Entrevista exclusiva | Conversamos com Patrick Schumacker, produtor da série animada “Harley Quinn” do DC Universe

Antes de “Aves de Rapina” em 2020, e “O Esquadrão Suicida” em 2021, teremos a Arlequina ganhando os holofotes nesta sexta, 29 de novembro, dia em que a série “Harley Quinn” estreia no DC Universe (O serviço de streaming da DC nos Estados Unidos), mas infelizmente ainda não temos nenhuma previsão de estreia para o Brasil.

A primeira temporada consiste em 13 episódios, todos eles já foram liberados para imprensa americana. A série recebeu várias críticas positivas, e no momento tem 89% no Rotten tomatoes.

“Uma das melhores séries do ano”.

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Apesar da série não ter uma estréia confirmada para o Brasil, tivemos a oportunidade de entrevistar Patrick Schumacker um dos produtores e criadores do programa.

Produtor de Harley Quinn, Patrick Shumacker.

Este é o seu primeiro projeto de animação certo? O quanto você aprendeu com ele, e qual a melhor coisa que você leva consigo?

Está correto! Este é o primeiro projeto animado junto com meu parceiro de escrita/produção de longa data, Justin Halpern, e Dean Lorey, nossa outra showrunner/produtora executiva de Harley.

A melhor coisa que tirei disso é honestamente uma apreciação por todos os incríveis artistas visuais e designers que dão vida a série. Jennifer Coyle é nossa supervisora ​​de produção do programa, e supervisiona todos os aspectos visuais. Sua equipe inclui a supervisora de direção ​​Cecilia Aranovich, a designer de personagens Shane Glines, a diretora de arte William Wray, nossos maravilhosos diretores de episódios como Juan Meza-Leon, que dirigiu o piloto, e todos os nossos artistas de storyboard, nosso guru do VFX Gustavo Djuro e nossa equipe interna de animação liderada por Mac Whiting… todos eles realmente dedicaram toda a sua energia para fazer essa série “cantar”.

Existem muitos artistas para nomear individualmente. Eu gostaria de poder nomear todos eles, mas é um grupo incrivelmente talentoso. Estou admirado com eles todos os dias. Eu realmente não estava preparado para a quantidade de sangue, suor e lágrimas que fazem parte na produção de uma série animada.

A série promete muita comédia e ação, então estou curioso para saber como você descreveria essa série, e quais séries inspiraram “Harley Quinn”?

Eu descreveria como uma série R-Rated de ação-comédia que segue Harley Quinn, no momento em que ela se liberta do Coringa e decide se tornar a criminosa Rainha de Gotham City. É uma série otimista que foca em Harley e no grupo de membros da equipe que ela reúne para fazer um nome para si mesma. A principal deles é a Hera Venenosa, que compartilha grande parte dos holofotes da série com a Harley.

Em termos de inspiração para a série, muitas pessoas por trás da série são fãs de “Archer”, “Rick e Morty”, “Venture Brothers”. Eu acho que esses programas são espíritos afins do nosso ponto de vista. E então, é claro, “Batman: The Animated Series” deve ser mencionado. Se você está fazendo uma série animada ambientada em Gotham, não pode deixar de se inspirar no original. A marca que a série tem no legado da Warner Bros. Animation é eterna. É genial.

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Batman vai ter boa presença na série da Harley.

Como um DCnauta que realmente gosta dos filmes e séries animadas da DC, preciso dizer que a arte/design de Harley Quinn é muito atrativa. Então… como foi o processo para escolher o melhor design?

Tudo começou com discussões com executivos da Warner Bros. Animation. Tivemos muitas conversas com pessoas como Peter Girardi e Audrey Diehl, que colocaram Jennifer Coyle na nossa frente. Antes de Jen, tínhamos uma vaga ideia de como queríamos que o programa fosse.

Queríamos que a cidade de Gotham da Harley fosse vibrante e divertida. Não seria o tormento e melancolia como nos filmes de Tim Burton. Queríamos que o programa fosse retratado pelo ponto de vista otimista e divertido da Harley. Então, Jen pegou essa ideia básica e construiu envolta disso. Ela ficou encarregada de contratar a equipe de artistas como o mencionado diretor de arte William Wray (que trabalhou em programas como ‘Ren e Stimpy’, e que fez as cores em quadrinhos seminais como ‘Batman: The Cult’), e o designer de personagens Shane Glines (‘Justice League Action’), e Ceci Aranovich. Então a série se tornou um caldeirão de talentos insanos com todos esses tipos de artistas. Devo dizer que também tivemos Amanda Conner a bordo desde o início, ajudando no design dos personagens, antes de Shane assumir em tempo integral e colocar sua própria visão nos desenhos de Amanda. Acho que terminamos com uma série que homenageou ‘’BATMAN: THE ANIMATED SERIES’’, ao mesmo tempo em que projetávamos os personagens para a comédia.

A série da Harley é R-Rated (para maiores). Como vemos nos trailers definitivamente não é para crianças, já que temos cenas com muito sangue e palavrão. As pessoas na DC nunca chegaram em você e falaram “Ok, talvez isso passou do ponto”? Ou vocês tiveram total liberdade pra trabalhar como quisessem?

A DC tem sido uma parceira muito generosa. Estamos surpresos com quanto tempo eles nos deram, em termos de palavrões, temas adultos e violência. As poucas vezes em que eles disseram “Talvez isso seja demais” resultaram com nossa concordância ou nosso pedido para que esperassem até uma etapa posterior do processo para poder cortar algo que era considerado “demais”. Essencialmente, houve algumas vezes na fase do script em que eles disseram que algo talvez fosse demais, e perguntamos se eles esperariam para que tentássemos provar que funcionava na fase animada. Para seu crédito, eles sempre tentam fazer dar certo. Às vezes acontecia, às vezes não acontecia, então tentamos honrar nossa parceria criativa o máximo possível cortando algo que, no final do dia, deixava nossos amigos na DC muito desconfortáveis. Mas, novamente, eles nos deixaram escapar com assassinato!

Nos quadrinhos, a DC emancipou a Harley do Coringa, pelos trailers vemos que o mesmo vai acontecer na série. Como vocês tentaram abordar isso?

Essa ideia básica é o ponto de partida para a série. O piloto explora Harley percebendo que ela precisa terminar com o Coringa para sempre. Ela já tentou antes, mas ela sempre volta. Só que desta vez, é real. E então o primeiro arco principal (episódios 2-12) é uma espécie de história de separação, com Harley percebendo que é muito mais difícil criar um nome para si mesmo e ter sua própria identidade depois de tantos anos vivendo na sombra sufocante de um ex-bombástico como o Coringa. Então, o Coringa tem uma grande presença no programa, mesmo que ele não esteja fisicamente em todos os episódios (embora ele esteja em muitos deles). Mas, na verdade, o programa é sobre Harley tentando ser notada, tentando obter respeito e não ser morta no caminho, para assim conseguir um convite para se juntar à ‘Legião do Mal’, que é como receber um convite para jogar beisebol para os Yankees. Ou talvez começar uma partida de futebol para a seleção brasileira no Maracanã hahah. Esperamos que esta série seja uma história de empoderamento feminino que pareça conquistada e natural, mas que não se leve muito a sério, e tenha uma tonelada de (espero) piadas realmente engraçadas e (espero) representações realmente engraçadas de personagens clássicos do Universo DC pelo caminho.

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A emancipação da Harley vai ser o grande foco da primeira temporada.

Há muita representação LGBTQ+ nos quadrinhos recentes da Harley, especialmente entre Harley e Hera Venenosa, primeiro elas têm uma grande amizade, mas depois elas desenvolvem entre si um relacionamento muito mais profundo. Podemos esperar ver isso na série?

Eu não quero dar muito spoiler. Apenas vou dizer que, enquanto demora muitos episódios, nós abordamos essa parte do relacionamento de Harley e Ivy. Queríamos que os primeiros treze episódios da série, para Harley, fossem sobre sua carreira e identidade como uma força criminosa da natureza em Gotham. Portanto, não queríamos que a Harley se distraísse disso com romances nos primeiros 13 episódios. Mas à medida que a série avança, começamos a explorar mais o relacionamento de Harley e Ivy, e o vemos evoluir, quem sabe o que pode acontecer…

Próximo ano temos “Birds of Prey and The Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn” (isso é…grande), coincidentemente, assim como a série o filme é R-Rated, e explora a Harley se separando do Coringa. Quais suas expectativas para o filme?

Eu só vi o trailer e marketing. Não tive chance de ver nenhum corte do filme. Mas pelo que vi, gostei muito. Definitivamente parece um filme fortemente concentrado na Harley, e acho que o que Margot fez com sua versão do personagem é brilhante e engraçado, e também tem muito pathos (paixão). Eu acho que o filme parece divertido, tem um ótimo elenco e, embora eu não tenha visto o outro filme da diretora Cathy Yan (Dead Pigs), ouvi coisas incríveis sobre ele. Eu estarei lá na semana de estréia. Espero que as pessoas gostem.

Você já trabalhou em Powerless, que foi a primeira sitcom da DC Comics, e no momento está trabalhando na série da Harley. Existe algum outro personagem da DC que você gostaria de trabalhar?

Alguns passam pela minha cabeça. Eu acho que o Gladiador Dourado está pronto para a comédia, faz anos que estão tentando criar algum tipo de história para o Gladiador. Espero que alguém consiga. Eu acho que meu parceiro de escrita, Justin Halpern, e eu temos um sonho em conjunto que essa série animada da Harley Quinn se torne um grande sucesso, e a DC nos deixe escrever um filme live-action da Hera Venenosa que focaria na versão da Ivy da série. Isso seria algo, talvez como uma comédia de terror ambiental.

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Hera Venenosa

Kaley Cuoco vai dublar a Harley Quinn na versão original, e o elenco de voz ainda conta com Alan Tudyk como Coringa, Lake Bell como Hera Venenosa, Diedrich Bader como Batman, e Christopher Meloni como Comissário Gordon.

A série estreia dia 29 de novembro no DC Universe.

Danilo Leite

Danilo Leite

Sou pernambucano e atualmente curso Design na UFPE. Sou apenas mais um fã da DC Comics, ou... a casa que o Batman construiu.

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