Em Unfollow, a soma da vida real com a digital pode resultar em uma rede de acontecimentos sem volta.

Unfollow não gasta tempo com origens ou entregando motivos. Não se explica, se apresenta. O virar da página é como um F5 para quem está chegando agora nessa história. O começo é frenético, quase que como um prólogo da brutalidade em um cenário paradisíaco.

A narrativa de Unfollow não é irreal. A vida digital está lá. Os Realitys também. Só por isso já seria algo temático sobre o nosso tempo. Dos 140 perfis, seguimos alguns em cenários de guerra, área urbana, isolamento na floresta, entre outros habitats. Premiados, sortudos, infelizes ou amaldiçoados, ainda não se pode afirmar o peso da herança dos milhões de dólares na vida de cada um deles.

Dessas personas, com características muito singulares, Unfollow apresenta de cara um ponto alto, observamos entre cortes temporais o passado, logo, um pouco mais de quem são, Akira, artista da vanguarda, das artes extremas e como manifestação; Dave e Courtney, imãs de problemas; um outro, denominado por si mesmo ou por forças maiores como Diácono; Ravan, jornalista acostumada com o front; para quem lê é quase como uma stalkeada nos perfis.

Larry Ferrell, criador da famosa rede social, aparece em fase terminal devido uma grave enfermidade, contraponto com sua lúcidez nos diálogos sobre seus interesses e a criatura que pretendem alimentar com a ideia de enriquecer 140 indivíduos aleatórios cadastrados na Headspace.

O mistério sobre tais critérios para a escolha dos herdeiros de Ferrell e no que tudo isso vai resultar ronda o andamento de cada capítulo, sendo eles violentos e dinâmicos. Um a menos significa milhões a mais para quem vive. Está dada a conta. Diferentes classes sociais apenas aumentam a complexidade dessa equação.

O cotidiano dos indivíduos atravessa a trama como um novo post, seria fácil julgar tais atitudes ou até mesmo especular o caminho de cada um, seria se não fosse a dúvida sobre o que é real e o que é fantasia. Algo que assombra, assusta, aconselha aqueles que, sem muitas explicações de repente estão milionários sob as consequências de um conjunto de regras complexas.

No que você está pensando?

A típica deixa que nos é familiar, só é mais uma forma de agregar informações sobre a individualidade e como estão lidando os escolhidos com os novos eventos. Os números dos perfis e o conteúdo de seus escritos indicam influência e fala sobre suas realidades, seguir mais do que ser seguido e vice e versa não são informações do acaso. Não bastaria falar sobre uma rede social, ela deve ser e é presente e usada. No tempo de Unfollow, o perfil digital é parte do que compõe quem se é agora.

Arte e narrativa estão em equilíbrio. Natureza e violência em comunhão. Os traços de Mike Dowling e R. M. Guéra colaboram muito para a tensão que ambienta a história. Rob Williams é sagaz ao captar o excêntrico da vida real e devolver como cotidiano através de seu roteiro. Não há dúvidas na trama. Ali, se pergunta o que realmente está em jogo.

Mas…

Em Unfollow 1-6, o fake pode passear sem deixar muitas certezas, que diga Rubinstein, o homem por trás da máscara ou a máscara por trás do homem (?), sendo assim, desconfie de muita coisa, inclusive do que está por vir.

 

Unfollow foi publicado em 18 edições no mercado americano. No Brasil chega em 3 volumes.

 

Sobre Leonardo

Leonardo Henrique

Me apresento da não tão distante Ribeirão Pires City, minha residência oficial desde que nasci. Formado em artes cênicas pela ELT e, recentemente, em jornalismo. Em tempos de Crise Infinita o momento exige Multiversões de si mesmo. Acreditem, não é uma Piada Mortal, isso foi apenas uma veloz apresentação. Se o caso é parar um asteroide, resolver um mistério ou acabar com uma guerra sabemos quem se deve ter por perto. Para informações sobre a DC este é o lugar…

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