Para começar a falar sobre o filme Esquadrão Suicida, do diretor David Ayer, é preciso começar por todo o marketing de divulgação que foi feito. Muito foi prometido e pouco desse material foi entregue. Pelo menos uma das coisas que os fãs mais esperavam e especulavam em cima foi pouco explorado, o Coringa de Jared Leto. Todos contavam com muitas cenas do vilão, e o que receberam foram algumas que não saciaram a sede de conhecer essa nova versão cinematográfica. É preciso lembrar que o Coringa de Heath Ledger marcou uma era, então todos esperavam mais material dessa novidade para conseguir suprir a falta que tivemos depois da morte do ator.

O roteiro parece não ser bem estruturado, faltam pontes entre cenas e pano de fundo para trama que se desenrola. Os personagens são muito brevemente apresentados, deixando pontas soltas que poderiam arrematar melhor o filme como um todo. A inserção deles no Universo Estendido já existente da DC foi bem feita, ligando cada vilão com seu herói, mas talvez fosse preciso escolher mostrar mais disso ou deixar para uma outra oportunidade, justamente para não deixar como se estivesse faltando alguma coisa. A grande maioria do público conhece Coringa e Arlequina, mas para os outros personagens talvez fosse preciso maior aprofundamento, como a Katana ou Diablo, que têm passados interessantes e ficam de fora.

As cenas em slow motion vêm dando certo ritmo em todos os filmes da nova geração da DC, algo que pode ser dito como marca de Zack Snyder. Em Esquadrão, elas são bem usadas, sem exageros, mas em alguns momentos são inoportunas, e são sequências muito longas, o que deixa a tensão do clímax de lado para dar lugar ao cansaço.

O elenco foi bem escolhido, dando destaque à Margot Robbie no papel de Arlequina. A atriz consegue roubar todas as cenas, não à toa que o estúdio a quer em todos os filmes da DC. Viola Davis, como a chefona Amanda Waller, e Will Smith, como Pistoleiro, também merecem ser lembrados pela boa atuação.

A trilha sonora foi certeira. As músicas com certeza dão o tom das cenas, levando os espectadores ao ápice da emoção e explodindo os sentidos com uma bomba de cores e sons.

Falando em cores, esse filme foge dos padrões escuros dos filmes anteriores da DC, o que é bom para dar o contraste, já que um filme sobre vilões deveria ser mais sombrio, esse vai pelo lado contrário e dá mais vida à produção. Mas esse pode ter sido um erro, pois a essência “vilão” não é apresentada corretamente, e os personagens se perdem no caminho entre o bem e o mal, mesmo sabendo que eles são vilões impiedosos. Isso não agradou a crítica.

Sobre Gabriela

Gabriela Orsini

Jornalista formada na PUC-SP, fotógrafa por paixão, e bailarina por teimosia. Apaixonada pela DC desde pequenina, fangirl do Batman e da Batgirl. E da Ravena, como não ser. Sou uma devoradora de livros e cinéfila até que se prove contrário. Objetivo de vida: tirar uma foto decente com o Jason Momoa (um deles, apenas). Sonho de vida: conhecer todos os países do mundo.

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