Poucos meses após o lançamento de sua primeira produção no festival de Sundance, o longa independente ”Dead Pigs”, Cathy Yan, diretora agora de segunda viagem, conseguiu dar um grande salto garantindo a direção da primeira aventura da Arlequina depois de ‘Esquadrão Suicida’ de 2016.

Aves de Rapina‘ pode ter nascido da paixão de Margot Robbie pela personagem e sua grande vontade em inclui-la em uma gangue de garotas, mas se não fosse a direção de Cathy, um filme completamente diferente estaria chegando as telas no próximo dia 6 de fevereiro.

Sair de um filme indie para uma grande produção de Hollywood pode não parecer novidade no ramo, mas para uma diretora, mulher, asiática, Cathy Yan parece estar pavimentando um novo caminho para mulheres como ela, sem grandes ligações na indústria, sem família no ramo, conquistando espaço apenas com o seu talento.

Eu sempre amei filmes, mas nunca achei que pudesse fazer filmes.” confidenciou Yan para a Variety. “Eu nunca vi alguém parecido comigo fazendo filmes. Não de verdade. Acho que estava com medo de tentar, e não havia um caminho direto sobre como ‘se tornar uma diretora.’ Eu também tive muita sorte.” Concluiu a diretora chinesa-americana, que em 2010, escreveu sua primeira peça ao Wall Street Journal sobre diretoras de primeira viagem conseguindo espaço em Hollywood de uma hora para outra, na época, Cathy deu a nova inclusão da indústria para talentos escondidos como um dos pontapés para sua carreira.

Só em 2019, grandes lançamentos independentes comandados por diretores que fogem do padrão americano tomaram Hollywood, chocando a indústria e recebendo inúmeros prêmios durante a temporada de premiações, com destaques para Lulu Wang por ”The Farewell” e Bong Joon-ho, o cineasta Sul-Coreano fazendo história na academia do Oscar, recebendo 6 indicações por ”Parasite”, incluindo a de ‘Melhor Filme’. Agora em 2020, é a vez Cathy Yan receber o seu merecido praise por seu trabalho duro, entrando em uma lista minúscula de diretoras mulheres comandando blockbusters americanos, e uma lista MENOR AINDA quando falamos de filmes de heroínas.

Cathy chegou ao projeto de uma forma simples, a cineasta sentou para um café com sua roteirista, Christina Hodson, filha de Taiwaneses e Ingleses, dois meses após a estreia de ‘Dead Pigs‘ em Sundance. Conversando sobre seus novos projetos, foi ali que Cathy ouviu pela primeira vez sobre o filme. ”Nós nos demos muito bem. E foi ótimo ver alguém como eu, que tinha um histórico de trabalho semelhante ao meu, chegar nesse nível.” revelou Yan. Curiosamente, a cineasta não acreditou que pudesse assumir o projeto, sendo pega de surpresa por Hodson, que ao fim da conversa, convidou a diretora para assumir seu roteiro e lhe dar vida. ”Eu realmente não achava que poderia fazer algo assim – nem ao menos ser considerada para fazer isso.

Mas a verdadeira prova de confiança veio durante as reuniões com o estúdio, onde as duas, Yan e Hodson, precisavam provar para um bando de executivos mais velhos, o quanto necessário ”Aves de Rapina” era para o gênero exatamente neste momento. Cathy relacionou como sua própria emancipação. ”Eu senti como se estivesse passando por uma autoconsciência semelhante, percebendo que, sim, eu posso ser diretora, eu posso fazer isso. Finalmente me estabelecendo nessa autoconfiança.” E foi com essa confiança que Cathy conseguiu o trabalho, recebendo apoio da Warner Bros. para assumir o grande comeback de uma das personagens mais famosas da DC nas últimas duas décadas. Assim como na mídia, tudo por trás das câmeras acontece muito rapidamente. Cathy foi anunciada como diretora no dia 17 de abril de 2018, e poucos meses depois, o filme já estava de pé, filmando em locação, com as primeiras fotos no set divulgadas por paparazzis de longe.

Cathy conta que teve apoio do estúdio desde o início e durante toda a produção, revelando que pediu conselhos para outra grande diretora no ramo, Patty Jenkins, que assumiu a direção de ”Mulher-Maravilha”, primeiro blockbuster de uma heroína no gênero, onde graças ao sucesso, abriu o caminho para produções que vieram depois, como Capitã Marvel, Viúva Negra e o próprio Aves de Rapina: “Eu liguei pra ela (Patty) e disse ‘O que estou fazendo?‘ [Risos] Ela me disse: ‘Você precisa se lembrar que ninguém conhece esse filme tanto quanto você. É isso que faz de você a diretora.’ E isso foi muito, muito útil.’

Mas ”Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” pode ser considerado um blockbuster? O tratamento que o estúdio vem dando ao longa com Margot Robbie e Mary Elizabeth Winstead tem sido parecido com seus outros grandes lançamentos, se comparado a Aquaman, Shazam e Coringa, Aves de Rapina se encaixa perfeitamente com a nova politica da Warner Bros; projetos arriscados com diretores talentosos e visões ousadas. Seus mais de 80 milhões de dólares em orçamento não foram distribuídos em uso de CGI, dando espaço para sets vivos e excelência em trabalhos de dublês. Cathy deu vida a sua visão para uma nova Gotham, mais colorida, e através dos olhos de Harley, mostra partes da cidade mais perigosa do cinema que nunca tínhamos visto antes. Não é um mundo deprimente, é o mundo da Harley Quinn, colorido, corajoso, divertido.

Para o futuro de Cathy como cineasta, ela espera que ”Aves de Rapina” ajude a popularizar sua primeira produção, o ‘Dead Pigs’, que até hoje não recebeu uma distribuição própria em solo americano, a diretora sonha em levar a pequena produção independente aos cinemas. Atualmente contratada para escrever e dirigir “Sour Hearts”, a próxima produção da A24, Cathy celebra a inclusão de mulheres no gênero em 2020, que conta com 5 filmes de super-heroínas dirigidos por mulheres:

É incrivelmente incrível. Espero que faça o que todos esperamos, provar que as diretoras podem fazer filmes em grande escala. Lembro de quando me disseram: ‘Na verdade, procurávamos diretoras, mas não há muitas que queiram fazer filmes de ação‘. Lembro de pensar: ‘Eu Quero! Eu amo filmes de ação.’

As mulheres são capazes disso.”

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa chega aos cinemas no próximo dia 6 de fevereiro.

Sobre Juan

Juan Almeida

"Lembrai, lembrai, o cinco de novembro. A pólvora, a traição e o ardil; por isso não vejo porque esquecer; uma traição de pólvora tão vil" - “V for Vendetta”

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