O contexto que vamos apresentar não desconsidera nenhuma produção já exibida nos cinemas. Pelo contrário, propõe possibilidades de conexões futuras em que o DCEU funcione não como um universo compartilhado, mas sim estendido em suas relações e não necessariamente em suas conexões. E para isso, precisamos reorganizar essas estruturas com muito cuidado. Seria muito simples introduzir um filme chamado “Flashpoint” e rebotar tudo que já aconteceu, iniciando do zero e apagando erros e divergências criativas entre um filme e outro. Prefiro então me abster dessa possibilidade e usar outros mecanismos para propor o maior universo compartilhado da história dos cinemas. Como? Vamos lá:

Vamos levar em consideração as seguintes produções e suas respectivas ordens:

O Homem de Aço – 2013

Batman vs Superman: A Origem da Justiça – 2016

Esquadrão Suicida – 2016

Mulher-Maravilha – 2017

Liga da Justiça – 2017

Aquaman – 2018

Shazam – 2019

Até aqui, todos esses filmes já assistimos nos cinemas (Shazam, a produção do Terraverso já teve acesso). Alguns com tons que destoam de si e outros com uma leve e tênue conectividade. Foi a partir de Homem de Aço que a DC Films disse: Vamos ter o nosso universo de filmes. Ok, vamos sim. Os fãs não conseguem apagar essa declaração da memória, pois ela levou o mundo nerd/geek inteiro à loucura. Era finalmente uma possibilidade real de ver no lado azul, o que já estávamos assistindo com sucesso do lado vermelho.

Depois de Shazam, existem três filmes que a meu ver, podem encerrar uma provável fase 1 da DC nos cinemas. São eles: The Joker (2019), um filme de origem do Coringa interpretado por Joaquin Phoenix; Aves de Rapina (2020), com alguns personagens já confirmados (Batgirl Cassandra Cain, Arlequina, Canário Negro, Caçadora, Renee Montoya e os vilões Máscara Negra e Victor Zsasz.) e por fim, Mulher-Maravilha 1984 (2020), que em imagens prévias da produção, sua maior revelação até o momento é o reaparecimento de Steve Trevor.

Depois dessas produções, considero que a fase 2 da DC nos cinemas iniciaria com os seguintes filmes; The Batman (2021), ainda em fase de definição sobre quem será o ator no papel principal e Aquaman 2 (2022). Claro que entre essas produções é possível encaixar muitos outros filmes. Entre esses “encaixes” possíveis podem configurar as produções já confirmadas, mas ainda sem data prevista de estreia; Novos Deuses, Batgirl, Tropa dos Lanternas Verdes e Lobo.

Mas vamos as relações necessárias para que a fase 1 da DC se encerre com grandeza e boas possibilidades para a construção de um universo cinematográfico consistente. The Joker é um filme de origem sobre o Coringa e ele não precisa propor nenhuma conexão com o contexto já apresentado. Pelo menos de forma explícita no filme, pois a ideia poderia ser a de preparar terreno para um evento ou acontecimento grandioso que está por vir. Aves de Rapina terá uma conexão importante com Esquadrão Suicida. Acredito que seja uma possibilidade de “ponte” entre o Esquadrão de 2016 para o Esquadrão Suicida 2. Não espero ver nas telas apenas a Arlequina, mas também gostaria de ver algumas “pontinhas” da Amanda Waller e como terminou seu relacionamento com o Coringa. Como já confirmado, Esquadrão Suicida será um reboot. Logo as pessoas consideraram um “reboot” do contexto do filme anterior, mas eu vejo como um reboot da equipe. Novos vilões devem ser apresentados na produção em uma nova missão suicida.

Agora, o filme que considero crucial para o futuro do DCEU é Mulher-Maravilha 1984. Nos quadrinhos a DC deixa claro a possibilidade da existência de um Multiverso. Múltiplas realidades e várias versões de seus personagens construídas ao longo do tempo e alocadas em terras diferentes.

Em Liga da Justiça, Diana Prince compreende que uma invasão a terra está por vir. Que existem mundos além do nosso e que corremos perigo. Essa afirmação pode estar ligada ao novo filme da personagem. O que Diana viveu em 1984 antecede os acontecimentos de Liga da Justiça. Então, a Princesa das Amazonas possui algumas informações que nós, nobres e mortais espectadores desconhecemos. Há um tempo, rolou um rumor na internet que WW1984 seria um “reboot” para o DCEU. Não o considero dessa forma, mas nessa especulação, há um fundo de verdade. Acredito que WW1984 seja a chave para explicar algumas coisas já exibidas nas telas. Entre as quais, vou destacar 2 momentos:

O primeiro momento é a cena do Batman no deserto. Uma realidade alternativa baseada em Injustice e que posteriormente, Flash abre uma fenda no espaço temporal e chega para falar com Bruce Wayne: “Ela é a chave… Lois é a chave”. Não temos como apagar das nossas memórias esse momento mágico do DCEU.

O segundo momento importante é; Há 2 Coringas no DCEU. E nessa questão em especial, quero resgatar algo presente nas HQs e que coloca uma pulga na cabeça de Bruce Wayne. Ao final dos Novos 52 e inicio da saga Renascimento, Bruce Wayne descobre a existência de três coringas no Universo DC. O Coringa da Crise nas Infinitas Terras, o Coringa de A Piada Mortal e o Coringa dos Novos 52.

Essa descoberta compreende que o Multiverso está presente nas narrativas. Várias versões de diferentes épocas. Ou talvez de diferentes terras…

Voltando ao universo cinematográfico, esses momentos, como o Flash na fenda temporal e um novo Coringa podem ser indícios de que a DC prepara para as telas o conceito de Multiversidade popular em suas HQ’s e já apresentado e difundido no universo das séries da The CW. Em Mulher-Maravilha 1984 esse conceito seria descoberto ou quem sabe apresentado para a Diana de alguma forma. E quando em Liga da Justiça ela compreende que há outros mundos, e outras entidades do mal, a que mundo ela se refere? Planetas do nosso sistema ou terras paralelas?

Essa ideia de apresentar nas telas o conceito de multiversidade poderia conectar TODOS os filmes que a DC já produziu em sua história. E se o clássico Superman de Christopher Reeve acontece na mesma Terra em que o Batman do Tim Burton? A narrativa de The Joker e a construção do Coringa de Joaquin Phoenix não necessariamente precisam estar no mesmo universo central do DCEU. Há terras paralelas e isso explica desde o Batman de Adam West e Christian Bale, até os dias atuais e as diferentes versões de seus personagens. Isso explica a conexão e desconexão de alguns filmes. O universo das séries da The CW e o universo das séries do streaming DC Universe são outros exemplos de produções que não convergem, mas entendemos que todas essas produções são DC Comics.

Se a DC colocar nas telas o conceito de Multiversidade, ela criará o maior universo compartilhado não apenas de filmes, mas de realidades e de mundos possíveis. Se em algum dos filmes do atual DCEU isso for apresentado com cenas em possíveis flashbacks que apresentem o Batman de O Cavaleiro das Trevas e Superman 1978, acontecendo em diferentes terras, essas realidades realmente existiram dentro do atual universo DC e são consideradas para a narrativa dos cinemas. Ou seja, a mesma proposta de multiversidade presente em seus quadrinhos, presente nas telas também.

É possível? Definitivamente sim.

Sobre Willyan

Willyan Bertotto

Publicitário. Diretor de Arte, Designer e Batmaníaco. Fã incondicional da DC Comics e pesquisador assíduo desse universo e todas as suas possibilidades de transformação.

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