Inicia hoje um novo especial aqui no Terraverso. Semanalmente vamos revisitar todas as crises da editora até a última, que ocorre nas recentes publicações de ‘Noites de Trevas: Death Metal”.

Já faz algum tempo que eu acompanho o recente Multiverso Sombrio. As infinitas possibilidades negativas é um conceito novo que me agrada em muitos aspectos, principalmente por ser um entusiasta de sempre evoluir os conceitos que definimos como base do nosso conhecimento como leitores da DC. Desta nova abordagem sobre o multiverso, surgiram duas histórias que atualmente estão ditando os rumos da editora no aspecto criativo, o que me agrada muito pois precisamos finalmente dar um passo em direção ao futuro de ‘Noites de Trevas: Metal’ e sua sequência intitulada ‘Death Metal’.

Ambas são escritas por Scott Snyder e o roteirista trabalha de forma inteligente o conhecimento prévio que temos sobre os grandes eventos cósmicos, conhecidos pelos leitores como CRISES e, para poder falar do que significa Death Metal, precisamos  falar inicialmente destas Crises que moldaram a atual realidade e, por coincidência, a primeira dela tinha como sua principal missão organizar o universo DC,  que já possuía mais de uma versão com diversos personagens.

O primeiro contato entre duas versões diferentes do mesmo personagem foi na história “Flash de Dois Mundos”, de 1961,  envolvendo os velocistas Barry Allen e Jay Garrick e assim estabelecendo que haviam duas versões da Terra, uma em que residia os heróis da Era de Ouro e outra para os heróis da Era de Prata. Na história escrita por Gardner Fox, os velocistas eram capazes de fazer a passagem entre estas versões por vibrarem na mesma frequência das Terras paralelas. Este conceito que passou a ser chamado de Multiverso sendo a pedra fundamental para o futuro da DC, tendo ciência de que haviam infinitas versões de mundos que não eram contados apenas em números como a Terra 3 por exemplo. Planetas e realidades que eram dominadas por vilões, também poderiam ser divididas por letras, como por exemplo a Terra X e a Terra Prime.

Essas versões de diferentes Terras acabam no ano de 1985 quando Marv Wolfman teve a tarefa de unificar tudo em apenas uma única Terra, assim escrevendo ‘Crise nas Infinitas Terras’. O roteirista teve a colaboração de George Perez nas ilustrações e o enredo pode ser considerado como o primeiro fim do mundo do universo DC.

A história contada pela perspectiva de diversos personagens é sobre a destruição de infinitos universos por uma onda sem fim de anti-matéria. Para o leitor não fica muito claro o início, sobre quem esta fazendo isso e as razões pelas quais o vilão está destruindo tudo, mas na edição é possível ver como é angustiante para todos, tanto heróis como vilões, vendo o mundo acabar sem ter a possibilidade de protege-lo como se deve.

Um dos protagonistas desta primeira crise é o Monitor, que apareceu pela primeira vez na edição “New Teen Titans”, de 1982,  sendo retratado como um cientista que possui conhecimento e acesso as infinitas Terras, como o responsável por reunir heróis de diferentes mundos e períodos para evitar a onda de destruição.

Para esta tarefa, ele conta com a ajuda da Precursora, que recebeu seus poderes cósmicos para trafegar de mundo a mundo encontrando os escolhidos. Apesar do papel de heroína, a personagem também acaba  sendo corrompida pelo inimigo e assim sendo a responsável pela morte do Monitor, tomando para si a tarefa de seguir com sua luta ao lado de Alexander Luthor Jr e o Paria.

Falando em Alexander Luthor Jr ele é um dos últimos sobreviventes da Terra 3, que foi enviado para a primeira Terra sendo salvo pelos seus pais da onda de anti-matéria, se tornando um dos responsáveis em parar o Anti-Monitor em sua jornada de destruição. Em sua viagem, as células de seu corpo se tornaram uma mistura da matéria positiva e anti-matéria, permitindo que pudesse ter muitos poderes, dentre eles abrir portais para outras dimensões como visto na conclusão da história, salvando a si, Lois Lane, o Superman da Terra 2 e o Superboy Prime.

A figura do Paria considero como uma referência ao mito da caixa de Pandora, mas neste caso, a busca pelo saber supremo libertou o mal infinito e assim se deu a criação tanto do Monitor como do Anti-Monitor e a luta em que um deve destruir o outro. Por seu pecado, ele é condenado a vagar por todas as Terras que foram destruídas e a sua chegada em cada mundo era o sinal de que o fim estava próximo. Se pensarmos de uma forma mais ampla, o seu papel nesta história é muito semelhante ao de um anjo do apocalipse, afinal, este era o fim do multiverso DC como conhecemos, em que sua chegada era o prelúdio do fim. Em seu arco pessoal, ele consegue se libertar de sua maldição se tornando importante para os heróis durante a batalha.

Crise nas Infinitas Terras é marcada por muitas mortes, mas em especial uma que ficou famosa ao longo dos anos, o sacrifício da Supergirl que existia no pré-crise e lutou com todas as suas forças contra o Anti-Monitor para poder destruir seu corpo o suficiente para que os heróis pudessem vencer.

A morte de sua prima foi tão devastadora para o Superman da Terra 1, que tudo que o herói símbolo da esperança no universo DC pode fazer foi pega-la em seus braços e lamentar.

Outro herói querido que se foi nesta crise é Barry Allen, o Flash que surge na trama em alguns momentos para avisar que o fim estava chegando. Podemos considerar ele como a primeira vítima do ataque do Anti-Monitor ao Multiverso de matéria positiva, ao ser sequestrado com a ajuda do Pirata Psíquico, e graças ao seu sacrifício, os planos do vilão são arruinados. O destino do velocista é selado e tudo que é visto na história de fato são reflexos da sua velocidade, que partiu avisando heróis como o Batman. Aliás, nesta história o único que ainda tinha memórias da linha do tempo original sobre Multiverso é o vilão que serviu o destruidor de mundos.

O fim do evento é o restabelecimento da história com a existência de uma única versão da Terra, com um grande grupo de heróis após uma batalha épica na aurora dos tempos, reescrevendo assim o início do universo.

Por este motivo, muitos acontecimentos que eram considerados parte oficial da história da DC deixaram de ser relevantes, destacando o Superman como o único sobrevivente de Krypton e apagando a existência da Supergirl,  a história da Mulher-Maravilha ter sido recontada de outra forma, assim como a morte da equipe de soldados conhecida como ‘Os Perdedores’ e a chegada de Braniac como vilão na Terra.

Essa história é um marco para grandes eventos dos quadrinhos que inspirou outras editoras a fazerem as suas versões deste tipo de jornada, inclusive sendo adaptada para o universo de séries da DC na TV, o Arrowverso, reunindo toda a história emo uma versão live action destas infinitas possibilidades.

Crise nas Infinitas Terras tinha como o objetivo reestruturar o conjunto de narrativas que formava o universo DC e trazer novos leitores para um universo único e linear, porém o trabalho feito por Mark Wolfman e George Perez foi muito além disso e não se tornou apenas uma história que funciona como um reboot, mas um grande evento que movimentou este universo de grandes heróis e uma base para que outras grandes histórias de grande escala pudessem surgir no futuro. Para que isso acontecesse, muitos mundos caíram para que somente um universo de heróis fosse construído.

Sobre Ricardo

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Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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