Jared vai reinterpretar o Coringa de novo no Snyder Cut. É isso aí, sem mais nem menos, conforme noticiou o The Hollywod Reporter. Como isso vai acontecer de fato, não sabemos. Ao que parece, novas cenas foram gravadas com Leto e algumas não incluídas na versão final de ‘Esquadrão Suicida’, podem entrar nesse pacote.

Jared interpretou o Coringa mais odiado dos cinemas e o Coringa do Joaquin serviu para alicerçar ainda mais essa ideia. Agora, o ator voltará a interpretar o personagem com a possibilidade ser canônico para os vindouros futuros projetos da DC. Jared Leto merece essa segunda chance? Ele não estragou o personagem e se tornou o pior Coringa? Para responder, vamos analisar muitas cartas desse imenso baralho.

1) Leto é um bom ator. Isso é um fato consumado. Tendo um Oscar como ator coadjuvante e um Globo de Ouro e inúmeros outros prêmios e indicações, não dá para questionar sua qualidade. E claro, você não precisa gostar dele para deixar de reconhecer seu talento.

2) Leto sempre escolhe seus papéis. Sejamos sinceros, isso não é necessariamente um ponto positivo, tendo em vista que ele fez escolhas questionáveis, mas declara sobre a seriedade que encara sua carreira.

3) A culpa do filme ‘Esquadrão Suicida’ ser o que é, não é dele. Nenhum ator consegue se sustentar se a história não for boa o suficiente. Acrescente a isso, as diversas interferências da Warner no projeto e a decisão criativa de incluir o Coringa como vilão secundário.

4) Leto se guiou pelos quadrinhos. Algo muito comentando é que aquele Coringa não era o Coringa dos quadrinhos, uma grande mentira. Ele era, o problema é que essa versão não é a sua melhor versão. Sim o Coringa já foi um mafioso nos quadrinhos a la cafetão. Sim, ele já teve tatuagens ou dentes de ouros. O grande problema é que essas versões nunca fizeram sucesso nos quadrinhos e usá-las nas telonas, com certeza não seria a melhor ideia.

5) Jared possuía um plano de fundo maravilhoso estabelecido pelo Snyder. Em ‘Batman vs. Superman’, o Coringa matou o Robin e culminou na derrota total do Batman como herói. Esse é o plano de fundo como personagem. Isso nos faz refletir sobre como esse personagem foi pensado para ser sombrio e calculista, não um mero mafioso ou um funkeiro amante. Do que o Snyder pensou até o que vimos em ‘Esquadrão Suicida’, existe simplesmente um mundo de distância.

Agora um veredito? Não é tão fácil assim. Eu me arrepiei com o trailer de Esquadrão Suicida e aquele Coringa com cara de louco psicopata. O David Ayer afirmou que nesse trailer, toda a sua visão do filme estava exposta. Um drama profundo com várias camadas. Verdade ou não, após o fracasso de bilheteria de Batman vs. Superman e o sucesso de Deadpool, a Warner decidiu meter a mão no filme. Aquilo que parecia ser um filme pé no chão, se tornaria um
filme bem mais aventuresco.

Como podemos perceber isso? É simples. É só olhar como os atos parecem não combinar ou os cortes serem bruscos demais e todas as cenas deletadas. Quem mais sofreu com isso? Obviamente, o Coringa. Todas as cenas onde o personagem aparece, há uma desconexão. Isso porque a Warner questionou a sua agressividade e tentou suavizar o personagem. Um exemplo disso é uma cena deletada onde o Coringa agrediu a Arlequina. A cena foi deletada e como consequência, muitos casais usaram o relacionamento de Coringa com a Arlequina como um modelo, afinal, tudo o que ele fez era por amor. Tem como não amar um pudizinho desses?

Um questionamento importante precisa ser feito. Como seria esse Coringa sem cenas deletadas, suavizadas ou cortadas? Não sabemos e provavelmente, nunca iremos saber. Então, quando falamos sobre o Coringa do Jared Leto, o quanto estamos falando do Leto de verdade? Foram ao todo cerca de oito minutos em cena. Oito minutos de cenas cortadas e desconexas.

Podemos realmente definir que o Jared Leto é o culpado pelo seu fracasso como Coringa? Não, mas podemos afirmar que o direcionamento que ele teve para o personagem não foi exatamente o melhor. Leto se entregou a questão louca do personagem. Questão louca mesmo porque foi algo simplório ao ponto de enviar animais mortos para seus colegas de elenco, ficar isolado praticamente todo o tempo no set e se comunicar pouco com outros profissionais na gravação. O ator tentou encarnar a questão psicológica do personagem fora das telas, mas tudo o que alcançou foi uma visão rasa no cinema.

A loucura do Coringa não é uma visão de mão única, possui muitas camadas. Mesmo que ele não tivesse a oportunidade de abordar o personagem como o Joaquin que teve um filme só para ele, a falta de um norte onde o Coringa não fosse só um vilão louco, ignorou as características mais importantes e que transforma o personagem em algo único. A própria ideia do diretor/roteiristas de colocar o vilão como secundário na trama, rendeu ao personagem uma característica que ele não se encaixa. O Coringa não nasceu para sutilezas, ele precisa estar no palco dominando todos os seus atos.

De qualquer forma, Jared Leto irá regressar interpretando o personagem. Será que agora veremos aquilo que ele pretendia para o personagem? Saberemos em breve, até lá, vamos torcer para que essa próxima piada seja mortal.

Sobre Lucas

Lucas Pimentel

Você acredita em milagres? Também não, mas vivo na esperança de um universo de filmes maravilhosos da DC. Enquanto não acontece, sonho e escrevo.

Últimas notícias