O mês de junho é muito importante para o movimento LGBTQIA+. Hoje dia 28 de junho é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBT. A data foi criada após as revoltas de Stonewall. Stonewall Inn é um bar em Nova Iorque que reúne a comunidade LGBT desde a década de 60, porém nessa mesma época era considerado crime ser homossexual nos EUA, assim como ainda hoje é em alguns países, homossexuais eram presos e torturados com eletrochoques, castrados e lobotomizados.

Em 1969 após batidas policiais violentas e no Stonewall Inn, os membros se manifestaram contra, toda a revolta foi coberta pela imprensa e considerado um marco para o movimento de liberação gay e direitos LGBT. No ano seguinte ocorreu a primeira parada em homenagem aos acontecimentos de Stonewall dando inicio as Paradas LGBTQ que hoje, 50 anos depois, ocorrem por todo o mundo.

Chega a ser estranho pensar que mesmo depois de 50 anos ainda é necessário lutar por direitos, contra preconceitos, visibilidade, mas se observarmos apenas a 30 anos atrás o homossexualismo deixou de ser considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde e apenas em 2015 a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e ainda hoje em 70 países relações entre pessoas do mesmo sexo são consideradas crime e em 6 deles com pena de morte.

Qual a relação do movimento LGBTQIA+ com o universo dos quadrinhos?

Quadrinhos sempre foram usados pra representar questões que ocorriam pelo mundo, e algumas – leia-se várias – foram racistas, machistas, xenofóbicas por se tratar de retratos da época. Assim como o Superman no período da Segunda Guerra Mundial.

Mas justamente por se tratar de retratos da época em que são publicados e principalmente das pessoas que estão envolvidas no processo criativo, temos personagens que celebram as diferenças. Um reflexo dos seus criadores que possuem as mesmas preocupações e também pela forma que se estreitou o espaço entre leitor e editora. Hoje temos grupos, e-mail, sites, que discutem personagens e reagem ao que é publicado, não tendo só uma visão da publicação mas do publico que a consome.

O público que consome Quadrinhos assim como os produtos e produções derivados deles é diverso, é negro, é gay, é lésbica, é bi, é trans nada mais justo que seus personagens também sejam. Destacamos alguns personagens do Universo DC que merecem ser celebrados.

Sara Lance (Canário Branco)

A personagem tem origem em série totalmente diferente da dos quadrinhos. Aqui estamos falando da Canário Branco das séries da The CW. A personagem foi criada especificamente para o universo de Arrow, interpretada por Caity Lotz. Bissexual mestre em artes marciais, participou da Liga dos Assassinos, foi a canário negro na série Arrow mas foi morta e em seguida ressuscitada no Poço de Lazaro que a tornou extremamente perigosa, mesmo com sua alma restaurada preferiu se afastar e se tornar a Canário Branco e procurar um proposito de vida se juntado as Lendas do Amanhã, onde alcançou protagonismo e hoje lidera a equipe.

Ray e Leonard Snart

Ainda nas Lendas, que inclusive é um dos grupos mais diversos dentro das séries da DC, tivemos o casal Ray e Leonard Snart. Originais da Terra X, ambos pertenciam ao grupo de rebeldes que lutavam contra a a ditadura nazista. O casal foi responsável pelo primeiro beijo entre dois homens nas séries do Arrowverso.

Nia Nal (Sonhadora)

Primeira personagem trans, ela foi criada para a série Supergirl e também é interpretada por uma atriz trans, Nicole Maines. Na série é retratada como uma ancestral de Nura Nal, a personagem dos quadrinhos. Em entrevista a atriz revelou que espera poder dar uma melhor compreensão da comunidade trans para os telespectadores.

Larry Trainor (Homem-Negativo)

Personagem teve sua sexualidade e história bem desenvolvidas na série da DC Universe, Patrulha do Destino. Com a voz e interpretado em flashbacks por Matt Bomer, ator também Gay, Bomer que também dubla o Superman em animações da DC declarou que acha o personagem mais interessante que o Superman e ainda afirmou “Eu amo Larry, eu amo quem ele é, eu amo quem ele está se tornando e o processo de transformação.”

 Lucifer Morningstar

Nos quadrinhos, Lúcifer não tem tanto destaque em sua sexualidade quanto na série. Interpretado por Tom Ellis, o personagem faz sucesso entre as mulheres, porém sua sexualidade não se limita a relações heterossexuais, e nem mesmo homossexuais, e principalmente por se tratar de um ser sobrenatural não possui limitações sexuais e se relaciona consensualmente com quem se sente atraído, seja cis, trans, intersex, humano ou demônio.

Joseph Wilson (Jericho)

Joseph Wilson, Jericho é o filho do Vilão e arqui-inimigo dos Titãs, Slade Wilson, vulgo Exterminador. Jericho ficou mudo de ter suas cordas vocais cortadas por assassinos durante a infância e também é bissexual. O personagem irá aparecer na segunda temporada de Titãs da DC Universe e será interpretado por Chella Man, modelo e youtuber, sofre de surdez progressiva desde a infância e transsexual, documentou o processo de transição nas mídias digitais. Chella escreve e dá palestras sobre as questões que o envolvem como gênero, identidade, raça e deficiência.

Kate Kane (Batwoman)

Assumidamente lésbica, tanto nos quadrinhos quanto na TV, Batwoman sempre foi uma mulher forte e independente. Em 2013 a personagem se viu em conflito, teve seu casamento com Maggie Sawyer proibido. Por um vilão? Não! Pelos pais? Também não! Foi pelos próprios editores, com a desculpa de que “heróis não deveriam se casar”. Com isso os roteiristas, J.H. Williams III e W. Haden Blackman, se demitiram, alegando diferenças editoriais.

“Infelizmente, nos últimos meses, a DC nos pediu para alterar ou descartar completamente muitas histórias de uma forma que comprometeríamos a personagem e a série. Fomos forçados a alterar drasticamente o final do nosso arco atual, que teria definido o futuro heroico de Batwoman em novas formas ousadas, e proibidos de mostrar Kate e Maggie se casando. Todas estas decisões editoriais vieram no último minuto, depois de um ano ou mais de planejamento do nosso lado. Nós sempre entendemos que a personagem pertence à DC, mas porque eles nos impedem de contar as melhores histórias que pudermos, nós decidimos deixar a publicação”

Mas isso não parou a personagem, hoje ela ganha série solo e é interpretada por Ruby Rose, atriz também assumidamente lésbica que apareceu como a personagem em Arrow.

Sobre Rebeca

Rebeca Vilas Boas

Uma deusa, uma louca, uma feiticeira.

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