Y: O Último Homem | Primeiras impressões da nova série que adapta HQ do selo Vertigo

    Os papéis de gênero vêm sendo remoldados aos longos dos anos, tendo as mulheres conquistado uma voz ativa e potente em todas as camadas que compõe a sociedade moderna, ainda que a igualdade de gênero se mostre ser algo distante. O mundo pode até ser dos homens, mas ele estaria perdido sem as mulheres para sustentá-lo. A premissa de “Y: O Último Homem” é bastante simples, “E se todos os homens cis morressem, menos um?”. A série usa como ponto de partida essa ideia para fazer uma releitura de seu material fonte, atualizando a sua trama e permitindo experimentar um novo olhar para uma das HQ’s mais renomadas do selo DC/Vertigo. 

    Criada pelo escritor Brian K. Vaughan e pela artista Pia Guerra, “Y: O Último Homem” acompanha a história do jovem Yorick Brown, o último homem cisgênero na Terra, ao lado do seu macaco, Ampersand, o último mamífero com um cromossomo Y. Publicado pelo selo DC/Vertigo, o gibi teve um total de 60 edições, entre os anos de 2002 e 2008, sendo o vencedor de três prêmios Eisner no processo. Conversas sobre uma possível adaptação já eram recorrentes, mas foi só em 2015 que o canal FX começou a desenvolver uma série de TV baseada na história em quadrinhos. 

    Porém, antes de chegar às telas, muito da história precisou ser revista e atualizada, uma vez que ela refletia um mundo que já não existe mais. Entenda, a HQ é fruto de seu tempo, vindo logo após a tragédia do 11 de setembro e a ocupação no Afeganistão, refletindo um olhar dos estadunidenses da época sobre os povos da região do Oriente Médio e Norte da África, os colocando como um mal a ser erradicado em suas primeiras edições. A produção decidiu focar no embate entre os Partidos Republicano e Democrata, tendo como centro Jennifer Brown (Diane Lane), a mãe de Yorick, que em meio ao apocalipse, se torna a presidente dos EUA.  

    Outro ponto que a série trouxe para o centro da história é a diferença entre gênero e sexualidade, algo que não é abordado nos quadrinhos. O roteiro faz questão de explicar ao público que existem sim outros homens além de Yorick, porém “nenhum com o cromossomo Y”. Além de abordarem a luta da comunidade trans em busca de abrigo e sobrevivência, muito disso por meio do personagem Sam Jordan (Elliot Fletcher), uma adição original da série que ganha um leve destaque neste começo. 

    Todas essas mudanças e atualizações causam um efeito dominó na série, que mesmo ainda se mantendo fiel a base do material fonte, dá a oportunidade para os seus realizadores expandir arcos e ideias da HQ. Nos três primeiros episódios, a produção investe em um tom mais melancólico e sombrio, colocando um destaque ao peso e luto da população sobre a tragédia. Algo que diminui, e muito, o ritmo da série em certos momentos, mas serve para apresentar e desenvolver os seus diversos núcleos. 

    Todas as personagens ganham seu devido espaço de tela, permitindo um olhar mais aprofundando para as suas individualidades e dualismos morais. Em meio ao completo caos, a série mostra uma espécie de sororidade nascido do luto, mas não esquece de trabalhá-las como indivíduos, com suas próprias personalidades e demônios. Mostrando suas diferentes facetas e pensamentos, inclusive do próprio movimento feminista.

    Por exemplo, Hero (Olivia Thirlby), a irmã de Yorick, ganha um arco mais dramático e trágico, iniciando sua jornada como uma pessoa problemática e com receio sobre o seu passado, enquanto a Agente 355 (Ashley Romans), por outro lado, se contrasta entre algo enigmático e espirituoso, tomando a frente de decisões importantes ao longo dos episódios. 

    A produção traz consigo ótimas atuações, em destaque a do ator Ben Schnetzer, que transpõe para as telas a energia de um protagonista resiliente e perdido, mas ainda bem intencionado. Ainda em quesitos mais técnicos, vale ressaltar o investindo da produção na ambientação, que apresenta um apocalipse soturno e crível, sabendo usar seus recursos de maneira econômica, mas bem feita, como no caso do CGI do Ampersand. 

    Em linhas gerais, “Y: O Último Homem” tem um ótimo começo, apresentando bem os seus núcleos e dando o seu devido espaço para se desenrolar. A produção investe em um clima melancólico em seu início, e deixa a ação para seus minutos finais, devendo ter uma crescente evoluçaõ com o passar da trama. 

    A produção contará com 6 episódios, que irão ao ar todas segundas-feiras, no serviço de streaming do Star+. 

    Nota: 50/52.

    Marcos Vinícius
    Marcos Vinícius
    Olá! Meu nome é Marcos e tenho um grande amor pelo jornalismo. Possuo um podcast, o Sabor de Ambrosia, e sou um grande fã da DC desde que me entendo por gente. Escrevo de tudo um pouco e, espero que gostem do que tenho pra falar.

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