Nesse dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher e ao falarmos de mulheres negras na cultura pop é essencial citar aquela que deu o primeiro passo não só para o protagonismo feminino nos quadrinhos, como principalmente o protagonismo de mulheres negras. O seu nome é Jackie Ormes, a primeira mulher negra a produzir histórias em quadrinhos em meio a uma época que mulheres não chegavam nem perto disso, quem dirá uma mulher afro-americana.

Jackie Ormes teve um papel fundamental em como as personagens femininas são moldadas hoje em dia. Tudo começou no ano de 1937 quando ela publicou sua primeira tirinha para um jornal afro-americano semanal em que ela trabalhava, nesse quadrinho ela apresenta “Torchy Brown”, uma mulher que deixa sua casa no Mississipi e vai atrás do seu sonhos de se apresentar em um palco, já mostrando toda sua autoconfiança por meio dessa personagem, Jackie era completamente a frente do seu tempo. Sempre se reinventava. Não demorou muito para que ela repaginasse sua personagem dessa vez em cores, com mais independência e teor política em suas charges.

Seus quadrinhos abordavam questões como racismo, poluição e injustiça social. Apresentava uma mulher negra abordando temas polêmicos para uma época que só existiam homens trabalhando no ramo, e segundo fontes, apenas dois homens afro-americanos. Ormes em seus quadrinhos mostrava mulheres negras inteligentes, elegantes, e ainda trabalhava com moda, o que não era visto na época onde personagens negros mal tinham destaques em um cartoon e eram vistos de maneira racista e depreciativas.

Torchy Brown” de Jackie Ormes.

Quando pensamos em Jackie Ormes deixando seu nome na história, me pego pensando sobre a falta hoje de personagens negras em capas solos nos quadrinhos atuais e, também, a falta de mulheres negras desenhando essas personagens. A DC Comics tem feito um grande trabalho em animações e em séries, porém a falta de destaque de personagens negros nas comics, anda gritante mesmo com a variedade de personagens que a editora possui.

A primeira personagem negra da DC Comics foi a Nubia, em 1973, e hoje ela é totalmente esquecida nos quadrinhos, apesar de ter uma importância enorme para história da Mulher-Maravilha, não podemos esquecer também da Vixen, que é a primeira heroína negra da DC Comics a ganhar um título próprio, e hoje são os fãs que precisam lembrar a editora que a personagem existe e tem uma imensa importância representativa nela.

Recentemente, a DC nos presenteou com a Naomi e Far Sector, com edições solos e representativas. Mas a exaltação das mulheres negras nos quadrinhos ainda é muito escassa. Não é porque temos uma edição com uma heroína negra que é o suficiente, por que não podemos ter mais?

Jackie Ormes.

Precisamos lembrar de Jackie Ormes e do seu papel fundamental na história de personagens negras, precisamos de oportunidades a cartunistas negras desenhando uma história, uma luta, e que faça uma mulher negra se identificar lendo, não podemos esperar que mulheres negras tentem se identificar apenas com heroínas brancas por toda sua vida, mesmo tendo um grau significativo ver as personagens nas telas de cinema. A grande escassez de oportunidades para que cartunistas deem vida a personagens de cor, é algo que tem que deve ser debatido com insistência e precisa ser notado, principalmente em uma geração de homens cis brancos que tentam por qualquer motivo destruir qualquer imagem de representatividade e discussão sobre raça.

Apenas após 82 anos de história, Jackie Ormes começou a ser reconhecida. Foi recentemente introduzida no Hall da Fama da Will Eisner Comics, e também veremos uma série documental em breve sobre como essa mulher foi importante para desconstruir a visão estereotipada de personagens negras nas HQ’s. Só devemos esperar, e dar suporte para que artistas negras consigam também deixar seu nome na história.

Feliz Dia da Mulher para você leitora do Terraverso!

Sobre Sana

Sana Lima

Olá, me chamo Sana tenho 19 anos e curso Direito, atualmente no 4º período. Sou apaixonada por criminologia e política, o que fez apaixonar-me cada vez mais pela DC Comics, mas isso começou quando eu era criancinha e vi pela primeira vez a Shayera em Liga da Justiça Sem Limites e decidi que tinha que ser ela HAHAHAHA. Espero contribuir para o Terraverso com minha bagagem que está se desenvolvendo cada vez mais no universo da DC Comics.

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