Zack Snyder, o diretor do filme ‘Liga da Justiça’ foi a principal atração da convenção Justice Con. Confira abaixo os principais pontos abordados na conversa.

Zack – Obrigada por me receberem. Obrigado aos fãs, a quem está assistindo. Especialmente a vocês [organizadores] por fazerem isto porque é muito divertido, sem a San Diego. Não vou mentir, eu pensei em, talvez ano passado ou dois anos atrás eu tinha um trailer, um trailer pessoal do meu corte de Liga da Justiça. E eu pensei em enfia-lo na programação, tipo subornar o cara do áudio e vídeo para mostrar durante alguma apresentação. Nunca fiz. Pensei que seria legal para agitar um pouco as coisas.

Teria sido legal colocar no meio do painel da Marvel, eles ficariam tipo “meu deus, o que é isso?”

Zack – Vocês saberiam imediatamente, porque seria em preto e branco. Um pouco dramático.

Então vamos começar, você tem essa coisa lançando ano que vem…e…

Zack – Sabe, eu tenho esse filme lançando ano que vem na HBO Max. Minha rotina diária é que editamos, é mais como uma restauração porque tem muitos efeitos visuais. É muito mais como, juntar os efeitos visuais e ver como funcionaria, porque estamos colocando o Lobo de Estepe original. Então é muito trabalho, somente nisto. E também temos essas cenas adicionais com efeitos visuais enormes. O filme foi terminado, o corte que estou trabalhando foi finalizado em fevereiro de 2017. O corte estava pronto. E então foi para esta gigantesca, super longa, versão do filme, meio que versão definitiva. Quero dizer, o trabalho que tivemos nos meses seguintes foi de encurtar para o que o estúdio pediu. Mas nós nunca, sabe, tivemos isso. Mas é realmente aquela versão gigante de diretor. E todo mundo estava superanimado para essa versão e é estranho que esse filme poderia nunca ser lançado. Eu serei honesto, mesmo naquela época eu tive essa ideia, talvez tivesse um jeito de mostrar essa versão gigantesca do filme com HBO ou qualquer lugar, onde poderia literalmente dizer que estava tudo bem, que poderia ter 4 horas de duração.

Eu quero falar um pouco mais sobre esse processo de restauração. Quando originalmente gravei o filme, deixa eu voltar. Quando estávamos trabalhando em Batman vs  Superman, nós gravamos muitas sequencias em IMax, e eu estava obcecado com os cinemas que mostram os aspectos 1,3 (ou 4:3) na tela. Fora do IMax é só uma grande versão da sua TV. Então assistindo BvS e essas sequencias aparecerem e fiquei tipo “Puta merda, isso é insano”. Realmente me deixou obcecado com o grande quadrado. E eu estava tipo, seria legal, porque os filmes estão ficando “Mais widescreen, mais widescreen” e eu fiquei “Foda-se isso”. Então filmamos tudo em um aspecto de 1,3. O filme tinha que ser capaz de passar em um quadrado enorme de tela IMax. Foi assim que começou, foi aí que me apaixonei por esse conceito. Mas sabe, filmes de super-herói, como figuras eles tendem a ser menos horizontais. Talvez Superman quando está voando, mas quando está em pé ele é vertical. Então tudo estava composto, e gravado desse jeito. E muito dessa restauração é tentar trazer isto de voltar, trazer de volta esse quadrado. Você pode ver o frame da Mulher Maravilha que eu liberei, aquele era o aspecto original que foi gravado. Aquilo veio direto da câmera, não é um corte de Instagram. Aquela é fotografia. E você pode dizer, olha o corte e olhe a versão completa. É uma estética completamente diferente. Ficou com uma qualidade diferente. Muito do trabalho que estamos fazendo é restaurar o frame inteiro. É literalmente um trabalho de restauração. Porque certas cenas ficaram ferradas com o corte, então tivemos que consertar. Eu diria que essa é a maior parte do trabalho.

Tem pessoas meio desinformadas sobre a diferença entre o seu filme e o filme que lançou em 2017. E algumas pessoas estão dizendo que você usará algumas cenas de Whedon.

Zack – Não tem chance algum de que eu usarei uma filmagem feita depois que deixei o filme. Eu prefiro destruir o filme, tacar fogo nele, do que usar um único frame que eu não fotografei. Esse é um puta fato. Eu, literalmente, explodiria essa merda se eu pensasse por um segundo. Se alguma coisa nesse filme lembrar a versão que foi para o cinema, que eu nunca vi, foi porque isso era algo que eu já tinha feito.

Você já escutou a soundtrack do Junkie XL?

Zack – Já escutei bastante! Ele está trabalhando como um maníaco agora. Tem muita coisa que já temos prontas, mas tem outras que ainda precisam serem feitas para o filme. Eu estava conversando com ele no telefone hoje de manhã, e estávamos tipo “Oh, precisamos fazer assim, naquela cena!”, “Vai ser doido! E acontece isso”. Nós estamos trabalhando como maníacos. Ele está tão inspirado, é tão incrível escuta-lo no telefone.

Então quando você estava no set com todo mundo, você já tinha o traje preto feito ou teve que colorir depois?

Zack – Exato! Na época o estúdio disse “Sem chances”, eu tive que discutir pelo traje preto o tempo todo e eles estavam “Eu não acho que seja uma boa ideia”. E eu fiquei tipo “Certo, tudo bem. Não se preocupem com isso”. Nós gravamos o traje do jeito que é (azul), mas com alguns ajustes no traje ficaria um pouco mais fácil tingi-lo, fazer o contraste fica mais… nós fizemos uns experimentos no Photoshop, então nós sabíamos como fazer essa transformação. Então, fizemos vários experimentos anteriores para ter certeza que conseguiríamos trocar. E no início eu pensei que fosse uma grande ideia. Eu sabia que sabia que seria a evolução correta dele, quando ele se levantasse dos mortos, ele usaria o traje preto. Fazia sentindo. Então, tinha essa obsessão por ser engraçado, gostável, coisa assim. E por alguma razão a percepção do traje preto era “Urgh, isso parece que você está tentando fazer o filme sombrio, assustador. Sem graça”. Me ajuda com isso, vai ser hilário quando ele ressuscitar [disse zombando].

E o traje azul vai se costurar sozinho.

Zack – Sabe, até onde eu sei, eu não entendo de tecnologia kriptoniana pessoalmente. Mas tenho certeza que pode gerar o traje se quiser. Então veremos sobre isso no futuro. Quero dizer, espero que vejamos. Como eu disse, eu acredito na posição do Superman no panteão. No topo. Por isso sou obcecado com ele, no seu bom e ruim, feliz e triste, vivo e morto. Eu quero ele no seu espectro total de emoção. Não quero ele como um único tom de “escoteiro”, do tipo estou aqui para ajudar todo mundo. Escutar as palavras de Jor-El, e escutar as palavras do Senhor Kent soando nos ouvidos dele, tentando se manter no caminho.

Às vezes você colocava algo no Vero e saía ou você olhava a bomba detonar?

Zack – Eu gosto de olhar algumas respostas, fazer umas discussões quando posso. Se eu tenho tempo. Mas tem vezes que eu saio imediatamente. A coisa boa do Vero, do jeito que eu consigo interagir lá, eu posso ser franco e falar “Oh, isso é uma coisa boa”. Eu acho que essa relação é muito protegida, eu sinto que recebo respostas genuínas das coisas que posto, seja foto do Henry ou de desenhos do tipo “É isso, seria desse jeito”. Mas a discussão que tenho com as pessoas que se importam com isso, isso é uma ótima interação. Teve alguns dias que meus amigos falavam “Vocês estão nos trends mundial” e eu ficava tipo “Com o que? Nós não temos nada”. Eu gosto dessa ideia de que, naquela época, a hashtag ReleaseSnyderCut somou as hashtags ou presenças nas redes sociais de qualquer outro filme da Warner. Se eu tivesse um estúdio, eu veria isso como um problema. Acho que eu tentaria resolver isso, chamar aquele cara e resolver.

“Zack Snyder’s Liga da Justiça” estreia no streaming HBO Max em 2021.

Tradução: Rayanne Matos

Sobre Willyan

Willyan Bertotto

Publicitário. Diretor de Arte, Designer e Batmaníaco. Fã incondicional da DC Comics e pesquisador assíduo desse universo e todas as suas possibilidades de transformação.

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