O Questão é um personagem que o grande público conhece de suas participações na animação da Liga da Justiça que marcou a infância de muitas pessoas. Nos quadrinhos é um personagem querido por sua sagacidade e dedução, tendo a admiração de todos aqueles que vestiram o manto do detetive sem rosto. Entre os meses de novembro de 2019 à agosto de 2020, o selo DC Black Label trouxe uma história que levou a seguinte questão: Quantas vidas viveu Vic Sage?

A minissérie Questão: As mortes de Vic Sage foi lançada em quatro edições e foi produzida pela dupla de artistas renomados Jeff Lemire (Sweet Tooth) no roteiro e Denys Cowan (Super-Choque) na arte, trazendo nesta narrativa muitos elementos do que é mais interessante do personagem, desde um mistério digno de um filme noir da década de 50 a eventos místicos/espirituais, e tudo isso em uma aventura detetivesca muito densa. Mas como toda esta mistura funciona em apenas 4 edições?

Elementar, meu caro leitor… quando tive essa experiência literária pude perceber que a utilização destes elementos do misticismo em torno do caso que Questão esta investigando é tratado como uma “questão” não respondida em toda a sua carreira. Sua perseguição a um vilão já acontecia muito tempo antes ou muitas vidas antes. A ideia de reencarnação e propósito de vida são bem usadas nesta história, em que Sage realiza uma viagem juntando as peças do grande quebra-cabeças do caso. O que nos leva a outra pergunta: Vic Sage é Questão ou Questão é Vic Sage?

Além do mistério, foi interessante perceber como a identidade do personagem é abordada de forma entrelaçada com a narrativa principal e a sua ambivalência com a sua identidade civil, uma pessoa influente na TV, a ponto de sua voz ser importante para direcionar a opinião da população da cidade de Hub em diversos assuntos. Ele é um detetive que tem o seu próprio código de conduta. Esta reflexão do herói podemos trazer para a realidade, onde muitas vezes não sabemos diferenciar o quanto existe de conduta sobre determinada pessoa diante de seu posicionamento como formadora de opinião.

Em paralelo com o estas situações, ainda existe a questão do chamado heroico e a sua convicção sobre o que é bom e mal, algo que terá seu momento catártico em um ponto crucial da narrativa, mas  apesar de deixar claro que este Questão é um detetive experiente, por que ainda existe em sua subjetividade este tipo de questionamento?

Para construção do enredo, Lemire usa este elemento que geralmente surge nas histórias de origem do personagem, algo que reforça sua linha detetivesca. Em outras palavras, uma das grandes questões apontadas e respondidas ao longo das quatros edições é sobre o próprio Sage que ainda tem suas dúvidas, apesar de ter tido consciência que já viveu diversas vidas no papel do detetive sem rosto, sendo algo determinante para reconhecer a sua identidade heroica.

A arte de Cowan se torna um reforçador para esta ideia, tornando a experiência de leitura ainda mais empolgante. Destaco as cenas que Sage assume a identidade do detetive, sempre com uma fumaça ao seu redor formando um ponto de interrogação.

A conclusão da história ocorre após o momento catártico do herói, com Vic finalmente entendendo como solucionar o caso, além da descoberta de que sempre será o Questão independente de sua reencarnação, lutando contra o crime. Este tipo de final aberto a interpretações é uma conclusão que me agrada por ser um encerramento coeso com a proposta da narrativa apresentada logo na primeira edição, assim, o leitor pode realizar as suas interpretações inclusive sobre o desfecho da trama.

Mas a questão mais importante eu deixo para você, caro leitor Terraverser: Também deseja caminhar pelas vidas de Vic Sage?

Sobre Ricardo

Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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