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Críticas HQ's

V de Vingança | Uma análise sobre mídia e política

Em outubro deste ano, talvez o filme mais esperado de todos estreou. “Coringa” apresenta aspectos políticos e sociais que contam a história do maior vilão dos quadrinhos e ainda está dando o que falar. No filme, vemos fielmente o aspecto da mídia e da política entrelaçados. A mesma mídia utilizada por Frank Miller na edição Cavaleiro das Trevas está presente em cena, principalmente sobre como os meios de comunicação reproduzem o que eles querem, e como esses elementos podem dialogar com você. Só que desde muito tempo, os quadrinhos gostam de abordar essa relação existente entre mídia e política. Porém, neste texto, escolho um outro personagem bem conhecido e mascarado.  

Isso mesmo! Se você pensou em V de Vingança, acertou! Nesta obra observa-se o escritor Alan Moore e o desenhista David Lloyd utilizando dessa correlação entre mídia e política para tratar diretamente com o leitor sobre regimes autoritários em uma distopia criada em 10 volumes, onde “V”, o personagem principal, luta contra a ascensão do fascismo 10 anos depois de Margaret Thatcher, na Inglaterra. Tudo dentro do personagem V é escolhido perfeitamente pelos seus autores como uma forma de chamar a atenção para a política e mostrar aos leitores elementos do fascismo, já que o personagem se intitula como um “anarquista romântico” e usa a sua sabedoria e experiência política como uma ferramenta para acordar a população e mostrar como o governo utiliza os meios de comunicação para controlar as pessoas. Esse regime também faz uso de policiais e militares, que em teoria é para proteger a população, como um modo de tortura para a favor de sua própria ideologia. E assim é criado o ambiente de supremacia, dentro dos próprios olhos e com pessoas que dizem ser o melhor para família, e para o país.

O próprio personagem V e sua famosa máscara significam até hoje um meio de contrariedade. Recentemente vem acontecendo algo semelhante com o Coringa, onde em muitas manifestações pelo mundo, sua maquiagem é adotada como um símbolo de protesto e revolta contra governos. Para o V, há todo um significado articulado por seus autores que adotaram este homem como um símbolo.  Uma clara crítica ao autoritarismo. A máscara que esconde o rosto de V foi uma homenagem a Guy Fawkes, um homem que fez parte da Revolução da Pólvora em (1600) e que era especialista em explosivos. Observamos todas as semelhanças quando V explode o parlamento, causando uma revolta em todos os líderes superiores daquela sociedade. Fawkes tinha o objetivo de assassinar o Rei Jaime I, colocando barris de pólvora onde ficava o parlamento, mas o plano acabou não dando certo. Diferentemente do que acontece com V, que sempre tinha um cuidado absoluto e todos os seus planos eram bem arquitetados.

Guy Fawkes

Conhecemos um pouco mais desse homem mascarado, quando ele salva uma garota chamada Evey de estupradores na rua, onde a leva pra casa e cuida dela. Lá, ela conta uma história já conhecida por muitos; a personagem tinha tudo e então uma guerra devastou sua vida. Os líderes separaram os homossexuais, os negros e os deficientes, em busca de uma raça pura. Enquanto o leitor entra mais a fundo na história, ele se pergunta a todo instante: “Quem foi V de Vingança?”. Em uma análise podemos entender que o V é todo mundo que teve alguma experiência com guerras, autoritarismo e venceu, mas nem todos tem essa chance. V é todas as pessoas que sofreram em campos de concentração e se veem sem saída. Observamos como isso reflete na Evey, por isso, o V segundo seu próprio autor é um Anarquista Romântico, já que para o mesmo a Anarquia significa que cada um é dono do seu próprio destino, para que cada um consiga fazer o seu próprio futuro.

Só que como todos sabem, nem sempre a revolução vem com rosas, o que soa como uma ironia já que seu personagem tem um grande apreço pelas rosas. O primeiro passo de V é colocar fogo dentro do seu campo de concentração, onde o mesmo sai ileso e busca então libertar as pessoas da mídia, da opressão, e da cegueira imposta por políticos, depois uma série de planos que vão ocorrendo ao longo da trama.

Dentro desse universo criado por Alan Moore, observamos coincidências com regimes políticos, sobre como a mídia influencia e apresenta cada detalhe, não somente como informação, e sim noticiando o que as pessoas precisam saber sobre o governo, como uma fórmula de controle da verdade. O que nos lembra o Brasil com uma semelhança interessante: O programa utilizado na HQ é chamado de “Voz do Destino”, onde a “Boca” como eram chamada as pessoas que controlavam os poderes midiáticos, tinham total controle. Já aqui no Brasil, tínhamos um programa desde 1938 a 1971 que após algumas mudanças de nome se fixou como “Voz do Brasil” e que se passa até hoje, mas durante aquela época era utilizado apenas para falar dos “milagres econômicos” dos presidentes, como um modo de noticiar a população coisas boas, quando na verdade, havia sempre um problema escondido. Observamos esse regime autoritário de controle até hoje na Coreia do Norte com Kim Jon Un, onde o líder controla todo tipo de mídia que o povo consome, sendo a maioria apenas para enaltecer e aclamar o próprio ditador.

V

Em 2004, Moore fala sobre a mídia: “Nós a convidamos para nossas casas todas as noites, certamente alguns a consideram até como amiga.” E isso fica vigente quando o personagem V percebe que o único jeito de falar realmente com as pessoas é indo até a mídia, quando ele finalmente faz as pessoas perceberem a realidade utilizando um dos únicos meios que elas dão atenção: a televisão. Por ela, as pessoas começam a descobrir a verdade e assim, surge o sentimento anarquista do V de Vingança. O estado para o personagem é responsável por toda alienação de forma direta, e acaba corrompendo a população, já que ele alimenta o capitalismo, faz as pessoas morrerem de fome, matarem e assaltarem sem nenhuma alternativa de sobrevivência. Para ele, as pessoas precisam de libertação.

Um exemplo nato sobre essa liberdade é quando a personagem Evey, que foi salva pelo V de Vingança, em um dos momentos mais bonitos de toda a história, finalmente se vê livre. Isso é representado pelas palavras e pela água. Na cena, ela toma um banho de chuva nua, que significa renascer, ela simplesmente conhece a anarquia, ela se liberta de toda a dor que havia em seu passado, e se regenera, tendo como objetivo continuar o legado do V de Vingança em soltar os “presos” pela poeira midiática e política.

“V de Vingança” foi lançada em 1982, criada por Alan Moore e David Lloyd.­­

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