Quem, na correria do dia a dia, tem um tempo pra se dedicar as notícias de quadrinhos sabe bem o que acontece quando o tema é diversidade. Normalmente os comentários das matérias nas redes sociais viram uma verdadeira praça de guerra, onde a raiva e o ódio imperam e a tolerância é um oásis cada vez mais longínquo.

Porém esse cenário está prestes a mudar para pior. Segundo o site Terra Zero, está sendo formado nos Estados Unidos um grupo que age sob a hashtag #Comicsgate. Esse grupo predominantemente conservador acredita que a indústria dos quadrinhos está seguindo uma “agenda liberal” e que a diversidade estaria arruinando o mercado de quadrinhos americanos.

O movimento começou por iniciativa de fãs conservadores, mas já conseguiu representantes de peso dentro da indústria, como Ethan Van Sciver (Lanterna Verde) e John Malin (Cable).

Além desses dois nomes da indústria, outro artista tem tomado a frente do movimento. Richard C. Meyer é um artista criador do gibi “No Enemy, But Peace”. Ele serviu na Guerra do Iraque em 2003 e tem longa carreira no exército americano. Além disso ele tem um canal no YouTube chamado Diversity and Comics onde ele expõe suas ideias sobre os Social Justice Warriors (ou Guerreiros da Justiça Social como ficaram conhecidos no Brasil). Pois bem, Richard e sua legião de fãs conservadores estão criando uma lista de artistas e membros da indústria que deverão ser boicotados para que, segundo suas ideias, “as coisas mudem e a indústria volte a ser saudável novamente”. A lista é encorpada quase que diariamente com nomes de artistas e obras que apoiam a diversidade étnica e sexual. Gibis como Batwoman (cuja protagonista é lésbica) e Miss Marvel (heroína de origem mulçumana) são alguns dos alvos do grupo conservador, além de artistas como Tom Brevoort, Dan Slott, Gail Simone, Mark Waid, Matt Fraction, Kurt Busiek e Ta-Nehisi Coates, entre muitos outros.

 

 

A prática do grupo consiste não só no boicote as obras mas também no assédio e até mesmo ameaça aos artistas pelas redes sociais. Alguns deles já detectaram essa prática e optaram por apenas bloquear essas contas, mas outros como Kurt Busiek resolveram se manifestar contra essa forma de intimidação.

A atual onda de conservadorismo que está tomando conta dos Estados Unidos (e se alastrando pelo Brasil e América do Sul também) de certa forma fez com que esse grupo ganhasse força e assim, mais membros e simpatizantes. Essas pessoas acreditam piamente que a causa das quedas de vendas nos quadrinhos se dá pelos gibis feitos para públicos distintos, mesmo quando a grande maioria das publicações ainda continua com o mesmo teor voltado para o público branco e classe média americano. Porém, quadrinhos (diferente do que eles pensam) não são algo restrito. Hoje o mundo inteiro consome super heróis, e o mundo é diverso. Mulheres, negros, brancos, gays, lésbicas, transsexuais, pessoas de todas as etnias leem quadrinhos pelo mundo. Elaborar uma lista proibitiva onde deve prevalecer apenas o que as pessoas que se sentiram representadas nos quadrinhos nos últimos 80 anos querem é no mínimo um pensamento egoísta e retrógrado. E esse pensamento é um dos pilares de um dos artistas mais celebrados na DC Comics na primeira década deste século.

 

Conforme já citamos, Ethan Van Sciver é uma das pessoas que estão mais proativas nesse movimento. Ethan é frequentemente encontrado em suas redes sociais debatendo política e sendo provocativo com os seus fãs que pensam diferente dele. Foi o caso de Alfred Norris, que em 2015 criou o blog Phenomenal FX onde por meio de prints e relatos denunciou as “trollagens” que sofria de Ethan e seus amigos, que iam desde comentários em páginas do Facebook até a criação de perfis fakes com o seu nome e de sua namorada onde discursos de ódio e preconceito falsos eram atribuídos a eles.

Até o momento não houveram declarações oficiais tanto pela DC quanto pela Marvel a respeito dessas iniciativas e nem a respeito de membros do seu quadro de artistas participarem delas. Porém, na última segunda feira o site Bleeding Cool divulgou que a DC Comics está informando seus funcionários e freelancers sobre as políticas de uso das redes sociais e, entre vários tópicos, um dos que casa muito bem com o assunto diz que “…os comentários que podem ser considerados insultantes, cruéis, grosseiros e infelizes são contra a política e diretrizes da empresa. Pedimos e esperamos que você ajude a criar um ambiente on-line que seja inclusivo, solidário e seguro.”

Nós do Universo DC 52, assim como o Terra Zero que divulgou essa história na internet brasileira e o Capeless Crusader, site americano que está monitorando toda essa grande caça às bruxas nos quadrinhos, estaremos atentos a qualquer novidade referente a esse assunto e levaremos as informações para você leitor ficar a par de todo esse movimento que está prometendo rachar a indústria dos quadrinhos.

Sobre Rodolfo

Rodolfo Monteiro

Formado em Contabilidade, mas Nerd de coração e alma. Colecionador de gibis desde 1996, amante da DC desde Batman Returns. Sempre buscando conhecer mais sobre a nona arte!

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