Quando Alan Moore escreveu “Batman: A Piada Mortal” com Brian Bolland, seu status na continuidade da DC Comics nunca foi feito para ser tão fixo quanto se tornou. Era uma história que fazia referência a personagens como a Batgirl, Batwoman, Ace e Bat-Mite que não existiam em uma continuidade, após o crossover Crise nas Infinitas Terras reescrever o universo. Via: [Bleeding Cool]

A Piada Mortal retratou Barbara Gordon como uma super-heroína/bibliotecária aposentada, com seus quarenta anos e cuidando de seu pai envelhecido. Ai então ela é baleada na espinha pelo Coringa, na tentativa de deixar seu pai, Jim Gordon, um homem insano – assim como o Coringa acreditava ter acontecido com ele e com Batman.

Nas três décadas e meia desde a publicação original, houveram críticas consideráveis aos temas da história, de transformar Barbara Gordon em um objeto de enredo (ou não), a ser usado puramente como um meio de continuar a trama para provocar o Batman à ação, para derrotar o vilão. O que, para ser justo, é como o Coringa o vê. No entanto, a proposta não forneceu nenhuma resolução para sua condição e ela foi deixada de lado, como um mero dispositivo da trama. Ela foi o princípio do famoso projeto Mulheres na Geladeira, da escritora Gail Simone, como uma personagem usada e abusada apenas para fornecer motivação ao personagem masculino.

Foi devido a incapacitação que a Bárbara sofreu pelo Coringa que a personagem se transformou na Oráculo, um inteligente e perspicaz personagem que trabalha em uma central de inteligência remota ao lado da equipe de Aves de Rapina, tornando-se um símbolo de empoderamento. Uma personagem que a própria Gail Simone escreveria continuamente nos quadrinhos de Aves de Rapina.

Isso foi levado em consideração até certo ponto com ‘Os Novos 52’. Na fase, houve uma mudança na continuidade, com o retorno da Barbara Gordon como Batgirl, novamente escrita por Gail Simone. Com Barbara Gordon tendo sido rejuvenescida e sua condição física curada.

Em 2015, quando Brenden Fletcher, Cameron Stewart e Babs Tarr recriaram a Batgirl para a DC Comics, rolou uma abordagem muito próxima da Piada Mortal. De fato, quando uma capa variante retratando os eventos da Piada Mortal foi encomendada pelo departamento de marketing da DC, sua presença foi veementemente contestada pela equipe editorial e criativa, e foi retida. Essa Batgirl não era aquela Batgirl.
Em Batgirl #49, como o livro estava chegando ao fim antes do evento “DC Comics Renascimento”, e a equipe criativa estava indo para outro lugar, uma mudança foi feita. Foi revelado que várias memórias da Batgirl eram falsas, implantadas para fins nefastos pelo vilão Fugue. E agora, nesse processo de memórias serem retiradas, removidas ou lembradas…um elemento retorna… A Piada Mortal!
Foi tudo uma memória falsa, todo esse tempo? … na época, Babs Tarr tuitou:

“Desfazemos algumas coisas …”
Na edição ‘Heróis em Crise #4′, escrita por Tom King, há uma cena com Batgirl, em uma confissão como Barbara Gordon, onde ela mostra as cicatrizes da agressão que uma vez a paralisou.

 — ALERTA DE SPOILERS PARA #BATGIRL #47 —

Recentemente, em Batgirl #47, de Cecil Castellucci, Robbi Rodriguez e Tamra Bonvillain, como parte do evento “Joker War”, o Coringa faz uma visita de volta ao apartamento de Barbara Gordon, sem seu pai e com uma missão diferente em sua mente. Mas fazendo o seu melhor para lembrá-la do acidente que atormentou o passado da heroína, quando perdeu a mobilidade de suas pernas ao recordar esparramada pelo chão, com imagens de câmera Polaroid ao seu redor.

A edição ‘Batgirl #47’ foi lançada recentemente nos EUA e ainda não possui previsão de chegar ao Brasil.

Sobre Willyan

Willyan Bertotto

Publicitário. Diretor de Arte, Designer e Batmaníaco. Fã incondicional da DC Comics e pesquisador assíduo desse universo e todas as suas possibilidades de transformação.

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