A série focada em Courtney Whitmore (Brec Brassinger) e a na nova geração da Sociedade da Justiça da América exibiu ontem (10) seu final de temporada, deixando para os fãs um gosto de “quero mais” e alguns ganchos inesperados, que falarei ao longo desta crítica, mas cuidado, está recheada de spoilers.

Desde seu primeiro episódio, vimos a protagonista de Stargirl buscando respostas sobre o passado de seu pai. Já o seu padrasto Pat Dugan (Luke Wilson), por sua vez, além de investigar a Sociedade da Injustiça da América, vivia como o guardião de um poderoso artefato, o Cajado Cósmico. Por coincidência (ou destino) Court acaba sendo escolhida pelo Cajado como sua nova dona. Este fato contribuiu para que a adolescente acreditasse que Sylvester Pemberton (Joel Mchale) fosse seu pai e como filha do Starman, ela teria o direito e o dever de continuar seu legado.

Com a missão de apresentar uma nova geração de heróis, diria que “legado” é a palavra que define a primeira temporada de Stargirl. Logo nos primeiros minutos da série, vemos a Sociedade da Justiça sendo morta pelos vilões e o Starman pede a Pat que encontre alguém para manusear o Cajado. Mas a Stargirl não foi a única personagem a ter um legado para seguir.

Stargirl

Após Pat Dugan agir como S.T.R.I.P.E. e Courtney como Stargirl, Yolanda Montéz (Yvete Monreal) foi a terceira integrante da SJA a assumir uma identidade heroica. A adolescente, após envolver-se com Henry King Jr. (Jake Austin Walker), teve sua vida praticamente arruinada, mas Court viu nela um grande potencial para ser uma heroína e a presenteou com o uniforme do antigo Pantera. Utilizando as habilidades concedidas pelo traje e seus conhecimentos em lutas, a personagem mostrou-se digna de levar adiante o nome de Pantera e continuar seu  legado. Infelizmente a série deixou a desejar quando não mostrou um embate/acerto de contas entre Yolanda e Cindy  (Meg DeLacy), mas esperamos que isso ainda aconteça na segunda temporada.

 

Yvete como Pantera em Stargirl

A personagem esteve envolvida em algumas cenas chave e até mesmo dramáticas, como por exemplo a morte de Henry King Jr. e a morte do Onda-Mental. Sobre o último, no episódio final, foi interessante vermos ela falando ao Homem-Hora (Cameron Gellman) que matar pessoas era errado, mas instantes depois acaba matando o Onda-Mental (Christopher James Baker)  com as próprias mãos. A cena mostrou esta dualidade da personagem, que mesmo acreditando que matar pessoas era algo errado, ela fez.

Pantera mata Onda-Mental

Outra personagem que teve um crescimento pessoal durante a temporada foi Beth Chapel (Anjélika Washington). Apesar de ter pouco destaque no início, ela foi mostrando ser digna de ser a Doutora Meia-Noite e de utilizar os óculos fonte de seus poderes, carinhosamente chamados de (Chuck).

A heroína, que antes era alguém que tinha os seus pais como únicos amigos, agora faz parte de algo maior e tem na Sociedade da Justiça um grupo “para chamar de seu”. A Dra. Meia-Noite ainda teve um papel crucial no triunfo dos heróis no final da temporada e mesmo não se envolvendo em cenas de ação, como os outros membros da equipe, mostrou-se ser uma grande super heroína. Se nos primeiros episódios ela era uma garota introvertida e sem amigos, no final  vimos uma Beth capaz de liderar a SJA em algumas missões e agir como “a voz da razão” do grupo, contrastando com a impulsividade da Stargirl e a “cabeça- quente” do Homem-Hora.

Rick Tyler, o Homem-Hora era o único membro da nova SJA que de fato tinha relações sanguíneas com a antiga Sociedade da Justiça da América, afinal ele era filho do Homem-Hora original, diferente da Stargirl, que apenas acreditava ser filha do Starman. Se pudesse definir o Rick em uma frase seria “força bruta pode botar tudo a perder se não tivermos uma mente no lugar”. Ele foi apresentado no mesmo episódio que a Dra. Meia-Noite, fazendo um contraste entre “cérebro e músculos.”

Em algumas missões, o personagem quase colocou os planos da equipe a perder, movido por um sentimento de vingança contra Solomon Grundy, por causa do assassinato dos seus pais. Porém no final, o vimos poupar a vida do vilão. Talvez isso deixe em aberto que na segunda temporada ele comece a pensar nas consequências de seus atos antes de agir impulsivamente. Ele, assim como os outros membros do grupo fazia parte daquilo que é clichê em toda série ou filme, que retrate o ensino médio estadunidense, a famosa “mesa dos excluídos”.

Elenco de Stargirl

Não apenas o núcleo adolescente merece destaque, mas também os personagens adultos, como Pat Dugan e Bárbara Whitmore (Amy Smart).

Pat, o S.T.R.I.P.E., teve um importante papel durante a primeira temporada, por muitas vezes atuando como um mentor para a nova Sociedade da Justiça da América, porém, apesar de ter construído um enorme robô de combate e ter um passado como ajudante do Starman, ele também deveria lidar com sua nova vida e sua relação inicialmente conturbada com sua enteada.

Pat Dugan

Bárbara, esposa de Pat e mãe de Court, nos primeiros episódios da série era retratada como a típica “mãe dos heróis adolescentes”, ou seja, não sabendo da verdadeira identidade de sua filha. Como eu disse anteriormente, Stargirl não foge de alguns clichês. Mas isso acabou mudando enquanto o história avançava e no fim vimos ela atuar como um dos membros da SJA, não no meio da ação como os outros, mas realizando algumas investigações por conta própria, com a finalidade de resolver algumas dúvidas que ficaram em sua cabeça.

Bárbara

Outro membro de apoio de Stargirl, que infelizmente teve sua participação reduzida, talvez por culpa do roteiro, foi Mike (Trae Romano), o filho do S.T.R.I.P.E. e enteado de Bárbara. O garoto, em todo arco da primeira temporada sentia-se excluído e com ciúmes da relação do seu pai e de Courtney, isso por que os dois acabaram se aproximando e compartilhavam diversos segredos relacionados às suas identidades heroicas.

Mike

Não apenas os heróis merecem destaque, o grupo de vilões também. Neste caso, apesar de o “Rei Dragão”, o “Onda Mental” e o “Geada” serem as principais mentes por trás dos planos para uma “Nova América”, aqui, resolvi focar em seus filhos. Cindy e Henry, ou melhor, Shiv e Onda- Mental Jr. são exemplos de personagens que assim como os heróis, também tinham um legado para carregar (aqui excluímos Cameron (Hunter Sansone), filho do Geada porque ele teve uma participação reduzida durante a temporada e nem mesmo descobriu seus poderes).

Cindy/ Shiv

Cindy, inicialmente era a patricinha clichê de um colégio norte-americano, mas nos episódios “Shiv parte 1 e parte 2” tivemos a chance de conhecer a fundo sua personalidade e suas motivações. Ela a todo custo buscava provar ser digna de uma cadeira na sala de reuniões da Sociedade da Injustiça, mas mesmo com superpoderes sua vontade era ignorada por seu pai. A série acabou pecando ao deixar a personagem trancada por alguns episódios, mas no final vimos que isto serviu de justificativa para ela matar seu pai.

Henry King Jr. era filho do Onda-Mental e foi um dos responsáveis por arruinar a vida de Yolanda. Ele mantinha um relacionamento com Cindy, mesmo não sabendo que era apenas um plano da Sociedade da Injustiça. Ao descobrir seus poderes ele teve uma escolha a ser feita, seguir o legado do seu pai como um vilão ou tornar-se um herói, ao lado de Courtney e seus amigos. Como podemos perceber nas redes sociais ele passou de um personagem detestado a elogiado pelas suas últimas ações, mostrando que “as pessoas podem ser boas”, como ele diz em suas últimas palavras.

A temporada de Stargirl entregou ao público alguns temas como a paternidade e as relações familiares em meio à uma série sobre super-heróis adolescentes em uma pequena cidade do interior. Este primeiro ano não teve medo de brincar com os clichês de qualquer obra voltada ao público jovem, como falei anteriormente, que por muitas vezes serviu como um alívio cômico. Outro ponto positivo foi o fato dela não ter arrastado a identidade civil dos heróis e vilões por um longo tempo.

A fotografia e a trilha sonora, assim como os efeitos visuais merecem serem mencionados, assim como as acrobacias e coreografias que envolviam as cenas de luta. Estas são qualidades que esperamos que continuem na segunda temporada.

Alguns pontos negativos acabaram atrapalhando um pouco o andamento da história. Como a participação de Justin (Mark Ashworth), o Cavaleiro Brilhante, que mesmo tendo um episódio com seu nome, acabou sendo reduzido ao alívio cômico em diversas situações. Além disso, não teve seu passado devidamente explicado.

Justin / Stargirl

Outro ponto negativo foi a utilização de alguns diálogos extensos ou cenas mais genéricas, apenas para cumprir tempo de tela, não que isso tenha atrapalhado a história como um todo, mas a direção poderia utilizar este tempo para dar um foco maior em algumas outras coisas e personagens.

Uma outra falha foi terem deixado o Mike um pouco apagado durante o primeiro ano, como mencionei anteriormente. Apesar do episódio final ter redimido a série quanto a isso. Na primeira parte de “Star and Stripe”, vimos o garoto descobrindo tudo que estava acontecendo em Blue Valey e sobre a SJA e além disso, quando menos esperávamos, ele ainda ajudou seu pai a nocautear o “Mestre dos Esportes”. Ainda neste episódio, em uma conversa com a Stargirl, o roteiro fez o público perguntar se ele também seria alguém com a habilidade de manusear o Cajado Cósmico, fato que não se concretizou segundos depois. Apesar de reconhecer a importância de todos do grupo dos heróis, dou a ele os devidos créditos pela morte do “Geada”. Em uma cena, que pode dividir algumas opiniões, sendo encarada como cômica e inesperada, ou até mesmo “bobinha”.

Sobre a morte dos vilões, foi interessante vermos a SJA derrotá-los um a um, porém devo destacar que foi algo rápido. Mas acabou contrastando com a primeira batalha entre os grupos, onde a Sociedade da Justiça foi facilmente derrotada, isso mostrou o amadurecimento da equipe e a capacidade deles de agirem em conjunto.

Certamente a maior surpresa do final da temporada ficou guardado para a cena pós-creditos, pois vimos que o Starman ainda está vivo e procurando pelo seu antigo parceiro e amigo Listrado.

Por fim, devemos voltar ao início de tudo, a personagem em si foi uma criação de Geoff Johns em homenagem à sua falecida irmã, Courtney Elizabeth Jhons e ver sua foto em uma das cenas finais, assim como no episódio piloto e uma dedicatória nos créditos finais, além de dar um significado ainda maior para a criação da personagem e da série, serviu para homenagear o criador da Stargirl.

A série desde seu episódio piloto recebeu diversos elogios tanto pela crítica quanto pelo público, destacando-se por diversos pontos positivos. Mesmo pecando em algumas situações pontuais, deixo aqui meus parabéns para toda a equipe de Stargirl. A primeira temporada provou que heróis podem vir de qualquer lugar, até mesmo da “mesa dos excluídos” e merece 52 Terras.

Nota:

Sobre Lucas

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Sou publicitário formado pela UFSM, mestre e doutorando em comunicação pela UFSM também. Fora isso, apenas alguém apaixonado pelo mundo nerd.

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