A imprensa não teve acesso a cena, que pode dar uma conclusão mais robusta ou apenas um gancho para uma futura sequência.

MM84 não mostrou ligação com outros filmes do Universo DC a não ser o primeiro filme da Mulher-Maravilha, o fato de não ter mostrado a vinheta de introdução dos filmes do DCEU, assim como em ‘Shazam!’, pode ser um sinal de que a produção não será considerada na cronologia do universo compartilhado.

‘Mulher-Maravilha’ 1984 estreia no dia 17 de dezembro nos cinemas do Brasil e no dia 25 de dezembro será lançado também no streaming HBO Max.

Nota: 50/52

Sobre Rebeca

Rebeca Vilas Boas

Uma deusa, uma louca, uma feiticeira.

Últimas notícias