É inegável que a comunidade nerd e fãs de histórias em quadrinhos em geral ainda estão em êxtase pelo reconhecimento de Joaquin Phoenix pela sua atuação em Coringa e de Hildur Guðnadóttir pela trilha sonora do filme.

Durante a cerimônia do Oscar, realizada no último domingo, Chris Rock, em um tom irônico, disse que o evento mudou desde sua primeira edição, mas ainda existiam poucos negros e mulheres indicadas às categorias principais. Apesar de termos muito a caminhar no que se refere à equidade entre homens e mulheres, brancos e negros, um fato deve ser mencionado: algumas décadas atrás seria inimaginável que um filme baseado em um personagem de histórias em quadrinhos estaria tão bem ranqueado e colecionaria 11 indicações, conquistando 2 delas (citadas no início deste artigo).

Mas cara leitora e caro leitor, qual a importância de termos filmes ligados ao universo dos super-heróis, ou neste caso, vilões, sendo igualmente reconhecidos, assim como outras produções de diretores renomados e voltados a um público específico?

É fato que algumas pessoas “torcem o nariz” para estes filmes e até mesmo falam que eles não agregam muito ao cinema e funcionam apenas como entretenimento. Porém, se irmos às raízes destas histórias, ou seja, HQ’s, precisamos falar de um dos pontos-chave destas histórias: críticas sociais.

Trago como exemplos, as pautas feministas levantadas pelas histórias da “Mulher-Maravilha” e o protagonismo feminino trabalhado em “Aves de Rapina” (ainda em cartaz); a representatividade trazida por personagens LGBTQA+; a inclusão de pessoas de diferentes etnias e temas como racismo, etc.

Voltando ao nosso tema central, já tivemos outras produções deste tipo indicadas ao Oscar, “Superman” venceu na categoria Melhores Efeitos Visuais em 1979; 10 anos depois, “Batman” saiu vitorioso na categoria de Melhor Direção de Arte; em 2002 “Estrada para a Perdição” foi premiado pela Melhor Fotografia; em 2009 “Batman: O Cavaleiro das Trevas” conquistou a estatueta de Melhor Edição de Som e postumamente consagrou Heath Ledger como Melhor Ator Coadjuvante, também como Coringa; e em 2017 “Esquadrão Suicida” foi reconhecido como a Melhor Maquiagem e Penteados. Além de produções de outras editoras, igualmente importantes, como o “Pantera Negra” (Marvel Comics).

Estamos em 2020 e é inegável que ainda precisamos debater determinados assuntos, um exemplo é “Parasita“, que falando sobre as diferenças de classes sociais, foi consagrado o melhor filme do ano.

Não podemos encarar as produções aqui citadas apenas como entretenimento, afinal elas podem entreter e ao mesmo tempo levantar debates importantes. “Coringa” é um ótimo exemplo, pois ele não acaba quando os créditos sobem ou quando as luzes da sala de cinema se acendem. Ele carrega consigo debates sobre o mundo onde vivemos, emulados em uma Gotham caótica e nas vivências de Arthur Fleck. Destaca-se também o trabalho de diretores como Todd Phillips, que mesmo trabalhando com um personagem pertencente ao universo das HQ’s, conseguiu fugir da fórmula básica destes filmes, que na maioria das vezes focam em cenas repletas de efeitos especiais, diversas explosões e em uma sonoplastia característica em tela. Phillips, por sua vez, teve uma visão diferente sobre Coringa, conseguindo atrair o público não pelas cenas ação e/ou lutas coreografadas, mas pela forma como seu filme propõe algumas discussões sobre o mundo e a sociedade em que vivemos.

Por fim, ficamos felizes por vermos estes personagens e estas temáticas alcançarem o famoso “Red Carpet” e conquistarem uma premiação tão importante. Quem sabe nos próximos anos, o Oscar abra ainda mais espaço para estes filmes, que mesmo entretendo, tratam de temas sérios e necessários à época em que vivemos.

Sobre Lucas

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Sou publicitário formado pela UFSM, mestre e doutorando em comunicação pela UFSM também. Fora isso, apenas alguém apaixonado pelo mundo nerd.

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