Sequências de filmes atualmente são praticamente um requisito em Hollywood, mas não é algo relativamente novo.

Foi com O Poderoso Chefão Parte 2 (Francis Ford Coppola) que Hollywood percebeu a fortuna que estava nas suas mãos. Com o passar do tempo, os estúdios faturaram milhões em bilheterias em sequências – nem sempre necessárias. Praticamente, todo blockbuster possui uma sequência, se não logo em seguida, anos depois. Coringa (Todd Phillips) foi para a Warner um diamante surgindo do nada. O maior vilão do universo pop que até então, não havia sido tão explorado sem o Batman, num filme +18 sem um universo compartilhado e com uma visão crua, realista e até mesmo inovadora. Conseguir lucro nas bilheterias seria uma vitória, ter conseguido mais de 1 bilhão de dólares foi com certeza um sucesso.

E com um sucesso desse em mãos, um estúdio como a Warner dificilmente deixaria passar em branco uma sequência. Na época do lançamento de Coringa, Todd Phillips deu a entender que tudo seria uma possibilidade distante. “Um filme não faz US$1 bilhão na bilheteria e você não conversa sobre uma sequência”, disse o diretor na época. Agora, segundo o THR, Todd Phillips está escrevendo uma sequência do primeiro filme. Por enquanto, a informação não é oficial, visto que a Warner não confirmou, mas também não desmentiu e provavelmente, diante do sucesso da primeira película, podemos dar como certeza um segundo filme.

Quando entrevistado pelo podcast da IGN UK, Todd confirmou que o estúdio sempre incentivou um segundo filme ou sequências (sim, no plural), “mesmo antes da estreia” e sem o número de bilheteria e as premiações que o filme arrebatou.

“Joaquin e eu falamos sobre isso lá atrás, quando ainda estávamos filmando o longa”, menciona o diretor. “E, claro, o estúdio também “já tinha falado com a gente sobre isso. Mas honestamente, nunca fomos nem um pouco além disso. Nem mesmo a Warner Bros. Acho que estão nos dando tempo, e caso a gente pense em alguma coisa, e caso o Joaquin esteja disposto, aí então faríamos. Mas nem chegamos perto disso”, relata Phillips.

Então, um segundo filme seria mesmo necessário?

Do ponto de vista pragmático de um estúdio que naturalmente está interessado no lucro, uma sequência do filme seria algo óbvio. Agora, com a HBO Max, a produção seria um grande acréscimo, isso num mundo onde pessoas podem escolher não ir para os cinemas e assistir a filmes que chegarão cada vez mais rápido no streaming. O fato de Todd Phillips já ter pensando numa sequência e o mesmo não ter descartado, indica que uma ideia já está estabelecida e isso é bem vindo, já que o primeiro filme veio da mente do diretor. Anula também uma pressão do estúdio para fazer um filme que o diretor não quer, o que causaria um grande desconforto e provavelmente seria um desastre.

Um outro ponto positivo, é que ao que tudo indica, Joaquin Phoenix tem interesse em atuar numa sequência, desde que o Todd Phillips esteja liderando o projeto.

“Na segunda ou na terceira semana de filmagens, eu estava pensando, ‘Todd, você pode começar a trabalhar numa sequência? Há muito a ser explorado’”. disse o ator.

Joaquin Phoenix como sabemos, é um ator que busca papéis originais em filmes bastante ousados. O fato dele ter interesse numa sequência indica que a ideia para um novo filme é muito boa e continuaria a nos surpreender. Mas e os pontos negativos? Basicamente, a Warner ser a Warner. Com um histórico de interferir abruptamente em alguns projetos da DC, o estúdio pode transformar Coringa 2 em algo que ele não deve ser. Coringa não é um filme de ação. Muitos críticos disseram que Coringa não parecia ser um filme de quadrinhos, mas essa opinião é muito supérflua.

Nos acostumamos nos cinemas a ver apenas um estilo de filmes baseado em quadrinhos. Filmes rasos, com inúmeros efeitos especiais, temas bastante repetitivos e só. O grande problema é que quadrinhos não são só isso. Quadrinhos é uma mídia que engloba bastante histórias. Coringa é um drama tal qual já observamos em algumas HQ’s, embora, nunca com tanta profundidade. Um crime seria transformar uma sequência em um filme com mais “ação”, talvez forçando um Batman ou um excesso de personagens para agradar mais fãs.

Boa parte do sucesso da película inicial é que o diretor teve a liberdade para trabalhar com o personagem da forma que quisesse. Não houve uma pressão para um roteiro raso com mil e umas piadas ou inúmeras telas verdes, para impedir que adolescentes peguem seus celulares enquanto assistem o filme. Se a produção se permitir ser uma análise de personagem como foi o primeiro, poderemos ver de novo uma perfeição.

Em resumo, se a essência do primeiro for mantida, dificilmente poderemos questionar Coringa 2 como desnecessário.

Sobre Lucas

Você acredita em milagres? Também não, mas vivo na esperança de um universo de filmes maravilhosos da DC. Enquanto não acontece, sonho e escrevo.

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