Aves de Rapina | Arlequina invade os eventos, o cinema e tudo o que ela quiser!

O ano é 2014, rumores especulam os nomes para o elenco de ‘Esquadrão Suicida’, por volta do mês de outubro um deles aponta a atriz Margot Robbie como grande favorita para interpretar a vilã Arlequina no futuro lançamento do DCEU, fato confirmado logo na sequência.

Ainda no mesmo ano, o Brasil conquistou um novo destaque no mapa dos grandes eventos de cultura pop, foi a primeira edição de uma Comic-Con aos moldes de San Diego, a CCXP, em São Paulo. Realizada anualmente, somada as edições especiais no Nordeste e na Alemanha, a CCXP tem aumentado seus números em cada edição, assim como estimulado o mercado de convenções nerds no país que sediou um dos primeiros encontros do mundo para esse segmento, a Primeira Exposição Internacional de Quadrinhos, em 1951, também em São Paulo, ou seja, um caso de amor antigo por eventos do tipo.

Mas, você poderia perguntar, onde está a Arlequina nisso tudo? A resposta, pelos corredores, estandes, camarins, quebrando tudo e dominando a área com inúmeras Cosplayers dos mais diferentes visuais.

Capa de ‘Arlequina Invade a Comic Con’

Ampliando a lista de acontecimentos em 2014, no ano inaugural da CCXP, uma HQ comemorativa chegou ao Brasil para celebrar o evento, nela a Arlequina literalmente invade a Comic-Con, uma adaptação da revista em que a personagem faz o mesmo nos EUA, durante a convenção de San Diego, e ao que parece uma previsão do que viria a ser realidade na maioria dos eventos de lá pra cá ou, para ser mais preciso, depois de Esquadrão Suicida, como no caso da Cosplayer Aninha Hernandes:

“Quando vi a Margot Robbie no trailer de Esquadrão Suicida eu tive certeza de que queria muito fazer cosplay da personagem que sempre amei. Sua espontaneidade, eu me surpreendo a cada dia mais com o quanto me identifico com ela em quase tudo!”

Aninha Hernandes como Arlequina / Foto: wjretratos

Com uma estrutura dividida pelos dias de CCXP, no quadrinho que tem o roteiro de Amanda Conner e Jimmy Palmiotti, e a arte por diversos profissionais pelas mais de 40 páginas, em ‘Arlequina Invade a Comic Con’ vemos uma personagem primeiro ansiosa e depois empolgada para curtir a feira, despertando suas mais diferentes emoções, do seu pulsante entusiasmo de um lado mais fã ao cruzar com artistas de diversos e ousados seriados até a incansável missão pessoal de apresentar seu portfólio para famosos quadrinistas. Há também um momento em que ela se encontra com inúmeras versões de si mesma, reunidas para uma noite só das garotas, uma delas afirma que o agito será repleto de “caos e pandemônio”, os quadros a seguir não entregam menos.

Noite só das garotas, em ‘Arlequina Invade a Comic Con’

Se para elas a escolha da Arlequina foi devido a mesma ser uma das vilãs favoritas do grupo, a também Cosplayer da Harley, Jessy, em uma versão da personagem semelhante ao filme de 2016, nos contou sobre as suas motivações para viver a personagem:

“O que me motivou a fazer o cosplay da Harley foi o traje sensual, as cores vivas, a originalidade do look em si, além de ser uma personagem embora ‘má’, muito querida por crianças. A ousadia, sarcasmo e sensualidade dela me fascinam. Mesmo que ela seja nas hq’s submissa ao Coringa, sua atitude e personalidade fortes são o que me encanta.”

Jessy como Arlequina / Foto: Matheus Machado

Conhecida pela vilania, não são apenas ações criminosas que fazem o cotidiano da Arlequina. Em um dos dias de evento, durante suas andanças pelos arredores da CCXP ela se vê envolvida em um acidente de trânsito e, como se não bastasse, é assediada pelo motorista do caminhão. Ela responde, na sua forma de dizer basta. Em seguida, prefere dirigir e entregar a carga repleta de vestuário geek para moradores de um abrigo, e é aí que salta uma característica forte sobre a personalidade da personagem, recorrente em seus atos, sua complexidade. Alguém que a aponte como vilã, não está errado, mas com certeza totalmente certo não está.

Complexa, cheia de detalhes e com algumas versões, a missão de levar a Harley para cada evento torna a experiência das Cosplayers diferente da maioria do público, como diz a Arlequina na primeira página da HQ em que invade a Comic Con: “Dizem que você precisa sonhar antes que o seu desejo se torne realidade”; e assim parece ser o dia a dia antes que tudo realmente comece, um trabalho que exige muito preparo, interpretação e, ao final, a recompensa: o reconhecimento das e dos fãs.

“É um pouco estressante antes dos eventos porque é uma correria de preparação e nervosismos, mas durante você sente satisfação em interpretar a personagem que ama, e depois você se sente com dever cumprido e que tudo valeu a pena”, revela Aninha.

Para Jessy, cada etapa do processo é uma emoção. “Os dias que antecedem são de ansiedade pura. O preparo é cansativo: unhas, cabelo, organização das partes que compõem o figurino, mas o resultado recompensa. Durante a emoção toma conta, a cada elogio, foto, abraço tenho a certeza de que estou no ‘meio’ certo. O meio Cosplay! O pós-evento é triste, as despedidas, ter que ‘desmontar’ o que levamos 1h30 para trajar, remover make e organizar tudo novamente é tenso. Mas amo muito cada etapa.”

Criada por Paul Dini e Bruce Timm para uma participação em ‘Batman: A Série Animada’ (1992), foi pelo decorrer dos anos que a Arlequina pareceu ganhar uma vida própria e não se contentar em ser apenas coadjuvante de uma história ou mera peça dos jogos alucinados de um abusivo Coringa. Lógico, tudo isso devido ao enfoque que cada artista criador enxerga para a personagem, também por sua representatividade e potencial conquistados ao longo de quase três décadas desde a sua estreia. Um exemplo disso, é em ‘Injustice 2’ (2017) quando a Arlequina encontra o Coringa em uma das lutas durante o modo história do game, e antes do confronto ela diz:

“Nunca mais um malandro num terno barato com um sorrisinho idiota vai me dizer quem eu sou. Era uma vez… O nosso amor louco. Mas ele acabou, senhor C.”

Arlequina em ‘Injustice 2’

Nesse processo de se descobrir, assim a Arlequina parece viver o seu próprio ato de se libertar e potencializar suas qualidades, em movimento constante e por variadas mídias, presente em cada vez mais lançamentos, dá asas a uma forma anti-heroína de ser. Como resultado disso tudo, há quem já a aponte uma elevação da personagem para o que seria um quarto pilar da DC Comics.

E, se o longa Esquadrão Suicida (2016), dirigido por David Ayer, é merecedor de algumas (ou muitas) contestações, foi ele o responsável por aproximar uma grande parcela do público que comprou o carisma, o visual, o humor, a fantasia, a coragem e tudo mais de uma Arlequina num daqueles casos em que atriz e personagem tornaram-se, desde então, indissociáveis. Foi lá que Margot Robbie sugeriu que ainda haveria muito para se contar da Arlequina nos cinemas; e quem, depois de assistir sua interpretação e um dos únicos pontos fortes do filme, ousaria dizer o contrário?

Em uma entrevista, a atriz confirmou que foi durante as filmagens de ‘Esquadrão Suicida’ que surgiu a ideia de uma gangue apenas de garotas para a Arlequina, vale lembrar que o filme de 2016 levou para os cinemas uma equipe composta em sua maioria por homens. Com o projeto formalizado para a Warner Bros., quatro anos se passaram e ‘Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa’ é uma realidade que bate à porta, dirigido por Cathy Yan, com Margot Robbie como produtora e protagonista.

‘Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa’

Se há expectativas para o novo filme da Arlequina, sim, muitas! Mas é melhor deixar com quem entende do assunto…

“Tenho grandes expectativas. Gosto desse empoderamento que ela transmitirá, mas confesso que a emancipação da personagem, a separação do Coringa me preocupa. Eles são fortes juntos, são lembrados juntos. Mas vamos ver qual será o futuro dela. Eu gostaria muito de vê-los juntos, mas até então é apenas uma opinião particular”, diz Jessy.

Para Aninha, além da representatividade o futuro da personagem está aberto depois de Aves de Rapina. “Confesso que estava com medo do resultado do filme, mas me surpreendi, ele está muito bom e violento, tudo que amo. Fora que a crítica está muito boa nos sites especializados em cinema, então me orgulho por esse filme representar todas as mulheres. Acho que a Arlequina tem um grande futuro, é bem aberto pelo que vi no filme. Ela pode ser introduzida em muitas coisas.”

Antes de encerrar, na penúltima página de ‘Arlequina Invade a Comic Con’ a personagem enfim encontra seus criadores, Paul Dini e Bruce Timm, emocionada ganha um autógrafo da dupla e parte para suas comprinhas, afinal, ninguém é de ferro.

Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa’ está em exibição nos cinemas.

Leonardo Henrique

Leonardo Henrique

Me apresento da não tão distante Ribeirão Pires City, minha residência oficial desde que nasci. Formado em artes cênicas pela ELT e, recentemente, em jornalismo. Em tempos de Crise Infinita o momento exige Multiversões de si mesmo. Acreditem, não é uma Piada Mortal, isso foi apenas uma veloz apresentação. Se o caso é parar um asteroide, resolver um mistério ou acabar com uma guerra sabemos quem se deve ter por perto. Para informações sobre a DC este é o lugar…

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