Poucas fraquezas na história da ficção são tão icônicas quanto a Kryptonita.
Desde sua introdução no universo do Superman, a misteriosa rocha irradiada se tornou sinônimo de vulnerabilidade, um contraponto necessário ao herói mais poderoso dos quadrinhos.
Originalmente concebida como o “K-Metal” em uma história inédita de 1940 chamada O Segredo do K-Metal, a Kryptonita rapidamente evoluiu até se tornar um dos elementos mais reconhecíveis da cultura pop. O brilho verde da substância já é tão famoso quanto o próprio símbolo do “S” no peito do Homem de Aço. Mas o que poucos lembram é que o mineral não se limita à cor verde: existem várias versões, cada uma com efeitos únicos e devastadores.
As muitas faces da Kryptonita
Ao longo das décadas, os roteiristas da DC apresentaram diversas variações da rocha de Krypton, como:
Kryptonita Vermelha, capaz de causar efeitos aleatórios e imprevisíveis;
Kryptonita Dourada, que remove permanentemente os poderes de um kryptoniano;
Kryptonita Cobalto, responsável por transformar Superman em um gigante.
Mas entre todas as versões, nenhuma é tão perigosa quanto a Kryptonita Negra.
Esse raro tipo de Kryptonita é capaz de transformar os maiores dons de Superman em suas piores maldições — o que explica por que ela aparece tão raramente nas histórias. Desde sua reintrodução em Dark Knights: The Batman Who Laughs, a Kryptonita Negra foi usada apenas uma vez.

A Kryptonita Negra: a mais Mortal de todas
Todas as formas de Kryptonita são letais para Superman, mas a Negra é, sem dúvida, a mais devastadora. Em vez de apenas enfraquecê-lo, ela liberta o pior que existe dentro dele, despertando seus impulsos mais sombrios e violentos.
Nos quadrinhos e na TV, a Kryptonita Negra teve diferentes versões. Em Smallville, por exemplo, ela estreou no episódio “Crusade”, da quarta temporada, separando Clark Kent e seu alter ego kryptoniano, Kal-El, em duas entidades distintas.
Já nas HQs, sua função se tornou ainda mais sombria. Durante a era New Earth, ela foi responsável por dividir a Supergirl em duas metades — uma boa e outra má — e também por enlouquecer o próprio Superman.
Após o reboot dos Novos 52, o mineral desapareceu por anos, retornando apenas em Dark Knights: The Batman Who Laughs. Nessa história, o vilão usa a Kryptonita Negra para obrigar Clark e Jon Kent a matarem Lois — e depois, um ao outro.
Mesmo assim, essa trama ocorre no Multiverso Sombrio, onde tudo é distorcido pelo medo e pela corrupção, não no universo principal da DC. Já em Supergirl (2025) #3, a Kryptonita Negra voltou a aparecer brevemente, quando Lesla Lar a utilizou para transformar Supergirl e Krypto em vilões destrutivos.
Por que ela quase nunca é usada
Fazer Superman ou Supergirl se tornarem monstros assassinos não é algo que se possa fazer com frequência — e há um bom motivo para isso. A Kryptonita Negra representa um risco narrativo gigantesco.
Um Superman corrompido tem poder suficiente para aniquilar cidades em segundos, e uma história com esse tom sombrio exige muito cuidado para não quebrar a essência otimista do personagem.
Quando bem utilizada, como em The Batman Who Laughs, ela pode criar histórias intensas e impactantes. Mas fora de contextos específicos, o uso desse elemento pode distorcer completamente o equilíbrio de uma narrativa que, tradicionalmente, gira em torno da esperança, da moral e da humanidade do herói.
Além disso, a destruição em larga escala causada por um kryptoniano fora de controle tornaria impossível manter uma coerência dentro do universo DC, o que justifica o uso extremamente limitado da Kryptonita Negra.
Um poder que deve permanecer esquecido…
Por tudo isso, a Kryptonita Negra aparece pouquíssimo — e provavelmente continuará assim. Sua mera presença é capaz de transformar qualquer história em algo trágico e sombrio demais para o universo de Superman.
Mas fica a pergunta: essa seria realmente a versão definitiva da Kryptonita? Ou existirá outro tipo ainda mais perigoso escondido em algum canto do multiverso DC?
