A mitologia construída entorno da figura do Superman ao longo dos seus 81 anos de existência é algo que se entrelaça não apenas com as aventuras do herói como parte do grande universo DC, mas como uma base sólida na construção do universo de quadrinhos como é conhecida até hoje.

Nesta fundação sólida,  a origem dos personagens é uma constante , mesmo com as mudanças que ocorrem ao passar pelas mãos de um roteirista com uma visão diferente deste personagem, essa origem é quase imutável preservando o conhecimento pré-estabelecido que se tem além da identificação do leitor com a jornada daquele personagem.

As histórias que modificam de forma mais abrangente este universo cânone dos heróis são denominadas de Elseworlds, sendo tratadas como eventos não convencionais de universos paralelos em que muitos elementos podem ser modificados de forma mais livre, permitindo encontrarmos nossos personagens mais queridos em situações completamente diferentes do que é estabelecido em suas histórias tradicionais.

Dentre esses Elseworlds, foi lançada ‘Superman: Last Son of Earth’ no ano de 2000, escrita por Steve Gerber e desenhada por Doug Wheatley, contando a origem do nosso Homem de Aço de uma forma completamente diferente, porém, mantendo a essência de esperança que existe nele.

A história contada em duas edições é uma inversão dos eventos que tornam Kal-El de Krypton no Superman, como o grande herói da Terra. Nesta narrativa, não é o planeta de sol vermelho que é destruído e sim o nosso mundo em que o cientista Jonathan Kent ao lado de sua esposa Martha enviam seu filho em um esforço de mantê-lo vivo, apesar da catástrofe que se aproxima.

A nave do pequeno Clark chega até o planeta de ambiente adverso Krypton, em que a criança foi encontrada pelo orgulhoso cientista Jor El e sua futura esposa Lara Lor-Van, que inicialmente não aprova a ideia principalmente pelos valores que sua raça tem em relação à outras, considerando o bebê um ser inferior e o vigésimo segundo filho da casa de El. Criar esta criança que não seria capaz de sobreviver na atmosfera kryptoniana era uma afronta para os valores que ela (Lara) deposita uma fé inflexível. E indo contra todas as recomendações de Lara, Jor-El cria um ambiente artificial com os componentes necessários para garantir a sua sobrevivência e o seu lugar como Kal-El em uma sociedade tão embasada na razão e na lógica como Krypton.

Neste início da trajetória de Clark, até podemos fazer uma relação entre a Elseworld e sua origem, como o campeão da Terra chegando em um mundo que não tem uma aceitação ao  esconhecido e como o afeto se torna uma forma de quebrar esta barreira. A forma como Gerber consegue estabelecer um paralelo entre a sua história e a origem do personagem deixa claro que, independente de onde venha, seja Kal El se tornando Clark ou contrário ele sempre trará a esperança para o mundo e será destinado a grandeza.

Sob a tutela de Lara e Jor-El, Clark é educado na cultura kryptoniana crescendo como um virtuoso jovem desta sociedade muito avançada tecnologicamente, até que, durante suas pesquisas pelo planeta, encontra um anel e uma bateria do Lanterna Verde, que o julga digno de fazer parte da Tropa e com o poder da força de vontade, o Lanterna Kal El de Krypton consegue de forma muito inteligente evitar a destruição em curso do planeta e procura as suas origens no que sobrou da Terra depois da destruição.

Mesmo sendo um Elseworld que mudou todos os fatores da origem do Superman, é uma história que traz muito da personalidade do herói. A relação de Kal-El com a sua família adotiva, a forma como ele consegue se adaptar a uma outra cultura e seus valores, sendo capaz de ser uma personificação deles e como isso acontece durante o seu crescimento, é algo atraente para o leitor desta história.

A conclusão da história se passa pelo retorno de Kal El ao seu planeta natal, encontrando um mundo devastado sendo regido pelo vilão Lex Luthor, que escraviza aqueles que não concordam com a sua forma de pensar, tendo como resistência ao regime; Lois Lane, seus pais e Perry White, o dono do Planeta Diário. Ao ver esta situação ele decide também ser um herói na Terra, mesmo depois de perder o seu anel de Lanterna Verde, a grande surpresa da história é o surgimento dos poderes de Kal-El, ao ser exposto na atmosfera terrestre após uma grande parte de sua existência sob o sol vermelho de Krypton. Com toda a sua grandeza, ele consegue derrotar os inimigos.

‘Superman: O Último Filho da Terra’ é uma Elseworld que agrada por ser um exercício de recontar a história do primeiro grande herói de uma forma diferente, de um jeito conciso ao manter a grandeza do Superman que é o maior de todos os heróis, seja vindo da Terra ou de Krypton.

Sobre Ricardo

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Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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