O seriado Lucifer é um fenômeno não apenas pelas suas audiências, mas também pela sua trajetória como uma produção televisiva que sobreviveu a todos os obstáculos possíveis que surgiram no caminho. Ao todo, foram 93 episódios lançados em dois estúdios,  Fox e Netflix, sendo salva do cancelamento pelo serviço de streaming e dando aos fãs a oportunidade de ver a conclusão da jornada de Lucifer Morningstar, que teve seus últimos episódios lançados no dia 10 de setembro.

A trama é a continuação direta dos episódios de maio/2021, quando o Lucifer e sua parceira/interesse amoroso Chloe Decker (Lauren German) venceram com a ajuda de seus aliados o anjo Miguel (Tom Ellis), que tentava assumir o papel de Deus. Ao longo dos episódios, vamos acompanhando o dilema do diabo em literalmente se tornar o todo poderoso, ao mesmo tempo que recebe a visita de sua filha Rory (Brianna Hidelbrand), um anjo que vem do futuro por estar frustrada com o abandono do pai, questão que o próprio Morningstar lidou ao longo de toda a narrativa do seriado.

Sobre o aspecto de conclusão da história, temos um final emocionante por toda a evolução do anjo caído interpretado por Tom Ellis, trazendo novas emoções ao personagem que em toda a sua narrativa demonstrava um narcisismo que o tornava carismático para o espectador, ao mesmo tempo que foi a razão de muitos de seus conflitos. O roteiro acerta de forma precisa sobre trabalhar com a empatia como um último aprendizado para o personagem, que seguia neste caminho de conhecer coisas novas, seja sobre sua existência ou sobre afeto, como na sua relação com a detetive Decker, que cresce também em seus aspectos emocionais nestas seis temporadas.

A última temporada de Lucifer, fecha com os arcos de todo o elenco recorrente do seriado como Amenadiel (D.B. Woodside) e a sua relação com a  terapeuta Linda ( Rachel Harris) enquanto cuidam do seu filho ao mesmo tempo Eva (Inbar Lavi) e Mazikeen (Lesley-Ann Brandt) que planejam o casamento do século. Também temos o encerramento da jornada pós vida de Dan (Kevin Alejandro), que precisava lidar com a sua culpa para finalmente sair do inferno e alcançar a paz na cidade celestial.

Além do desenvolvimento dos personagens individualmente, a série traz pautas importantes relacionadas a diversidade, como ideologia de gênero no episódio 2 “Um passado e tanto”, racismo estrutural nos episódios da jornada de Amenadiel para ser um policial e a própria questão do machismo com a presença de Adão (Scott MacArthur) que tenta se tornar um obstáculo no casamento de Eva e Maze, mas  que por fim, o amor venceu.

O encerramento trouxe aquele sentimento de despedida, que consegue emocionar o espectador ao ver que o protagonista finalmente entendeu qual era a sua vocação, completando o ciclo de amadurecimento que se iniciou quando decide ficar na Terra e não retornar paras as suas responsabilidades. Neste plano, Lucifer acaba encontrando o afeto que tanto sentia falta em suas relações, como uma existência que sentia o peso do abandono.

Apesar de tantas atribulações ao longo de sua exibição, fomos  capazes de acompanhar até o fim essa jornada que passou por muitos altos e baixos, cancelamento e salvamento, cenas engraçadas e tocantes que permitiram estabelecer Lucifer como uma história que, mesmo não sendo fiel ao conceito original, ficará eternizada no coração de todos os fãs que acompanharam todas as suas temporadas.

Nota:

50/52.

Sobre Ricardo

Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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