Desde que foi anunciada pela DC Comics no final do ano passado, Yara Flor, a nova Mulher-Maravilha, causou um barulho muito grande não só na mídia especializada, mas até mesmo na “grande mídia” nacional que não costuma cobrir notícias relacionada ao universo dos quadrinhos. Motivo: a nova Mulher-Maravilha é brasileira!

Segundo a DC, Yara Flor é oriunda de uma tribo amazona localizada no coração de Floresta Amazônica. A personagem além de ser brasileira, representa o imigrante latino já que nos Estados Unidos a personagem irá integrar uma nova formação da icônica Liga da Justiça.

Posto isso, pergunto: em algum momento da sua vida, você já parou para pensar que talvez exista alguma relação entre a nossa Amazônia com as amazonas, as guerreiras da mitologia grega?

As Amazonas em representação feita por Theodore de Bry, século XVI.

Pois existe! Deixa eu te contar uma História.

Voltemos à época das Grandes Navegações (entre o século XV e início do XVII), onde os reinos europeus patrocinavam expedições pelo mundo em busca de novos territórios e riquezas. Nesse período, o continente americano, que entrou no radar das potências europeias, passou a ser conhecido como “Novo Mundo”.

DICA DO ENEM:  Não esqueça que as Grandes Navegações foram realizadas pelos europeus para terem acesso aos temperos do Oriente.

Por aqui, os colonizadores buscavam encontrar os metais preciosos (ouro e prata), já que o acúmulo desses elementos denotava a riqueza de uma nação. Dessa forma, não só o concreto, mas também o imaginário motivou diversas aventuras em busca dessas riquezas como, por exemplo, os espanhóis que realizaram expedições durante o século XVI em busca de “El Dorado”, a mitológica cidade de ouro.

Em 1541, após ser declarado governador de Quito, no Equador, o espanhol Gonzalo Pizarro usou de seu poder e mandou construir vários barcos, juntou sua tropa e com a ajuda do seu tenente, Francisco de Orellana, partiu com o objetivo de achar a cidade de El Dorado.

Depois de meses de viagem e tendo cruzado praticamente toda a Cordilheira dos Andes, Pizarro percebeu que sua busca não iria render em nada e então mudou de direção voltando para o norte. Enquanto isso, a expedição de Orellana seguiu outro caminho.

Vindo do Peru pelos rios, no dia 13 de fevereiro de 1542, Francisco de Orellana chegou ao Rio Amazonas, que naquela época ele próprio batizou de… Río de Orellana! No entanto esse nome logo mudaria.

Rio Amazonas

No dia 24 de junho daquele ano, os espanhóis entraram em contato com as Icamiabas, índias guerreiras que atacaram e expulsaram os espanhóis. Para estes europeus, as indígenas eram as amazonas, mulheres guerreiras da mitologia grega, e por isso, o rio recebeu o nome que possui até hoje, Amazonas.

“Nós mesmos vimos essas mulheres lutando como líderes femininas na linha de frente de todos os índios. As mulheres são muito claras e altas e usam cabelos compridos que trançaram e enrolaram em torno de suas cabeças. Eles são muito fortes e ficam completamente nuas, mas suas partes púbicas estão cobertas.” (CARVAJAL, 1992.)

Os espanhóis fugiram e no dia 26 de agosto de 1542 chegaram ao delta do Rio Amazonas. Seguiram, posteriormente, a Trinidad, porto espanhol mais próximo localizado na atual Venezuela. Os detalhes dessa aventura foram registradas pelo Frei Gaspar de Carvajal em sua  Relación del nuevo descubrimiento  del famoso Rio Grande de las Amazonas”.

A história das Icamiabas inspirou uma série de curtas-metragens animados feitos no Pará. (Vídeo acima)

Francisco Orellana foi o primeiro europeu a chegar ao Amazonas e essa história nos remete à maneira como os europeus buscavam entender o novo continente e seus habitantes. Partindo de suas referências culturais e de seus anseios econômicos, o continente americano pouco a pouco se tornou o novo lar de antigos mitos e lendas como a da cidade de El Dorado assim como das guerreiras amazonas. Dessa forma, Yara Flor também pode ser lida como uma personagem que nos remete a visão estrangeira que busca compreender a realidade do “Novo Mundo”.

FONTES:

CARVAJAL, Gaspar de. Relatório do novo descobrimento do famoso Rio Grande descoberto pelo capitão Francisco Orellana. Rio de Janeiro: Scritta, 1992.

https://ensinarhistoriajoelza.com.br/linha-do-tempo/francisco-orellana-chega-ao-rio-amazonas/ – Blog: Ensinar História – Joelza Ester Domingues

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/por-uma-mudanca-de-rota-francisco-de-orellana-encontrou-o-rio-amazonas-ha-478-anos.phtml

Sobre Professor

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Protegido pela identidade secreta de Luiz Alexandre de Andrade, o Professor DCnauta é historiador e também professor de história. Inspirado pelo Superman, buscando o preparo do Batman e espelhado na determinação da Mulher-Maravilha, o Professor DCnauta se junta ao time do Terraverso na busca de um mundo melhor (e sem rumores).

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