NOTA DO AUTOR:

“Antes de iniciar este texto, gostaria de agradecer a toda a equipe do Terraverso que me acolheu desde os testes e ao longo deste primeiro ano como parte de um grupo que considero tão qualificado. A relação de fraternidade, carinho, dignidade e acima de tudo respeito e igualdade são de valor inestimável e incrivelmente inspirador. Por isso, dedico estas palavras a esta equipe e a todos os leitores que tem sua inspiração em personagens diversificados, tendo encontrado a sua identidade nestes heróis que amamos tanto”.

Para os adultos lembrar da infância é um esforço diferenciado por sublimarmos boa parte das nossas lembranças, principalmente do período entre os 4 aos 7 anos, mas existe uma lembrança viva na memória deste adulto que hoje escreve sobre DC Comics e divide a sua paixão por quadrinhos com tantos outros leitores: a animação da Liga da Justiça.

A equipe composta por Superman, Mulher-Maravilha, Caçador de Marte, Flash, Lanterna Verde e Mulher Gavião tinha consigo um ingrediente diferente das formações mais comuns nos quadrinhos, o representante da tropa esmeralda era John Stewart e, para um garoto só conhecia como um herói da mesma etnia que a sua Al Simons, o Spawn, foi um momento incrivelmente especial na minha infância.

O sucesso da animação todos conhecemos, inclusive para algumas pessoas que não são tão envolvidas em quadrinhos, se credita o posto de Lanterna Verde titular para John e posteriormente para Hal Jordan, o que na verdade é o contrário, com Stewart sendo o sucessor de Jordan mediante o escolhido do anel Guy Gardner estar hospitalizado.

Ele surge nos quadrinhos em Green Lantern #87 entre dezembro 1971 e janeiro de 1972 para ser o sucessor de Hal Jordan como o Lanterna Verde da Terra. Criado por Dennis O’Neil e Neal Adams os criadores basearam o design original no ator Sidney Poitier, um dos atores negros mais conhecidos na época e muito premiado na profissão, a sua origem é de um ex-militar altamente condecorado que passa a exercer a profissão de arquiteto na Ferris Aviações.

John fez parte dos arcos mais famosos da Tropa como a Noite Mais Densa, Odisseia Cósmica e a partir da fase dos Novos 52 ele ganha um grande destaque sendo parceiro de Guy Gardner em Tropa dos Lanternas Verdes, tornando-se se um dos membros mais respeitados da Tropa. Nos arcos mais recentes, ele havia se tornando o líder dos guardiões esmeralda, o que para alguém que admira tanto este personagem é um momento muito especial e um orgulho ser tão bem representado.

Dentre tantas virtudes que identifiquei procurando conhecer mais sobre o personagem que me encantou na infância, uma das que mais me admira é a forma como ele consegue lidar com as situações mais difíceis.

Ele consegue perseverar diante da dificuldade e, assim como os outros Lanternas, a sua característica, a força de vontade, se torna uma arma poderosa aliada a um senso estratégico sobrepujando qualquer desafio. Posso dizer que assim como Hal Jordan é a cara da Tropa, Jonh Stewart é a personificação do orgulho do Lanterna Verde . Ele não apenas se destaca por seus acertos, mas a forma como ele também lida com os fracassos e se torna um personagem mais maduro a medida que ele entende sobre a responsabilidade de suas ações.

Um arco nos quadrinhos que exemplifica essa personalidade é Lanterna Verde: Exército Perdido. A história conta sobre um período em que a Tropa acaba por viajar no tempo para um época antes do atual universo existir, aonde existe uma guerra pelo uso do espectro emocional, Krona e o Primeiro Lanterna eram apenas cientistas buscando salvar o seu universo além de outras civilizações extintas que procuravam sobrevivência. Em todo o arco vemos John Stewart agindo como um líder ponderado, pensando que a suas escolhas não podem prejudicar ninguém da Tropa, mostrando que toda a decisão pensada para o bem comum sempre é a mais difícil.

Além destas qualidades heroicas que citei, existe algo crucial que deixou esta marca tão viva na minha infância e relaciona-se totalmente a origem do personagem. Para um garoto sem referência de personagens negros como ele e com um estereótipo extremamente preconceituoso que existe na nossa sociedade, ver um negro que não é apenas um peão no jogo de xadrez da vida ser alguém com grande importância, com uma profissão tão incrível como o arquiteto e fazendo parte da equipe dos maiores heróis da Terra, não existe palavras para expressar como isto é inspirador e como se tornou importante para que eu olhasse para mim e não pensasse que lá no futuro eu pudesse alcançar grandes feitos.

Hoje como um adulto, penso na minha infância relembrando de onde surgiu essa pessoa que aqui escreve, neste dia tão importante percebo como ter tido um herói negro na infância foi importante e como a partir disto procurei na minha realidade outras pessoas inspiradoras baseadas neste modelo. Atualmente, temos mais referências de diversidade para os nossos garotos e garotas mas ainda sim, a luta para derrubar os estereótipos e preconceitos vai continuar. Acredito que um dia ela será vencida, porque como diz no lema do exército esmeralda: “Todo aquele que venera o mal há de penar “. Não me formei como arquiteto, tenho uma profissão um pouco diferente, mas o ponto de partida de toda a minha trajetória começou em um ponto bem longínquo do passado, como um garoto que não tirava os olhos da TV quando via um herói negro em um desenho animado.

Sobre Ricardo

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Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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