Saudações Terraversers! Como parte das homenagens aos 80 anos do Batman, preparamos uma pequena dissertação sobre o primeiro filme da trilogia do cavaleiro das trevas – Batman Begins – comandada por Christopher Nolan e protagonizada por Christian Bale, que trouxe de volta todo o prestígio perdido do homem morcego.

Introdução

No início de Batman Begins, somos levados a revisitar a trágica infância de Bruce Wayne, onde a história do assassinato de seus pais é recontada. Diferente da versão estabelecida nas HQs desde Batman – Ano Um (1987), onde a família Wayne sai de uma sessão de cinema de Zorro, desta vez vemos o jovem Bruce e seus pais saindo da ópera Metistofele.

A trágica ópera não é mostrada à toa na película, pois logo na sequência somos levados à famosa tragédia pessoal de Bruce. Se hoje a origem do Homem Morcego está incrustada no conhecimento geral, sendo conhecida basicamente por todos devido às suas diversas encarnações e adaptações, não quer dizer que era assim na época. Christopher Nolan escolheu acertadamente em mostrar novamente a origem do Batman, e assim como Metistofele, o diretor cria sua própria ópera nos tradicionais três atos, com a apresentação, o desenrolar da trama para estabelecer o vigilante e o background de Gotham à sua volta, e o clímax com uma épica conclusão.

Begins

Conforme citado acima, a origem do Batman é reapresentada ao grande público, o que pode ser considerado um grande acerto, visto que muitas pessoas não conheciam a versão mais próxima do material de origem. Para muitos, um criminoso chamado Jack Napier (que viria a se tornar o Coringa) que havia assassinado os pais de Bruce Wayne, conforme mostrado no Batman de Tim Burton (1989).

A decisão não se mostra um acerto apenas por aproximar a trama aos quadrinhos, porém também pelo significado que aquilo trás para a mitologia do Batman… a do acaso bruto, violento e visceral, que pode atingir a qualquer um, independentemente da posição social, bastando estar no local errado e na hora errada.

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E como esperado, isso se mostra como o grande motivador de Bruce Wayne. Ver seus pais morrendo tão de repente, com a violência à qual buscavam combater, foi o grande moldador da mente e alma de Bruce dali pra frente. Porém, o filme não é considerado “sombrio e realista” à toa. Bruce não se torna o Batman do dia pra noite. Na verdade vemos o personagem cometendo erros e se mostrando vulnerável, tendo instintos comuns que vem com a dor do luto combinado ao desejo de vingança proveniente do ódio pelo assassinato dos seus pais – um criminoso comum chamado Joe Chill.

Após tentativas fracassadas de se vingar e de entender o submundo, Bruce confronta o mafioso Carmine Falcone, que foi o responsável por mandar matar Joe Chill. Falcone aqui, assim como nas HQs Batman Ano Um e O Longo dias das Bruxas, é o grande vilão pré Batman da cidade de Gotham. Antes da era dos loucos e das aberrações, os mafiosos dominavam o submundo do crime, e Falcone deixa claro para Bruce Wayne que controla a cidade e à todos nela por meio do medo.

Percebendo o tamanho da podridão que o cerca e que faz sua cidade de refém, Bruce então parte em sua jornada ao redor do mundo, buscando conhecer criminosos e seus modos de agir, além de se infiltrar no meio dos homens comuns. Acima de tudo isso, porém, em uma jornada de auto-conhecimento.

O medo é o principal elemento condutor do filme, com as três figuras antagonistas se utilizando do sentimento de medo que inflingem aos outros como suas principais armas.

Em sua jornada, Bruce Wayne conhece seu mentor e líder da Liga das Sombras, Henri Ducard (Liam Neeson) – posteriormente, revelando ser Ra’s Al Ghul. Ele resgata Bruce de uma prisão e o trás para o caminho da Liga das Sombras, um grupo de guerreiros altamente treinados em situações extremas para combater o mal que aflige o mundo, com fortes inspirações orientais, viste as vestimentas e armamentos típicos de samurais. Bruce ouve os ensinamentos de Ra’s, segue seu caminho e se torna o melhor de seus alunos, até o momento do cisma entre os dois, em que após se confrontarem, seguem direções opostas.

No segundo ato, temos o estabelecimento de Bruce Wayne em seu retorno à Gotham. A aliança com Alfred e Jim Gordon (eternizados por Michael Caine e Gary Oldman, respectivamente) são moldadas, com Alfred sendo seu fiel mordomo e parceiro no planejamento do combate ao crime, e Gordon sendo o bastião da esperança de policiais não-corruptos na cidade.

Porém, como não existem pontas sem nós se tratando desta trilogia, Ra’s Al Ghul e a liga das sombras retornam para assombrar Bruce Wayne e sua cidade; Por intermédio do Doutor Crane (Espantalho), Ra’s Al Ghul se infiltra em Gotham. Enquanto ele fornece a flor azul com compostos alucinógenos ao Dr. Crane, o mesmo o ajuda a infectar o tratamento de água da cidade, culminando no frenético ato final do filme.

Com Falcone inepto graças à uma traição do próprio Crane, o confronto final se desenha com a Liga das Sombras cumprindo a sua promessa, e vindo à Gotham com o objetivo de destruí-la. Ra’s Al Ghul e seus homens aparecem na festa de aniversário de Bruce, e querendo afastar seus convidados da festa, temos um brilhante momento em que Bruce Wayne se incorpora como o playboy mesquinho e mimado que acaba expulsando todos de sua mansão. Após um confronto, a casa desaba em meio às chamas. Bruce, resgatado por Alfred, tem de deixar sua casa caída para trás e ir em busca de Ra’s, que coloca seu plano final em prática: o contágio de toda a população de Gotham por sua toxina do medo, para que a queda da cidade ocorra em meio ao caos iminente.

Dr. Crane

Aqui, a batalha final se dá em belos planos que mostram desde a periferia da cidade em caos, com a toxina se espalhando, até os loucos do Arkham que foram soltos pela Liga das Sombras aterrorizando as ruas, com direito ao Crane assumindo a alcunha de Espantalho. Tudo isso nos leva ao grande confronto final, com Ra’s al Ghul e Batman lutando no trem, que em direção à estação central de tratamento de água, não pode de jeito maneira alcançar o seu destino.

Após a icônica luta ser finalizada com Batman vitorioso, temos a célebre frase “Não vou te matar. Mas também, não preciso de salvar”, em que Batman deixa Ra’s para morrer. Interessante observar, assim como acontece no filme do Aquaman, quando Arthur deixa o pai do Arraia Negra para morrer, os ecos dessa atitude serão sentidos alguns anos depois, em O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

Os destaques técnicos ficam, além dos efeitos, para a bela trilha sonora de Hans Zimmer, que cria o tema do Batman que ecoará até o fim da trilogia.

Nolan no comando

Batman Begins construiu um novo modelo para filmes de super heróis que reverbera até hoje, com diretores de Marvel e DC citando as influências do trabalho de Christopher Nolan (e séries também… vide Demolidor e Arrow). Ele estabeleceu a base para a trilogia do Cavaleiro das Trevas, e através de temas como o medo e o terrorismo, continua relevante e atual.

Na época, não foi um sucesso estrondoso de bilheteria, porém as ótimas críticas e o boca a boca fizeram com que a bilheteria fosse o suficiente para garantir uma continuação. E que continuação!

“Aqui está o meu cartão”

Sobre Daniel

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Louco por explorar vários cantos da cultura pop, em especial filmes e HQs. E em especial os da casa das Lendas, que produziu e continua produzindo tantas histórias marcantes.

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