O tempo é mesmo um mistério, o passado pode ser há muito conforme uma memória ou, então, estar logo ali, como no caso de Rip Hunter, Protetor do Tempo e Aventureiro Cronológico. Essa é uma das formas que servem para o apresentar na edição ‘Mestres do Tempo – A Busca por Batman’, uma reunião dos volumes 1 ao 6 de Time Masters – Vanishing Point, publicada no Brasil em outubro de 2011 pela editora Panini.

Ligada aos eventos de ‘O Retorno do Homem-Morcego – Bruce Wayne’ e ‘Ponto de Ignição’, neste escrito que segue sobre ‘Mestres do Tempo’ o mote não será divagar sobre a busca pelo Batman, perdido temporalmente após um embate com Darkseid. Nem uma análise sobre a relevância do quadrinho. Poderia ser sobre a reunião do quarteto que vaga em busca do Homem-Morcego, que tem o Superman, que por diversas vezes se vê tentado em cumprir com a sua missão de salvar pessoas em um passado mesmo que elas já estejam mortas há anos para o seu presente, e, assim, cometer o ato de intervir na ordem das coisas. Também tem a relação mal resolvida de outros tempos entre o Gladiador Dourado e o Lanterna Verde, motivo de risos, muitas indagações, alguma vergonha alheia e etc. E, para fechar a formação, tem o próprio Rip Hunter, o mediador de todos os contratempos dessa aventura, que simultaneamente aos caóticos problemas compartilha suas memórias. Então, podemos ir por aí!

Do que acontece se entende que não se pode partir para um outro tempo se não houver a lembrança de onde se quer chegar e nem para quando se tem que voltar. E está aqui, o foco desta viagem textual, voltar no tempo para falar do agora. Uma das conexões, talvez a mais humana delas, e que não tem como deixar de ver com interesse e curiosidade é o encontro de gerações, pai e filho, no início de cada uma das seis partes de ‘Mestres do Tempo’. Em uma sequência de quadros, o pequeno Rip tem a oportunidade de passar um dia no trabalho do seu pai viajante, com isso visita uma das cenas mais emblemáticas da história da cultura pop, presencia e compreende que o ofício do seu genitor é, naquele momento, “proteger o foguete recém-chegado de Krypton com um dos seres mais importantes a caminhar sobre a Terra.”

O privilégio de Rip é parte de um legado, será ele dono dessa responsabilidade logo logo, assim, entende que “manter a integridade do passado é uma prioridade”, essa será sua luta. Mas engana-se quem pensa que só de passado vive um guardião do tempo, para prevenir desastres soma-se a sua tarefa manter o sinal de alerta também com o presente, afinal, ataques contra a realidade podem estar acontecendo agora. Se na hq “pessoas más querem mudar o tempo, alterar a realidade para conseguir tudo que querem”, fora delas vivemos um enérgico embate para validar os ensinamentos da ciência durante uma pandemia. Ficção confunde-se no meio de tanta realidade.

Já que chegamos ao hoje, estamos no Dia dos Pais, e se temos em ‘Mestres do Tempo’ uma bela relação entre Rip Hunter e o Gladiador Dourado, podemos também separar um tempinho para fazer uma menção para algumas outras dinâmicas do universo DC tão afetuosas quanto, como Alfred Pennyworth na sua relação muito além de um mordomo com Bruce Wayne. Já pelos lados do Kansas tem Jonathan Kent, responsável com Martha pela herança de valores apreendidos e praticados por Clark. Em The Flash, a série do Arrowverso, tem o detetive Joe West que ocupa no dia a dia o papel de pai para Barry Allen. E a lista poderia ser extensa com tantos outros nomes, cada um com a sua importância, na sua formação de família e em comum a essência de transmitir experiências cientes que no presente cada jovem é a esperança para um futuro melhor.

Em ‘Mestres do Tempo’ Rip tem seus momentos de lições com o seu “velho”, entende que é importante “pisar no passado sem deixar uma pegada permanente”, que há diferença entre o que se quer que aconteça e o que deve acontecer, e, pensando bem, isso vale para qualquer que seja o plano. Ele sabe que não se é senhor do tempo para si, mas não deixa de tirar alguns proveitos, como quando Rip visita suas memórias, seja pelas constantes mudanças com sua família, o medo de serem perseguidos e, talvez a melhor parte, visitar o antes da humanidade, a natureza pura cumprindo seus ciclos, ou o futuro de invenções e revoluções que antes de serem vistas não poderiam jamais serem detalhadas. Muito disso, dito por ele, fica a cargo da nossa capacidade em imaginar daqui do presente.

‘Mestres do Tempo – A Busca por Batman’  tem roteiro e arte de Dan Jurgens, Norm Rapmund e Rodney Ramos são responsáveis pela arte final, com as cores por HI-FI Designs. Assim, encerro essa viagem por uma hq conectada em um tempo da cronologia do universo DC Comics, que mais para analisar sua relevância nesse cenário fez-se portal para identificar um tempo que passa, que volta e que fica. Nesse ciclo de passado – presente – futuro o que se sabe é que um não existe sem o outro, e que nada melhor que a memória para nos fazer circular por todos os tempos.

Sobre Leonardo

Leonardo Henrique

Me apresento da não tão distante Ribeirão Pires City, minha residência oficial desde que nasci. Formado em artes cênicas pela ELT e, recentemente, em jornalismo. Em tempos de Crise Infinita o momento exige Multiversões de si mesmo. Acreditem, não é uma Piada Mortal, isso foi apenas uma veloz apresentação. Se o caso é parar um asteroide, resolver um mistério ou acabar com uma guerra sabemos quem se deve ter por perto. Para informações sobre a DC este é o lugar…

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