O selo DC Black Label é o lar das narrativas adultas, uma leitura pesada e as histórias não são apenas histórias mais sombria com heróis do universo recorrente DC,  mas também existe espaço para contos de terror como o caso de Daphne Byrne, desenvolvida pela Hill House Comics e que faz parte do selo de histórias adultas DC.

A minissérie de seis edições começou a ser lançada no período de janeiro a julho de 2020, escrita por Laura Marks, conhecida pelo seu trabalho nas séries Ray Donovan e The Expanse,  e Kelley Jones, famoso por seu trabalho em Sandman e Batman: Red Rain. Daphne Byrne é uma história de terror da qual não ficaria surpreso se em um futuro não muito distante, ser adaptada para um seriado de TV ou serviço de streaming.

Mas afinal, por que no título deste texto está escrito “um caso de amor” se a história é um conto de terror? Nesta trama, o amor é visto de uma perspectiva bem peculiar.

A história se passa em Nova York, no século XIX, em que conhecemos a história de uma mulher em um estado de luto sendo vítima de uma seita demoníaca, enquanto sua filha, Daphne, flerta com uma figura sobrenatural que se identifica como “irmão” e aproveita dos aspectos de sua fragilidade emocional ganhando a sua confiança.

O trabalho realizado pela dupla Mark e Kelley para criar a ambientação da história foi o elemento que mais chamou a atenção na minissérie, que segue as mesmas características de outras obras da Hill House como Dollhouse, inclusive a forma como Kelley desenha os personagens apresenta uma estética para que nós como leitores tenhamos a sensação de estar sempre em um pesadelo, o que combina perfeitamente com o roteiro que mostra o encantamento de Daphne pela escuridão.

Como falei anteriormente, o amor é visto de uma forma peculiar pois tudo gira em torno do amor de mãe e filha, por Frederick Byrne, marido e pai, e como este homem era a base desta família a ponto de que, no auge de sua angustia, Sra. Byrne chega a procurar uma vidente para tentar contato com seu marido do outro lado. Ao mesmo tempo, Daphne encontra no estranho visitante de seus sonhos o mesmo objetivo, porém as consequências são mais sombrias.

Ainda pensando na ambientação, a utilização da era vitoriana como recorte histórico é bem adaptada, utilizando de forma inteligente as características deste período como a estrutura social patriarcal e a busca das pessoas pelo oculto, como no quadro que sua governanta comenta sobre uma cartomante que poderá te colocar em contato com um ente querido que já partiu ou um detetive que é especialista em descobrir truques de charlatões. Esses pontos tornam-se base para que este conto ganhe força.

Outro elemento que acredito ser atraente é a relação de Daphne com o ser sobrenatural, inicialmente como um sonho e lentamente tomando espaço na sua vida real, dificultando o discernimento do que é humano e do que de fato é de outro mundo. O final surpreende por apresentar a perspectiva da ascensão de uma criatura sobrenatural. A conclusão da narrativa traz uma sequência de cenas chocantes e assustadoras, em que leva o leitor a perceber que a ideia central da minissérie é mostrar que a linha entre o mundo como conhecemos e o oculto é tênue demais para que ambos não possam ser influenciar um ao outro.

Daphne Byrne é um conto de terror do selo DC Black Label que se apoia no sobrenatural e no misticismo como elementos para tocar o leitor, inclusive acredito que é capaz de dialogar com as crenças pessoais e medos pessoais que por vezes podem ser até inconscientes. Daphne Byrne é uma história de terror para prender você no acento do sofá e ficar com medo de apagar as luzes antes de dormir.

Nota:

Sobre Ricardo

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Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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