Batman | Miracle Molly: a nova “vilã” do Cavaleiro das Trevas

    Criada por James Tynion IV e Jorge Jiménez, atuais roteirista e desenhista da HQ do Morcego de Gotham, Miracle Molly apareceu pela primeira vez na edição #106 e promete ser capaz de se opor ideologicamente ao Batman.

    Na edição #108 da HQ, o Batman se disfarça no submundo de Gotham para investigar um novo grupo conhecido como Unsanity Collective (Coletivo do Insano, em tradução livre), do qual Miracle Molly faz parte. Esse grupo, segundo James Tynion, reúne ladrões que utilizam tecnologia de ponta para apagarem o medo de suas mentes.

    Miracle Molly é descrita pelo autor como um gênio da engenharia, com habilidades quase sobre-humanas quando se trata de tecnologia, tendo sido ciberneticamente melhorada para desmontar e reconstruir qualquer máquina que ela obtiver acesso. 

    Apesar de possuir apenas aparições recentes, já parece bastante claro que o discurso e motivação da personagem são bastante políticos. Molly luta pelo cidadão comum de Gotham, que se apega à falsa esperança meritocrática de seguir as regras e obter sucesso a partir tão somente de seu próprio esforço, embora esteja inserido em um sistema que joga contra si.

    Molly representa aqueles que desejam um pouco de segurança e estabilidade, mas que estão vivendo constantemente com o medo de nunca conseguir tais coisas, ou apenas de perder o pouco que conquistaram. Ela entende que viver dessa forma é inaceitável, o completo oposto do que a sociedade tenta impor como normalidade.

    Crédito: DC Comics, 2021.

    A nova personagem não se mostra, no entrando, maligna. Diferentemente do Coringa por exemplo, que é mau, mesmo quando ele quer mostrar seu ponto de vista, não é algo com o que concordemos ou que gostaríamos que ele estivesse fazendo. Nesse sentido, Miracle Molly se mostra como uma espécie de Coringa do Mundo Invertido: ela é apenas uma pessoa que está tentando tornar Gotham uma cidade melhor, se esforçando para que haja um futuro para ela e para as outras pessoas. Ela está disposta a ir muito longe em busca de seus objetivos, mais longe do que o Batman está confortável em aceitar.

    Porém, não parece estar no horizonte de intenções de Molly dominar o mundo ou mesmo Gotham. Ela não demonstra querer necessariamente punir os ricos ou se posicionar em um polo oposto ao Batman. Ao que tudo indica, a personagem está sendo construída para se tornar uma anti-heroína, alguém disposta a infringir a lei e talvez até machucar aqueles que ela considera como vilões de sua própria história, no intuito de salvar aqueles que considera vítimas.

    A maneira como o Unsatiny Collective e Miracle Molly atuam colocam Bruce Wayne em uma posição de profundo desconforto. Ele entende a motivação e sabe que Molly está próxima de acreditar nas coisas que poderiam torná-la parte da Bat-família. Por outro lado, Molly também acredita que o Batman deveria abandonar seus métodos e se juntar ao Coletivo, pois só assim poderiam mudar a cidade de verdade. Isso os coloca, necessariamente, em lados ideologicamente opostos.

    O Unsanity Collective acredita que o melhor caminho para Gotham é se livrar das memórias traumáticas. Literalmente. Eles desejam que as pessoas sigam em frente com a mente tranquila, com os traumas completamente apagados do seu subconsciente, ideias que tangenciam o conceito de transumanismo.

    A filosofia apresentada e defendida pelo Coletivo é radicalmente oposta à própria essência do Batman, um personagem forjado pelo trauma da infância, que o utilizou como força motriz em sua evolução pessoal, vivenciando e de certa forma canalizando esse trauma. O Unsanity Collective e Miracle Molly são as materializações da completa rejeição a esse pano de fundo conceitual.

    Deverá chegar o dia em que o Cavaleiro das Trevas terá de enfrentar Miracle Molly e seus asseclas, que certamente utilizarão tecnologias bizarras criadas por ela, o que exigirá muito do Maior Detetive do Mundo em um grande confronto de capacidades intelectuais. Apesar disso, nesse momento parece que o maior conflito entre eles está no campo das ideias e deveremos ver se o Morcego de Gotham está preparado para isso.

    Não é curioso?

    Álisson Couto
    Álisson Couto
    Engenheiro civil, professor e fissurado pelo universo de super-heróis e da cultura pop. Fã incondicional do Batman e defensor ferrenho do Batfleck. Palpiteiro profissional.

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