Já se passou algum tempo desde o lançamento do último episódio do crossover “Crise nas Infinitas Terras” realizado pelo canal CW. Decidi ao lado do Terraverser Juan fazer uma análise do que deu certo, o que não deu muito certo e o que foi marcante neste projeto audacioso realizado pela CW.

Lembro em alguns anos atrás quando Arrow estreou na TV apresentando uma versão diferente de Oliver Queen, interpretado por Stephen Amell, a série acabou agradando um público tanto fã da DC quanto espectadores comuns que se interessaram pela jornada do homem que lutava para salvar a sua cidade, considerado o primeiro dos vigilantes. As temporadas se passam e depois de Arrow surgem The Flash, Supergirl, Lendas do Amanhã e este universo compartilhado de séries chamado popularmente de “Arrowverso.”

Em ‘The Flash’ existia a premissa de que o velocista escarlate desaparecia em um combate mortal no qual o céu se tornaria vermelho. Descobrimos a existência do Multiverso e infinitas versões da Terra, que para o homem mais rápido vivo era possível viajar por entre esses mundos. Assim, surgiram os crossovers que a cada temporada se tornava a marca registrada deste universo compartilhado, até encontrar seu ápice no projeto mais ambicioso realizado pelo canal CW: uma adaptação de Crise nas Infinitas Terras.

Arrow está na sua temporada de encerramento e na despedida da grade televisiva da CW, temos a última grande missão de Oliver Queen. A temporada final possui 10 episódios e 7 deles foram voltados a contar como o Arqueiro Verde e sua equipe se preparam para a Crise e toda a desconfiança ao lado da misteriosa figura do Monitor. Estes episódios também tiveram como objetivo trabalhar a relação entre Oliver e sua filha Mia, que irá protagonizar os últimos capítulos da série e já possui um spin off garantido, intitulado “Green Arrow and The Canaries“.

Flash também devotou a sua primeira parte da nova temporada na preparação de Barry Allen para um mundo sem a sua existência, aos poucos se despedindo da sua equipe e dos seus melhores amigos, lidando com o fato de que na Crise que se aproximava ele iria morrer para salvar o Multiverso. Quando o céu se tornou vermelho para todas as Infinitas Terras, a batalha pela sobrevivência se iniciou.

Não considero que este crossover se trata apenas de uma junção de todos os seriados do Arrowverso – Raio Negro se tornou parte deste universo compartilhado na atual temporada – mas sim de tudo que já foi realizado pela DC tanto para o cinema quanto para a TV, além de participações mais que especiais que ocorreram no encontro, tornando este crossover não apenas único, mas também o maior já realizado por um canal.

Diferente de anos anteriores com apenas 3 episódios, Crise nas Infinitas Terras é um crossover dividido em 5 partes sendo exibido em Supergirl, Batwoman, The Flash, Arrow e Lendas do Amanhã (nesta ordem), contando uma história que foi iniciada no crossover Elseworlds de 2018 e foi o tema principal da última temporada de Arrow e também na mais recente de The Flash, que os heróis estão em uma preparação para o fim de todo o Multiverso.

No inicio do encontro, viajamos por uma montanha russa de nostalgia e surpresas quando encontramos a Terra 89 do Batman de Tim Burton , a Terra 9 da série Titãs do DC Universe, a Terra 66 do Batman de Adam West e do Robin Butt Ward. São pequenas aparições mostrando que os eventos que acontecem no Arrowverso reverberam pelas vastas versões da Terra, e que assim, surgiram as versões em live action de nossos tão queridos heróis ao longo de toda a história da DC.

A narrativa não segue fielmente a história dos quadrinhos de Marv Wolfman e George Perez, afinal a história apresenta uma quantidade absurda de personagens que aparecem ao longo das 12 edições. Mas não acho que falha como uma adaptação, pois todos os eventos principais da HQ foram utilizados no crossover, como a luta para proteger uma torre de energia capaz de parar a onda de anti-matéria. Assistimos o sacrifício do Arqueiro Verde que resulta no salvamento de bilhões de vidas e a viagem ao longo do Multiverso para encontrar heróis que pudessem ajudar a vencer esta Crise.

Esta viagem que acontece no segundo episódio foi o momento mais empolgante neste primeiro momento, pois reencontrar a icônica versão do Superman do ator Christopher Reeve, interpretada por Brandon Routh mais velho, diferente do que foi visto em “Superman: O Retorno” e que representa a versão do herói da HQ ‘O Reino do Amanhã’, foi algo de tirar o fôlego. Nesta segunda oportunidade de trabalhar com o personagem, ele consegue se destacar trazendo os elementos que tornaram este Superman tão incrível, com referências a momentos dos filmes realizados por Reeve e acima de tudo, mostrando que aquele Superman luta pela humanidade até o seu ultimo esforço.

Quando consultei o Terraverser Juan sobre o crossover, ele nos traz um ponto de vista diferente, afirmando que  “nos três episódios seguintes do crossover, que os problemas começam a ficar mais claros, com uma onda de inúmeras participações especiais, o episódio final da primeira parte, de “The Flash” perde o ritmo e peca na divisão de cenas, com muitos personagens e pouco para fazer, o elenco fica perdido, com muitos momentos que estão ali para preencher o espaço.”

Quanto as  participações “são inúmeras, em grande parte, vista do lado de fora, podem parecer bem vindas, mas no contexto do especial, elas passam a ficar deslocadas e gratuitas, sem qualquer payoff em vista.”

Mas a grande decepção vem com a adição de Tom Welling, que graças ao marketing em volta de seu grande retorno, causou uma grande onda de desconforto em seu real papel no crossover, com fãs nas redes sociais decepcionados com a minúscula participação, que não adiciona tanto a mitologia vasta de Smallville, série que completa 9 anos desde a exibição de seu episódio final em 2011, e não satisfaz os curiosos que esperavam uma grande cena do ator com o clássico traje azulado que nunca pode ser visto em ação no seriado.”

Sobre as inserções dos personagens “o sentimento de algo incompleto se espelha pelo resto das participações, que se tornam “cameos de luxo”, como por exemplo o Raio Negro, um grande sucesso do canal encabeçando a seção de personagens desperdiçados que poderiam ter tido mais para fazer, mas ficaram sobrando em cena.

A conclusão surpreende, “embora com o vilão não tão presente, os 7 escolhidos para salvar a humanidade tomam a frente e dirigem o final do encontro para o seu ápice, com algumas cenas que não poderiam ficar de fora, Supergirl e seus super amigos navegam bem pela nova “Terra Prime” e lutam para dar ao fã uma conclusão épica para um especial tão ambicioso. O final satisfatório vem nos últimos minutos, em uma mesa redonda, 8 cadeiras, e um Hall da Justiça em construção. Uma promessa para algo maior.”

Nem tudo é perfeito e sempre existem duras críticas a qualidade do que a CW produz. A ideia das participações mesmo que curtas tem como objetivo enfatizar que os acontecimentos ali não são apenas voltados ao universo das séries, inclusive a chegada de Raio Negro que, pelo menos desde a sua estreia nunca foi mencionado, a surpreendente Terra 666 de Lucifer e talvez a maior delas, o Flash de Grant Gustin encontrando o Flash de Ezra Miller, levando os fãs da DC a loucura e imaginando infinitas possibilidades. Talvez este seja o termo que possa definir este crossover, as infinitas possibilidades e tudo de uma forma ou outra está conectado ou coexistindo ao mesmo tempo.

Por fim, a conclusão do crossover revela como o Multiverso é criado, propondo semelhanças com a HQ, um cientista insaciável por descobertas acaba indo longe demais e levando o fim para o mundo como se conhece, no caso da série, o papel de Krona passa a ser do Monitor e sua esposa que na busca para chegar na Aurora do Tempo, abrem uma fenda que permite a entrada do universo de Anti-Matéria. Oliver Queen/Espectro se aliando aos 7 Paragons, os heróis escolhidos para  salvar o Multiverso na Crise, foi um momento que com certeza deixou os fãs de Arrow de coração aquecido pois o vigilante que apenas queria salvar a sua cidade acaba sua jornada sendo um dos responsáveis por salvar o Multiverso.

“Crise nas Infinitas Terras” entre erros e acertos, tem mais pontos positivos, além de ter a audácia de trazer um momento clássico das HQ’s da DC para o live action, procura surpreender o espectador, seja por uma aparição surpresa ou um desfecho de determinado personagem que esperávamos ter uma trajetória diferente.

Nota:

Sobre Ricardo

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Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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