Antes de falar sobre a volta de Batwoman, devemos relembrar que após o fim do seu primeiro ano, a série enfrentou um grande desafio: a saída de Ruby Rose do elenco e com isso a contratação de uma nova atriz e a criação de uma nova personagem.

Após a escalação de Javicia Leslie para encarnar a nova heroína de Gotham, no papel de Ryan Wilder, este humilde redator confessa que ficou com alguns (ou muitos) questionamentos na cabeça, entre eles: “se Kate e Alice tinham uma relação familiar e ao mesmo tempo de “gato e rato” como Ryan se encaixa nesta história?” e “por ser prima do Bruce, Kate tinha um ligação íntima e um legado de família para continuar, porém quais serão as motivações de Ryan Wilder?”. Apesar das várias perguntas que nós como audiência podemos ter, existe um questionamento que todos em Gotham estão fazendo: “O que aconteceu com Kate Kane?”. É justamente esta questão sem reposta que nomeia o episódio de estreia da segunda temporada.

A segunda temporada da série estreou sem sabermos o que de fato aconteceu com Kate, mas já temos informações sobre quem é Ryan Wilder e alguns pontos merecem ser mencionados. Em seus primeiros minutos de tela, já somos apresentados à personagem de Javicia Leslie. Ela é uma mulher que passou por diversas dificuldades ao longo da vida e aos poucos tenta de reerguer, mesmo sem muito sucesso.

Nas primeiras cenas ela prova que tem um lado “Batwoman” quando, antes de vestir o traje, protagoniza um breve momento heróico em uma situação em que muitos de nós certamente fugiriam assustados (eu por exemplo).

O primeiro episódio cumpre com a função de nos dizer quem é Ryan Wilder e por qual motivo ela merece ser a nova Batwoman. Ela é uma pessoa que sempre lutou com as estatísticas, sendo uma mulher, negra, lésbica, órfã e ex-presidiária. Ryan está em busca de um recomeço, mas por ser ex-presidiária, não consegue um emprego fixo, devido ao preconceito com pessoas nesta situação, porém literalmente um novo propósito em sua vida acaba caindo do céu.

O ritmo do episódio se mostrou acelerado, pois resolveu em pouco mais de 40 minutos diversos ganchos deixados pela temporada anterior, talvez isso se justifique pelo fato de que a direção esteja retirando do enredo pequenas histórias relacionadas à Kate Kane para introduzir novos desafios, conectados à vida de Ryan Wilder e até mesmo criando situações que justifiquem seu desejo de combater Alice.

Assistir a volta de Batwoman me fez refletir sobre como alguém se torna e quem pode ser um super-herói. A própria Ryan se pergunta a mesma coisa e chega à conclusão de que ela nunca poderia ser, pois para ela, “usar o traje” não significava a mesma coisa que “assumí-lo”. Ao ler sobre a vida de Kate Kane, Ryan percebe que Kate não era uma heroína apenas quando vestia o traje, mas sem ele também. Esta cena faz um contraponto interessante, pois ao mesmo tempo vemos Mary Hamilton e Luke Fox investigando sobre quem era Ryan Wilder e descobrindo todas dificuldades que a nova vigilante de Gotham enfrentou, chegando à conclusão de que sim, ela pode ser uma heroína e tem motivações e competências para “assumir o traje” e continuar o legado da Batwoman.

O enredo da série deixa claro que a cidade de Gotham sofre de uma “batdependência” e necessita de um vigilante. Se na primeira temporada Kate tinha o legado de seu primo Bruce Wayne para manter vivo, Ryan se apresenta como algo novo, pois ela não tem uma ligação pessoal nem familiar com a antiga heroína. Ela demonstra uma admiração por Kate e pela Batwoman, mas tem liberdade para agir de uma forma diferente, pois não tem a “obrigação” de agir como o Batman agia.  Como mostrado nos vídeos de divulgação ela definitivamente é “uma nova Batwoman”.

O primeiro episódio da série cumpre com suas duas funções básicas, a primeira, obviamente é dar continuidade à história apresentada no primeiro ano e a segunda, e talvez a mais difícil de ser feita, apresentar uma nova heroína e fazer com que o público se conecte com ela.

Gostaria de destacar a atuação de Javicia Leslie, que certamente se encaixou perfeitamente no papel. Além disso, é nítido que a atriz se divertiu ao longo das cenas. Outro ponto positivo foi o modo que Ryan foi introduzida na história e na vida de outros personagens, principalmente Mary e Luke.

O episódio foi abordado a partir de dois fios condutores, o primeiro é a transformação de Ryan em Batwoman e o segundo é o luto da família Kane sem saber o que de fato aconteceu com Kate. Ele ainda vai dando pequenos detalhes sobre o que podemos esperar da temporada, como a menção sobre Sociedade da Face Falsa e uma nova pista sobre Safiyah Sohail e uma possível guerra chegando em Gotham, ligada à sua figura, como mencionado por Alice.

O episódio mostrou que podemos esperar muitas referências a outros elementos do Cwverso. Confesso que perdi as contas de quantas vezes o nome de Kara Danvers, a Supergirl, foi citado e isso me deu esperança para um crossover. Some isto ao fato de “Whatever Happened to Kate Kane?  (O que aconteceu com Kate Kane em tradução livre” se encerra justamente deixando um gancho que envolve a kryptonita que está em posse da equipe da Batwoman desde a primeira temporada.

Em resumo, Batwoman retornou com um episódio dinâmico, em que diversas situações da temporada passada são resolvidas e deixa novas histórias em aberto. Devo ainda mencionar que em alguns momentos ele lembra o primeiro episódio da série, pois se antes vimos Kate assumir sua identidade heróica após o Batman desaparecer, agora a história se repete com Ryan Wilder e o desaparecimento de Kate Kane. Além disso, a nova protagonista consegue se conectar com o público e sua introdução se encaixa perfeitamente no enredo.

Respondendo às minhas perguntas iniciais, Ryan tem uma ligação com Alice e a motivação para se tornar a nova Batwoman foi muito bem justificada. O único ponto que pode atrapalhar é o fato dela ter que aprender a ser uma heroína, pois vingança e justiça são coisas completamente diferentes, mas isso não será um grande problema, pois temos Mary e Luke para ajudá-la.

Por fim gostaria de deixar uma menção honrosa para uma “personagem” que nos ajuda a entender sobre a personalidade da protagonista e seus traumas anteriores, estou falando da planta que faz companhia para Ryan. Em diversos momentos a vemos conversando e interagindo com a plantinha, porém percebemos que quando ela troca confidências com ela, na realidade Ryan imagina que está conversando com sua mãe.

Não digo que a estreia seja perfeita, porque deixa alguns personagens sem muito destaque, como é o caso de Alice, Sophie e Julia,  mas entendo que o foco era apresentar a nova heroína.

Pelo desafio de trazer algo novo e garantir a continuidade de histórias já apresentadas, tendo como fio condutor o mistério envolvendo Kate Kane a estreia de Batwoman merece 50 Terras.

Sobre Lucas

Sou publicitário formado pela UFSM, mestre e doutorando em comunicação pela UFSM também. Fora isso, apenas alguém apaixonado pelo mundo nerd.

Últimas notícias