O Multiverso é uma infinidade de possibilidades e, a partir deste conceito, conhecemos em ‘Noites de Trevas: Metal’ o Multiverso Sombrio que segue as mesmas regras, porém, com uma infinidade de possibilidades negativas.

Após os eventos de Metal, foram lançadas versões do Multiverso Sombrio dos clássicos da DC, e a primeira história é a ‘Queda do Morcego’. Escrita originalmente por Doug Moench em 1993, a sua versão sombria fica por conta de Scott Snyder, que escreveu Noites de Trevas, resumindo este conto em apenas um único volume.

O Multiverso Sombrio sempre procura mostrar que não existe esperança neste mundo, mas apenas quando li esta edição percebi que abrange outras coisas. Esta queda do morcego traz outras coisas além da falta de esperança, mas também como a dor e o constante sofrimento são capazes de nos tornar algo diferente, mais sombrio e intolerante.

Este Batman é diferente da sua primeira queda que vimos em 1993, ele agora é um homem que não retornou e em seu lugar, Jean Paul Valley, o Azrael, inicia um reinado de terror, medo e violência regida pelos seus conceitos religiosos, e no auge da sua insanidade, ele se auto proclama Santo Batman. Acho interessante como foi bem explorado este fanatismo, a necessidade de moldar a cidade de Gotham de acordo com os seus dogmas e ainda a obsessão em conseguir a aprovação de Bruce Wayne como seu sucessor a ponto de tortura-lo por décadas para isto.

Mas este Santo Batman, assim como seu antecessor, também é um homem quebrado, mas não fisicamente. Quando surge a janela de oportunidade para que pudesse vestir o manto do cruzado encapuzado, ele toma para si não apenas o legado do Batman, mas sua missão e obsessão de provar que a sua convicção sucumbe a métodos nada honrados, como por exemplo utilizar o veneno de Bane para que suas habilidades mantenham-se sempre no auge.

Falando em Bane, vítima do Santo Batman, uma das peças chave para a retomada de Gotham das mãos de Valley, é o seu filho que não precisa de doses do veneno e sim seu próprio corpo produz como parte de seu sistema biológico. Isso o torna um adversário capaz de ameaçar o reinado de terror ao lado de Shiva e do próprio Bruce Wayne, que retorna graças a uma invenção capaz de reconstruir seu corpo.

Após uma luta e uma vitória as custas de muito sangue e ossos quebrados, o grupo de insurgentes consegue a sua vitória e, em uma reviravolta que deixa muito claro como o Multiverso Sombrio deixa as suas marcas, vemos o Batman assassinar seus aliados e tomar para si o domínio de Gotham se tornando “Batman, O Quebrado”.

Esta quebra mostra o rompimento de um limite, que não foi algo apenas físico que se quebrou, mas seu espírito pervertendo todo o código moral que torna o Homem Morcego uma figura implacável na luta contra o crime de Gotham. Esta mudança de percepção é angustiante por conhecermos a trajetória do Batman, que passa de alguém que toda a noite caça criminosos em um processo de luto da morte dos seus pais, para um homem que se torna possessivo a ponto de colocar sobre seu poder uma cidade inteira.

A Queda do Morcego do Multiverso Sombrio é uma leitura que, apesar de ser pontual e direta, consegue mexer com o leitor e tirá-lo da posição de conforto por ser uma história que cria uma versão perturbadora sobre algo que já é conhecido para o fã de quadrinhos.

Nota:

Ótimo – 50/52.

Sobre Ricardo

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Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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