Jim Lee, grande artista dos anos 90 que subiu fileiras executivas da DC para alcançar os principais degraus da empresa falou com exclusividade ao THR.

Segunda-feira, a WarnerMedia decretou algumas demissões em toda a empresa. A DC, lar de heróis como Batman e Mulher-Maravilha, viu o desligamento de 20% de sua equipe, entre eles muitos editores sêniores. Uma reorganização implementada que abalou não apenas a empresa, mas a comunidade de fãs de quadrinhos e DC.

“Esta semana tem sido um momento muito difícil não apenas para mim, mas para toda a organização.”, diz Lee ao The Hollywood Reporter. “Nós nos despedimos de pessoas que foram grandes contribuintes e que ajudaram a definir e fazer a DC o que é hoje.”

Assim que a notícia das demissões chegou na segunda-feira, os rumores logo começaram: a AT&T, que adquiriu a Time Warner em 2018 para formar a WarnerMedia, poderia sair do negócio de quadrinhos. Outros rumores sugeriram que a DC não vai mais produzir quadrinhos e que Lee seria rebaixado de seu papel como Editor e Diretor de Criação. Lee se posicionou sobre;

“Ainda estamos no ramo da publicação de quadrinhos.”, acrescenta Lee, dizendo que não há trabalho sendo interrompido.

Sim, haverá mais Batman na DC – John Ridley, que ganhou um Oscar por escrever ‘12 Anos de Escravidão’– está produzindo uma minissérie do Batman (“Terá um enorme impacto no resto da linha.”, diz Lee) — e também haverá o retorno da Milestone, um selo que apresenta heróis e criadores sub-representados.

Lee assume o destino do Universo DC, mudanças na linha de publicação e alterações pontuais que a empresa fez em meio ao COVID-19 para romper com o monopólio da até então distribuidora de HQs da DC nos EUA, a Diamond.

“Temos nossos números de “Batman: Três Coringas” e a primeira edição vendeu mais de 300.000 cópias. E isso é uma HQ de 8 dólares.. É um número gigantesco para quem tem uma nova distribuição.” disse Lee ao THR.

Agora você tem duas editoras-chefes interinas, a Marie Javins, que chefiou a estratégia digital, e Michele Wells, que liderou a marca YA. Como isso vai funcionar?

Pensamos que seria uma ótima combinação juntá-los para ajudar a elaborar e organizar o conteúdo que estamos fazendo nesse sentido. Em todo o digital, em todo o mundo, queremos ter certeza de que temos diversidade e inclusão, e torná-la de uma forma que tenhamos autenticidade para a narrativa que estamos fazendo.

Trata-se realmente de consolidar todos os nossos esforços e ter todos os editores envolvidos em todas essas diretrizes e também organizar, de forma ampla, com conteúdo que é para crianças de 6 a 11 anos e depois de 12 a 45 anos. Trata-se de consolidar o formato e supervisão para um grupo editorial menor e mais concentrado.

Você ainda tem o título de editor?

Sim.

Seu trabalho mudou?

Tenho mais responsabilidades e mais expectativas do que nunca. Em conversas com o (CEO da WarnerMedia) Jason Kilar e (CEO da Warner Bros.) Ann Sarnoff e meu chefe, (Warner Bros. Global Marcas e Presidente de Experiências) Pam Lifford, eles têm algumas metas muito ambiciosas para a DC e eu estou animado para fazer parte disso.

Continuarei envolvido tão intimamente com as publicações como foi desde o meu primeiro ano. Nada mudou. E isso é focar no conteúdo criativo, na estratégia de conteúdo quantos livros deveríamos estar publicando, nos formatos.

Estamos trazendo um gerente geral para a organização. Meu papel, do jeito que foi imaginado há 10 anos, era que eu sempre teria um parceiro que se concentrasse no lado operacional. O gerente geral que estamos trazendo tem uma vasta experiência em marketing, experiência em parceria global, experiência geral em desenvolvimento de negócios. Essa pessoa começará em setembro.

O que vai acontecer com o streaming DC Unvierse?

O conteúdo original que está no DCU está migrando para a HBO Max. Na verdade, essa é a melhor plataforma para esse conteúdo. A quantidade de conteúdo que você recebe, não apenas da DC, mas geralmente da WarnerMedia, é enorme e é a melhor proposta de valor, se eu puder usar esse termo de marketing. Achamos que esse é o lugar para isso.

Em relação à comunidade e experiência que o DCU criou, e todo o conteúdo de suporte, algo como 20.000 a 25.000 títulos de HQ’s diferentes, e a maneira como ele se conectou com os fãs 24-7, sempre haverá uma necessidade para isso. Então, estamos animados para transformá-lo e teremos mais notícias sobre como isso vai parecer. Definitivamente ele não vai embora.

A DC ainda está publicando quadrinhos?

Absolutamente. 100%. Ainda é a pedra angular de tudo o que fazemos. A necessidade de contar histórias, atualizar a mitologia, é vital para o que fazemos. A organização se apoia em nós para compartilhar e estabelecer os elementos significativos do conteúdo que eles precisam usar e incorporar para todas as suas adaptações. Quando pensamos em alcançar o público global, e vemos os quadrinhos ajudando a impulsionar essa consciência e a marca internacional, é parte do nosso futuro.

Dito isso, vamos reduzir nosso tamanho. Nós estamos diminuindo a capacidade do calendário de lançamentos. É uma situação que está sendo analisada, e acreditamos que chegará em algo entre 20% e 25%. Apenas no material que não é rentável o suficiente ou que esteja dando prejuízo. Desse jeito, a margem de publicação de outras séries podem até aumentar. O material que chegar ao mercado precisa fazer sentido, incluindo para o público.

Qual é o futuro do DC Direct?

Quando começamos, éramos uma das primeiras empresas, se não a primeira, a sair e criar um negócio que atendesse a esse mercado especializado. Esse sucesso trouxe muitos concorrentes e muitas empresas que estão nesse ramo. Então é sobre evoluir o modelo. Queremos produzir esses colecionáveis, mas provavelmente mudaremos para um preço mais alto, com mais de um modelo de licenciamento, trabalhando com fabricantes com os quais já trabalhamos. Do ponto de vista do consumidor, não haverá mudanças ou queda na qualidade do trabalho. Nos bastidores, como criamos e como chegamos a eles vai mudar. Ainda temos nosso principal líder da DC Direct, Jim Fletcher, com a companhia. Ele será exibido em um painel divertido com J. Scott Campbell no FanDome.

Onde você vê a DC daqui dois anos?

Você definitivamente verá mais conteúdo internacional. Você vai ver mais conteúdo digital. Quando você fala em crescer nosso negócio, tanto físico quanto digital, para mim as oportunidades são globais. É nisso que vamos nos concentrar. Às vezes isso toma a forma de conteúdo que abordamos aqui, traduzimos e vendemos em outros mercados, mas queremos fazer parcerias com criativos em vários territórios e desbloquear histórias que se mostrem autênticas aos seus mercados, com personagens que eles possam abraçar como seus, e procurar oportunidades para pegar esses personagens e semeá-los em toda a nossa mitologia.

Com o digital, isso é mais uma questão de vitrine, o que significa que vamos lá fora com conteúdo digital e o material que tem bom desempenho no digital também possui um excelente desempenho na impressão. Um bom exemplo disso é Injustice, os quadrinhos digitais que se ligaram ao videogame. Quando isso saiu, foi o quadrinho digital mais vendido do ano, ele superou Batman. E trouxe um monte de fãs adjacentes para o nosso negócio. E quando pegamos esse conteúdo e o reimprimimos de forma física, vendemos centenas de milhares de unidades. Foi um sucesso tanto físico como digital.

Estamos usando isso como modelo à medida que saímos e fazemos mais conteúdos digitais. Pegaremos os livros de maior sucesso e reembalaremos como livros físicos. Mas dito isso, acho que há maior vantagem no digital porque podemos ir para um público global e a barreira de entrada, especialmente nesta pandemia, é menor. É muito mais fácil colocar conteúdo digital nas mãos de consumidores que querem ler histórias. Queremos nos inclinar para isso e pensar qual deve ser o conteúdo digital, como deve ser, o formato.

O DC FanDome ocorre no dia 22 de agosto e novidades sobre a área de quadrinhos devem ser reveladas no evento. -Confira a programação.-

Sobre Willyan

Willyan Bertotto

Publicitário. Diretor de Arte, Designer e Batmaníaco. Fã incondicional da DC Comics e pesquisador assíduo desse universo e todas as suas possibilidades de transformação.

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