Uma hora você é um promissor jogador de futebol americano cheio de sonhos… Na outra, sofre um acidente horrível e seu pai, como única forma de salvar sua vida, lhe coloca em uma espécie de armadura baseada em tecnologia alienígena. Qualquer um se sentiria confuso, perdido, sem um norte, certo? Pois é disso que trata o primeiro volume de encadernados do Cyborg, compilando o especial Cyborg: Rebirth 1 e as edições 1 a 5 da mensal Cyborg.

Cyborg é um dos maiores heróis da Terra. Luta ao lado dos maiores campeões do planeta na Liga da Justiça, mas parece que lhe falta algo, como sentisse que sua alma não estivesse mais ali. Seria ele uma máquina com partes humanas, ou ainda um humano com partes mecânicas? Essa dúvida, e outras descobertas sobre seu passado, fazem Victor Stone começar uma jornada ao lado da doutora Sarah Charles para redescobrir quem ele é e que segredos escondem do seu passado. Tudo isso enquanto tem que lidar com uma perigosa conspiração, que ameaça não só a ele como a todos ao seu redor. É nesse cenário que se desenrola esse encadernado.

O roteiro de John Semper Jr. é bem simples, sem grandes reviravoltas, mas bastante animador e dinâmico. Entrega uma boa história, que diverte e traz ao personagem um bom drama, daqueles que não são piegas mas que te fazem pensar em como você reagiria na pele do Cyborg. Vale ressaltar que John Semper Jr. é um novato no ramo dos quadrinhos, tendo iniciado na nona arte ao escrever o próprio Cyborg na fase DC You. Porém, ele é veteraníssimo nos desenhos animados, e escreveu roteiros para vários episódios de clássicos como The Smurfs (1981), DuckTales (1987) e Super Choque (2000).

Já arte, fica por conta de cinco desenhistas neste volume, com destaques para Paul Pelletier e para o brasileiro Will Conrad. Paul Pelletier desenha o especial Rebirth e os dois primeiros números da mensal com uma arte bem dinâmica e bem detalhada, principalmente em personagens com o design complexo como vilão Killg%re. Além disso, as cenas de luta desse artista são bem impactantes, com aquela dramaticidade típica de uma luta entre máquinas.

Já quanto ao Will Conrad, qualquer elogio a sua arte é redundante. Basta ler a edição número 3 para constatar isso. O cara desenha muito, tem uma arte limpa, brilhante e viva, ainda mais apoiada pelas cores do também brasileiro Ivan Nunes.

Como um todo, o arco é bem interessante para se aprofundar na história do Cyborg, suas motivações, seus medos e seus segredos. Em vários momentos da história você compra a ideia de que Victor Stone já não se sente um humano completo, que falta algo nele que nesses anos de carreira heroica se perdeu. Porém, quando aquilo que é mais importante para o Cyborg é ameaçado, é que ele se descobre mais humano do que pensava ser. Os vilões realmente são bons e trazem um alto nível de desafio para o heróis. Uma leitura bem gostosa de se fazer.

Cyborg Vol. 1 é uma publicação eventual da Panini Comics, formato 17 x 26cm, 136 páginas, lombada quadrada com capa cartão e miolo em papel LWC. Custa R$ 21,90 e tem distribuição nacional.

Sobre Rodolfo

Rodolfo Monteiro

Formado em Contabilidade, mas Nerd de coração e alma. Colecionador de gibis desde 1996, amante da DC desde Batman Returns. Sempre buscando conhecer mais sobre a nona arte!

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