Toda sociedade tem enraizada em sua cultura alguma maneira de manter as suas memórias, seja pela arte, arquitetura ou até mesmo pela forma escrita de relatos de seu funcionamento como estrutura de sociedade. Nos quadrinhos, a mais famosa que desapareceu foi a kryptoniana, que sempre de tempos em tempos nos títulos do Homem de Aço é citada, revelando as suas diferentes camadas como estrutura social.

Uma das formas que esta sociedade manteve suas memórias vem por meio do Erradicador, um dispositivo que armazena todas as memórias de Krypton. Ele não foi criado pelos cientistas do planeta de Sol vermelho e sim por outra sociedade alienígena que desejava preservar a sua cultura, espalhando erradicadores por todo o universo. Um dispositivo, acaba sendo encontrados pelo extremista Kem-L, que o corrompe para os seus próprios objetivos a ponto de nenhum cidadão do planeta conseguir sair sem morrer, dada a exceção de Kal- El, que teve seu DNA purificado para não sucumbir quando fugisse do planeta.

O Erradicador como um dispositivo de proteção de existência, funciona da mesma forma como em muitas vezes vimos quando se falou sobre a sociedade kryptoniana e a suas características, um povo que se baseia na lógica e na ciência, procurando perpetuar a sobrevivência de seus costumes e pensamentos sobre o universo.

A primeira vez que o personagem criado por Roger Stern e Curt Swan é citado nos quadrinhos, acontece em dois momentos distintos, sendo o primeiro como dispositivo na “Action Comics Annual #2” em maio de 1989, no arco The Day of Krypton Man, sendo uma máquina que tenta corromper o Superman e torná-lo um “verdadeiro kryptoniano” introjetando em sua consciência os costumes e a própria lógica da sociedade do seu planeta natal. Claro que a tentativa não obteve sucesso e em um segundo momento, na HQ “Superman: Homem de Aço #1”  de 1991, ele surge na sua forma humanoide, feita de energia pura.

O momento de mais destaque e a verdadeira evolução do personagem para a forma e personalidade que conhecemos hoje, acontece na história “A Morte do Superman”, de 1992, narrando os acontecimento da luta que levou a vida do Homem de Aço. O arco que surge o personagem é “O mistério dos 4 Supermen” ou “Reino dos Supermen”, quando após a queda do herói surgem candidatos a assumir o seu posto. Curiosamente cada um representa um aspecto da totalidade sobre o que significa o Homem de Aço em sua importância para o mundo. O Erradicador significa o legado kryptoniano que Kal El carrega, sendo o último sobrevivente de seu planeta.

Neste momento da história, o dispositivo é acordado na Fortaleza da Solidão e rouba o corpo do falecido Superman, criando um corpo próprio que não absorve energia solar mas a canaliza no corpo do herói e, em consquência disso, o dispositivo absorve aspectos da personalidade de Clark Kent, como o seu heroísmo, a ponto dele pensar ser o Superman, mas com métodos mais violentos e mudanças significativas em seus poderes, como lançar o raio de calor de suas mãos e a necessidade de um visor por causa da sensibilidade de seus olhos.

No arco de conclusão da história, quando finalmente o Homem do Amanhã volta a vida, o Erradicador se alia ao Aço, Superboy e o próprio Superman, contra Hank Hanshaw, o Superman Ciborgue, sacrificando a sua existência em determinado momento da luta para que o último kryptoniano vivo pudesse existir.

A mais recente aparição do Erradicador foi na fase Renascimento, recuperando a sua forma humanoide após absorver o sangue do filho do Superman, Jon, se tornando novamente uma ameaça para o Homem de Aço e se aliando a um grupo de vilões liderados por Zod para se vingar do Superman por todos os momentos que ele arruinou os seus planos.

Outra versão do personagem é vista na versão do Multiverso de Trevas em Contos do Multiverso Sombrio: A Morte de Superman quando, após a morte do Homem de Aço, o dispositivo se funde com a Lois Lane que passa a se tornar a Erradicadora desta versão sombria do Multiverso. Realizamos um especial com as primeiras 4 histórias desta série, e para conhecer mais sobre a Erradicadora, você pode ler a nossa matéria clicando aqui -.

Em outras mídias, o Erradicador aparece tanto em animações como em jogos de vídeo game. Nos games, a essência kryptoniana do Superman aparece no jogo ‘Death and Return of Superman’ lançado em 1994 para o Super Nintendo e em 1995  para o Sega Gênesis, sendo um personagem jogável em determinado momento da história com o mesmo visual e  poderes dos quadrinhos.  Além do Super Nintendo, o Erradicador surge como um personagem jogável em Lego DC Super-Villains, de 2018 ,lançado para PS4, Xbox One, MacOS e Nintendo Switch, tendo o seu visual inspirado na sua mais recente aparição, no arco Renascimento.

Nas animações, o personagem apareceu em “A Morte do Superman” e “Reino dos Supermen”, que fazem parte do universo de animações antecedendo “Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips” e foi interpretado por Charles Halford. Nesta adaptação, houve mudanças na sua origem, sendo um programa guardião que foi ativado assim que o Homem de Aço morre em sua batalha com Apocalypse.

Por fim, falando nas mídias live action, ele seria um dos personagens do filme cancelado Superman Lives, que teria como protagonista o ator Nicolas Cage, com Tim Burton na direção e o roteiro de Kevin Smith. Na trama, ele iria aparecer em ambas as formas e teria como função ser uma espécie de Guardião do herói de Metrópolis.

No recente seriado lançado pela CW, Superman & Lois, o dispositivo surgiu como uma forma de possuir os habitantes de Smallville com a consciência de kryptonianos de acordo com o planos de Morgan Edge, que futuramente teria a sua verdadeira identidade revelada na trama e, ao que tudo indica no desfecho da série, também veremos a sua forma humanoide também surgir.

Independente da forma que ele aparece, o Erradicador é um dispositivo que carrega o que é de mais importante em uma sociedade, a essência de seu povo, o seu legado, o orgulho e a sua forma de pensar como uma comunidade, preservando as memórias daqueles que já compartilharam o mesmo universo que nós.

Sobre Ricardo

Fã de quadrinhos, séries, filmes e games. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Mais um privilegiado de estar na amada Terraverso.

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