Frank Miller sabe o que faz. Talvez falaremos dele num futuro próximo, mas ele merece palmas com todos de pé. Cavaleiro das Trevas Parte I foi inspirada na HQ de mesmo nome.  E essa animação captou o espírito de Miller e com certeza, pela quantidade de elogios, fez a alegria daqueles que gostam de um Homem-Morcego sombrio, violento e amargurado. Bruce trata tudo a sua volta de maneira displicente. E é isso que o faz chegar perto de limites nunca antes alcançados. Algumas vezes você tem a leve impressão que ele acaba matando alguém. A pergunta que fica é: esse voraz Batman tem a capacidade de destruir uma gangue que não tem medo de nada?

Cheguei!!! Cheguei chegando bagunçando a porra toda…

 

Bruce ainda tem fortes lembranças da sua infância e percebemos que sua mente sofre cada vez mais. Suas memórias são afetadas e doloridas. Muitas vezes, inclusive, não se sabe quem é o Bruce e quem é o Batman. E essa é a grande máxima da primeira animação (é seguida por Parte II). Aqui também tudo gira em torno de Batman. Comissário Gordon (faltando pouco tempo pra aposentar) e Bruce são grandes amigos e falam sobre… o Batman. Psiquiatras discutem sobre a legalidade do… Batman. Artigos nos jornais falam sobre… o Batman. Mas quando vemos o Bruce… bom, ele está bem mais acabado do que esperávamos. Você acaba sofrendo junto com ele. Você sabe que pode ser que ele não resista. Pode ser que ele não aguente ser tão castigado por alguém bem mais novo e violento. Mas ele é o Batman, o morcego dono das sombras.

É aí que ele enfrenta o Mutante e sua gangue (num retorno catatônico) e apanha muito. Apanha até dizer chega. Ele bate também. Mas a forma como ele acaba com a gangue é não dando porrada em todos. E essa é a parte interessante. Temos nessa animação a explicação do porquê o chamam de Cavaleiro das Trevas.

Agora os três motivos:

– Um Batman Decadente: Se você gosta de ver o Homem-Morcego ressurgir como uma fênix e esmagar o crime, essa animação é para você. Batman está muito pistola e podemos ver isso pelo “carinho” que ele trata os seus inimigos. Temos aqui um banho de sangue, dores, ossos quebrados e muita lama.

– Uma nova Robin: Carrie Kelley é uma garota órfã de pais vivos. Os pais não se importam nem um pouco com a garota e ela se sente aprisionada por Gotham. O grito de liberdade dela é quando resolve enfrentar seus medos. E isso se torna um verdadeiro incentivo para um Bruce que já perdeu tantas pessoas. Vale a pena conhecer essa ruivinha corajosa.

– Duas-Caras: Ele já não tem mais duas caras (huehuehue). É operado por um cirurgião. Seu rosto agora já é bem mais aceito pela sociedade. Na sua entrevista coletiva, emocionante, ele pede muitas desculpas. Mas qual cara escolher quando você não tem nenhuma? Ele é do bem ou do mal? Resta a você assistir e descobrir qual dos dois lados de Harvey Dent escolher.

Muito bem desenhada, muito bem escrita e empolgante. A DC caprichou em tudo nessa animação. Vale a pena assistir.

A vida é o Mutante. Os problemas são o Batman…

 

Sobre Will

Will Rodrigues

Estivador, Escritor, Gênero: Terror, Futuro Cavalheiro de Windsor, Morador de Mordor, Batfã, Notívago. Escrevo aqui e para a humanidade por hobby. Fora os poemas pra alguém especial. "Não leve a vida tão a sério. Você não vai sair vivo dela."

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